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Agora podemos dizer: Mick Schumacher estreou na F1

Pontuador em duas corridas seguidas, Mick Schumacher repete roteiro de categorias de base e mostra boa evolução em seu segundo ano

13 jul 2022 - 20h15
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Mick Schumacher vive boa fase na F1: mesmo roteiro de F3 e F2?
Mick Schumacher vive boa fase na F1: mesmo roteiro de F3 e F2?
Foto: Haas F1 Team / Twitter

Uma corrida depois de seus primeiros pontos, na Inglaterra, Mick Schumacher conseguiu não só manter a boa forma, mas melhorar o próprio resultado e ser um dos grandes destaques do GP da Áustria. Já são quatro etapas seguidas em que a evolução é visível. E isso não é pouca coisa. Sinal de consistência e amadurecimento.

Mick teve um começo de ano complicado. Enquanto seu novo colega Kevin Magnussen, que vinha de um ano afastado da F1, conquistava pontos, ele seguia zerado e cometia erros, chegando a bater forte na Arábia Saudita e em Mônaco. A pressão começou a surgir, e até Ralf Schumacher, seu tio, fez críticas públicas ao piloto. Havia quem já o colocasse fora da Haas em 2023.

Mas o tempo, ativo tão necessário quanto escasso para jovens pilotos, mostrou que Schumacher tinha mais a entregar. Foi só em Baku, oitava etapa do ano, que Schumacher começou a construir a confiança que precisava. O resultado não chama a atenção (largou em 20º, terminou em 14º), mas a corrida foi decisiva para sua evolução: “Foi lá que eu encontrei o melhor acerto e entendi melhor como fazer os pneus funcionarem e durarem”, contou à imprensa alemã.

Na etapa seguinte, no Canadá, ele chegou ao Q3 em classificação realizada sob chuva e poderia sonhar com pontos, mas sofreu uma quebra de motor e precisou abandonar. Foi só em Silverstone que, finalmente, chegaram os primeiros pontos. Largando em uma distante 19ª posição, o alemão se recuperou e terminou em 8º.

Guenther Steiner, chefe da Haas, havia falado ainda em maio sobre a seca de pontos de Schumacher: “Uma vez que ele faça os primeiros pontos, normalmente as coisas ficam mais fáceis porque você já superou o obstáculo. E isso motiva a ir atrás de coisas melhores.” E não poderia estar mais certo.

Na Áustria, outras boas atuações. Na corrida sprint, Mick chegou muito perto do 8º lugar, mas acabou sendo superado no fim e ficou em 9º, o primeiro a não pontuar. Na corrida principal, fez sua grande atuação até o momento e terminou em uma ótima 6ª posição, à frente de Magnussen, e recebeu o prêmio de piloto do dia.

Pois agora, na metade de temporada de 2022, podemos dizer que Mick Schumacher chegou de vez à Fórmula 1. Afinal, qual Mick vai ser o definitivo? O discreto de 2021, o instável do começo de 2022 ou o rápido e constante desse segundo terço da temporada?

Bom, esse filme não é novidade na carreira do piloto. E o histórico joga a favor.

Em Silverstone, Schumacher encarou dura defesa por parte do campeão Max Verstappen
Em Silverstone, Schumacher encarou dura defesa por parte do campeão Max Verstappen
Foto: Haas F1 Team / Twitter

Roteiro que se repete
Pilotos que chegam a novas categorias e se impõem logo de início sempre são alvo de grande atenção do público. Chegar e assumir o protagonismo nunca é fácil, e é, certamente, uma característica inerente a grande piloto.

Para ficarmos apenas em alguns jovens promissores da F1 atual, Charles Leclerc conseguiu títulos logo de cara na GP3 (atual F3) e na F2. George Russell chegou perto do título na F3 e venceu a F2, enquanto Lando Norris foi campeão na F3 e perdeu a F2 justamente para Russell. Oscar Piastri, cotado por diversas equipes para o ano que vem, também conquistou F3 e F2 em sequência. Sem dúvidas, são feitos impressionantes.

Mas há pilotos cujo desenvolvimento caminha em um ritmo um pouco mais lento, em que a confiança é construída aos poucos e, quando estabelecida, pode fazê-los tão rápidos quanto os fenômenos de primeira temporada. Mick Schumacher é um desses casos. Como Leclerc e Piastri, ele também “gabaritou” a base, com títulos tanto da F3 quanto da F2. Mas, ao contrário dos dois, o fez em sua segunda temporada em cada categoria.

Na corrida sprint da Áustria, Mick precisou segurar ninguém menos que Lewis Hamilton
Na corrida sprint da Áustria, Mick precisou segurar ninguém menos que Lewis Hamilton
Foto: Haas F1 Team / Twitter

Coincidentemente, Mick ficou em um discreto 12º lugar tanto em sua primeira temporada na F3 quanto em sua estreia na F2. Nas campanhas dos títulos nas duas categorias, teve um começo de campeonato irregular e só se consolidou e emendou bons resultados na segunda metade do ano.

Nota-se um padrão: primeiro ano apagado, começo de segundo ano irregular e, daí em diante, já sabendo onde pisa, os bons resultados aparecem. Guardadas as devidas proporções pelo que o carro permite, o mesmo padrão observado nas principais categoria de base parece se repetir na trajetória de Mick na F1.

A consolidação que o piloto começa a mostrar é ótimo sinal para a Haas, que pode contar com dois carros na briga acirrada do pelotão intermediário. Com seus 8 pontos, Mick já superou Yuki Tsunoda na tabela e ajudou a Haas a ultrapassar a AlphaTauri para ser 7ª entre os construtores.

E os bons resultados de Mick também deixam a Ferrari feliz, afinal, a equipe espera poder contar com o piloto no futuro. Ele faz parte da academia da Scuderia e está na Haas justamente por um acerto costurado pela Ferrari, que pretende dar rodagem ao pupilo.

Mick Schumacher apresentou seu cartão de visitas à F1 - o mesmo cartão de visitas tardio que culminou em títulos na F3 e na F2. Impossível saber até onde ele conseguirá chegar na Fórmula 1, mas uma coisa é certa: somente a partir de agora veremos o verdadeiro potencial do jovem alemão.

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