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GP do Bahrein: a volta ao “velho normal” da Fórmula 1

Retorno aos circuitos tradicionais exporá a F1 a uma comparação com as pistas “esquecidas”, onde ocorreram as melhores corridas do ano

26 nov 2020
06h00
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Fórmula 1 corre à noite para que alguns lucrem, enquanto pilotos e outros trabalhadores sofrem com o metabolismo.
Fórmula 1 corre à noite para que alguns lucrem, enquanto pilotos e outros trabalhadores sofrem com o metabolismo.
Foto: Mercedes-AMG / Divulgação

Neste fim de semana, a Fórmula 1 estará de volta à normalidade. Vai ser por ocasião do Grande Prêmio do Bahrein, um dos circuitos que integravam o calendário original deste ano, que teve parte de suas corridas canceladas por causa da pandemia do COVID-19.

Em seu lugar, entraram algumas pistas históricas, mas já semiesquecidas diante da necessidade premente de faturamento que aflige tanto a promotora da F1, a Liberty Media, quanto a FIA, que também se alimenta das corridas.

Normalmente, a F1 visita o circuito do Bahrein no começo do ano. No calendário original, seria a segunda etapa, no dia 22 de março. Reposicionada, ela será a primeira de três corridas noturnas seguidas: mais uma na mesma pista de Sakhir, mas em um traçado diferente, e a de Abu Dhabi.

Em si, essas provas são diferentes do padrão habitual por serem disputadas durante a noite. Isso para que o público dominante das transmissões de televisão, concentrado na Europa, possa assistir a elas no horário a que está habituado, depois do almoço do domingo. 

Para a Liberty Media, essa volta aos circuitos habituais pode ser a confirmação do acerto de suas escolhas – ou, ao contrário, a negação. Depois da apresentação de gala em Mugello, um dos circuitos “de emergência”, o Grande Prêmio da Rússia, que se disputa desde 2014 na pista de Sochi, foi inegavelmente monótono, justificando a fama de corrida modorrenta que cerca esse GP. 

A seguir, vieram o GP de Eifel, em Nurburgring; o de Portugal, em Portimão; o da Toscana, em Mugello; e o da Turquia, em Istambul Park. Todos em circuitos marginalizados, e mesmo assim, palcos das melhores corridas deste 2020. 

O traçado da pista de Sakhir nada tem de extraordinário nem de atraente. Quatro retas (duas longas, uma média e uma curta) e 15 curvas. Delas, 13 mais se assemelham a esquinas, nem de longe desafiam os homens e as máquinas da principal categoria do automobilismo mundial.

O traçado da pista de Sakhir nada tem de extraordinário nem de atraente. Quatro retas (duas longas, uma média e uma curta) e 15 curvas. Delas, 13 mais se assemelham a esquinas, nem de longe desafiam os homens e as máquinas da principal categoria do automobilismo mundial.
O traçado da pista de Sakhir nada tem de extraordinário nem de atraente. Quatro retas (duas longas, uma média e uma curta) e 15 curvas. Delas, 13 mais se assemelham a esquinas, nem de longe desafiam os homens e as máquinas da principal categoria do automobilismo mundial.
Foto: Divulgação

É enorme a possibilidade do contraste entre a qualidade das etapas disputadas nas pistas “de emergência” e as de Sochi e Bahrein trazer de volta as queixas contra o gerenciamento da F1 pela Liberty. Os primeiros sinais de insatisfação surgiram com o esboço do calendário de 2021. Nele, destacam-se as ausências de Nurburgring, Portimão, Mugello, Imola e Istambul. Consagram-se trambolhos como Mônaco, Barcelona e Paul Ricard.

QUEM PAGA O PATO? 

Das medidas deste ano, vão se repetir as estafantes séries de três GPs consecutivos. E também as corridas noturnas, todas lá pelas bandas orientais. Os dirigentes contabilizam os lucros, quem se sacrifica são os profissionais. Pilotos, engenheiros, mecânicos e todos mais que, de uma forma ou outra, trabalham na Fórmula 1 são quem paga o preço.

Eles têm de ignorar seus metabolismos em honra do idolatrado deus dólar. Seus corpos devem resistir ao sono que chega quando a luz natural se extingue, se acostumar a dormir quando o dia está claro e adaptar suas refeições a um cronograma que nada tem a ver com suas necessidades biológicas.

Ora, mas são só alguns dias, argumentam os defensores dessa moda. Preferem ignorar que são 25 dias, uma série composta por três corridas em fins de semana consecutivos. Ao fim desse período, quando o corpo já estiver adaptado à barafunda de horários que vão e vêm, é hora de voltar para casa – a quase totalidade na Europa Ocidental. 

Tudo isso em troca de corridas que pouco ou nada têm de atraentes. Ou será que, dessa vez, a comparação entre umas e outras será capaz de dar fim às queixas dos últimos anos? 

É esperar para ver.

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