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Por que Hamilton deve bater o pé por salário na Mercedes

Alessandra Alves defende a posição de Lewis Hamilton em seu impasse com a Mercedes na renovação de contrato; veja motivos do heptacampeão

8 jan 2021
09h02
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Hamilton com o troféu do Mundial de Construtores, ops, de Pilotos.
Hamilton com o troféu do Mundial de Construtores, ops, de Pilotos.
Foto: Divulgação

A equipe Lewis Hamilton marcou 347 pontos no Mundial de Fórmula 1 de 2020. Vice-campeã da temporada, a Red Bull conquistou 319. Claro que a frase acima não faz sentido. Hamilton conquistou 347 pontos e foi campeão do Mundial de Pilotos e ajudou a Mercedes a conquistar o Mundial de Construtores, com 573 pontos. Mas a matemática é clara: se tivesse apenas Hamilton como piloto, a Mercedes ainda assim teria sido campeã. 

A superioridade da Mercedes na temporada de 2020 é incontestável. O companheiro de Hamilton, Valtteri Bottas, foi o vice. Juntos, venceram 13 das 17 corridas. Ao se consolidar, pelo sétimo ano consecutivo, como a melhor equipe da Fórmula 1, a Mercedes não ganhou apenas em imagem. Não lucrou apenas com o prestígio que o sucesso na categoria empresta a seus carros de rua. 

A Mercedes tem sido uma equipe lucrativa na Fórmula 1. Gasta muito (e precisará obrigatoriamente gastar menos quando o teto de gastos passar a vigorar), mas também obtém lucro, com patrocinadores e com o prêmio em dinheiro recebido da categoria. Na Fórmula 1, funciona assim: quem pontua mais ganha mais. Desta forma, a lógica de Hamilton parece estar fundamentada em pura aritmética – se a Mercedes ganha mais dinheiro pelos pontos que marca, e eu sou o responsável pela maior quantidade de pontos da Mercedes, logo, mereço ganhar mais dinheiro.

Nas especulações sobre o impasse na renovação, surgiu um dado que reforça a tese acima: diante de todas as dificuldades do ano de 2020, a Mercedes teria oferecido uma redução de salário a Hamilton, passando seus rendimentos anuais de 47 milhões de euros para 40 milhões. O inglês tenderia a aceitar, desde que a diferença fosse compensada com participação dele nos lucros da equipe. Teria ficado emperrada nesse ponto a conversa.

Capa de revista e símbolo mundial de ativismo, Lewis Hamilton agrega mais do que pontos à Mercedes.
Capa de revista e símbolo mundial de ativismo, Lewis Hamilton agrega mais do que pontos à Mercedes.
Foto: Divulgação

Hamilton vale 47 milhões de euros por ano? A resposta para essa pergunta é a mesma que regula todo e qualquer mercado: o valor de qualquer coisa é aquele que o mercado se dispuser a pagar por ele. Se Hamilton chegou ao estágio de valer todo esse dinheiro, é porque tem sido reconhecido como um diferencial. A Mercedes paga por ele o que não paga por Bottas porque reconhece em Lewis um fora de série.

O excelente desempenho de George Russell no GP de Sakhir acendeu a dúvida: por que a Mercedes deveria gastar tanto com Hamilton se já tem um piloto pronto para substituí-lo? Dificilmente uma equipe com toda a complexidade da Mercedes faria uma troca tão ousada, não só pelo que Russell pode ou não fazer na pista, mas em função da diferença de apelo de imagem entre o heptacampeão e a jovem promessa. Hamilton, hoje, agrega publicidade à marca Mercedes não só por seus recordes e desempenhos notáveis nas corridas, mas pela personalidade influente que se tornou.

Dessa forma, parece lógico que Hamilton empregue força na queda de braço com os atuais patrões. E não parece lógico que a Mercedes esteja disposta a perder o maior símbolo de performance e engajamento social que a Fórmula 1 já teve em sua história.

Mercedes seria campeã de construtores mesmo que tivesse somente Lewis como piloto da equipe.
Mercedes seria campeã de construtores mesmo que tivesse somente Lewis como piloto da equipe.
Foto: Divulgação

E, antes que as cifras pareçam abusivas e se invoque a mentalidade pequeno-burguesa que compara salários de esportistas com os de professores, vale lembrar dois aspectos relevantes. O primeiro deles: esportistas recebem altos salários porque viabilizam um setor que movimenta rios de dinheiro. 

O segundo: se você acha que 47 milhões de euros é muito, saiba que esse valor não coloca Hamilton entre os 10 maiores salários do mundo entre atletas. O campeão de 2020, segundo a Forbes, é o tenista Roger Federer, que faturou 106 milhões de dólares. Recheada de jogadores de futebol e de basquete, a lista da Forbes revela que a Fórmula 1, ao fim e ao cabo, atrai menos dinheiro do que esses outros esportes. A demanda de Hamilton, portanto, é apenas coerente com esse cenário.

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