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F1 terá carro mais pesado, lento e difícil de guiar em 2022

As mudanças regulamentares levarão a uma grande mudança de direção por parte dos pilotos em 2022. Entenda

6 out 2021 07h47
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O F1 versão 2022 exigirá muito dos pilotos. Ponto para o público
O F1 versão 2022 exigirá muito dos pilotos. Ponto para o público
Foto: F1 / Divulgação

Uma das grandes curiosidades que o fã de F1 tem hoje é: como será o desempenho dos carros 2022? Afinal de contas, é uma modificação extremamente radical no conceito e busca melhorar o espetáculo. Entretanto, as primeiras impressões não parecem tão animadoras...

Esta semana, Lando Norris declarou em uma entrevista que o carro de 2022 “não era tão bom de dirigir como o deste ano” após ter andado pela primeira vez no simulador da McLaren com os parâmetros do novo regulamento. Embora o que não é bom para o piloto necessariamente seja ruim para o público, podemos projetar sim como será o desempenho desta nova F1.

Certamente, os pilotos terão dificuldade pelo aspecto principal: menos pressão aerodinâmica. A linha principal das novas regras é reduzir a turbulência gerada pelos aerofólios, permitindo que os carros possam andar próximos com mais facilidade. Para isso, tivemos uma simplificação da asa dianteira e das aletas laterais (“bargeboards”). 

Isso significará que os carros ficarão mais difíceis de controlar. Mesmo com a volta oficial do efeito solo, que nunca foi embora totalmente da F1, para compensar parte desta perda (em breve, teremos coluna explicando como este tão falado conceito funciona). Com menos apoio, os carros até terão velocidade em reta, porém não conseguirão curvar com tanta eficiência como hoje. Terão que fazer mais esforço e frear mais. Em tese, pode aumentar a quantidade de erros nas provas, a despeito do aumento do diâmetro dos freios...

Outro aspecto que torna a vida do piloto mais difícil é a mudança do pneu. O uso de um perfil mais alto (18” ao invés dos atuais 13”) tem um viés extremamente comercial, pois são mais próximos dos modelos utilizados em nosso dia-a-dia. Em comparação com o que vemos hoje, o pneu tem menos borracha e, com isso, a estrutura de construção muda toda. Menos borracha, ele não cede tanto quanto o atual. 

 Comparação F1 2021 e 2022: dois animais bem diferentes
Comparação F1 2021 e 2022: dois animais bem diferentes
Foto: F1 / Divulgação

Mesmo limitado, para que o efeito solo atue com o máximo de eficiência, o carro deve oscilar o mínimo possível em relação ao chão. Para isso, o curso da suspensão deverá ser reduzido. Isso torna a direção cada vez mais difícil, especialmente onde? Ponto para quem respondeu curvas!

Outro detalhe que impacta nesta equação: o aumento de peso. Graças a introdução de novas regras de segurança, a permissão para o uso de materiais menos nobres e até mesmo as novas rodas por conta dos pneus, o peso aumentará dos atuais 752kg para 790kg. As equipes estão fazendo gestão para que este limite aumente, mas a FIA não parece sensível a estes apelos. Ainda temos uma possível redução do tamanho dos carros. Pequena, mas presente: cerca de 10 a 15cm. Isso também pode acarretar a um projeto com uma altura maior (o que se chama um centro de gravidade mais alto). Resultado: mais instabilidade.

Ainda não podemos esquecer que os motores estarão congelados formalmente a partir de 1º de março e que deverão perder um pouco de potência pela introdução da nova gasolina com 10% de biocombustível. A perda vem mais da manutenção do fluxo de combustível no regulamento. Com mais peso, a tendência é gastar mais combustível. Esta combinação ajuda a deixar os carros mais devagar... 

Mais pesados, mais lentos e difíceis de guiar. Em resumo, este é o script que aguarda o público e os pilotos para a F1 2022. Só poderemos ter certeza disso quando começar a pré-temporada, prevista para fevereiro. Inicialmente, se falava em 6 segundos mais lentos do que os atuais. Hoje, já diz 3 segundos. Certamente veremos uma mudança grande de abordagem dos pilotos para poder extrair o máximo dos carros. Em tese, teremos mais movimentação na pista.

Mas, temos que lembrar mais uma vez: o que é ruim para os pilotos, não necessariamente é o mesmo para o público.... 

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