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A Mercedes F1 não está de braços cruzados

Embora os últimos resultados não traduzam o esforço feito, os dominadores querem sim manter o comando

18 out 2021 07h40
| atualizado às 09h02
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A Mercedes segue atenta aos movimentos da concorrência
A Mercedes segue atenta aos movimentos da concorrência
Foto: Sebastian Kawka / Mercedes AMG F1

Estamos assistindo a um dos melhores campeonatos dos últimos anos e, além de termos uma briga entre pilotos, dois times de alto nível se digladiam: os atuais dominadores de tudo, a Mercedes, contra a ex-dominadora: a Red Bull (sim! Não podemos esquecer que os taurinos levaram 4 campeonatos em sequência...)

Mesmo com a implantação do teto orçamentário e  da restrição do uso de ferramentas para desenvolvimento, os dois times vão para o confronto direto. A Red Bull vem numa linha de trazer novidades quase a cada corrida. Já a Mercedes, vai em uma abordagem mais cautelosa, porém não menos desafiadora...

Desde o início, o time comandado por Toto Wolff se viu bem afetado pela mudança regulamentar de perda de carga aerodinâmica, especialmente na área traseira. A Mercedes não tinha como mudar a filosofia do seu carro até mesmo por força das regras. Usar um carro com uma traseira mais inclinada, como a Red Bull, estava fora de cogitação. 

A base era boa, do dominador W11. Mesmo com os resultados da pré-temporada, o time montou uma linha de trabalhar mais no modelo 2022 e redobrar as atenções no motor. Já no início do ano, algumas alterações foram feitas para dar mais estabilidade ao trem traseiro.

A Red Bull mostrou sua força, em conjunto com a Honda. E Max Verstappen era quem seria o principal desafiante a Lewis Hamilton. Os taurinos optaram por manter uma linha de desenvolvimento contínuo e os japoneses aceleraram o trabalho na Unidade de Potência. Os resultados obtidos na França acenderam o sinal amarelo em Brackley.

Mesmo assim, não se afastou do seu objetivo. Com sangue frio, trouxe uma série de mudanças sutis na aerodinâmica. Em especial, o time trabalhou nas aletas laterais (bargeboards) e na parte final do assoalho, com a revisão de desviadores de fluxo e uma ligeira curvatura. Isso ajudou a aumentar um pouco a carga perdida e dar um pouco mais de opções de acerto, especialmente na gestão de pneus.

Em paralelo, a introdução de nova especificação de motores trouxe a possibilidade de usar mapas de potência mais elevados. Como até escrevemos aqui, a Red Bull até chegou a questionar a FIA sobre a legalidade da UP alemã quanto a temperatura do ar que entrava. A mexida na UP trouxe ganhos maiores, pois permitiu que o W12 usasse aerofólios com mais carga aerodinâmica, sem perder velocidade.

Não deixa de ser arriscado, dado que a Red Bull e a Honda também se vêem pressionadas na questão do uso da UP e também pagaram punições. A Mercedes optou por trocar somente a parte de combustão de Hamilton na Turquia e se questiona se trocará mais unidades. Como a história se repete, lembra muito a situação da McLaren com a mesma Honda em 90/91, quando teve que se garantir na força do motor para compensar um chassi não tão eficiente.

Porém, não podemos ignorar que a Red Bull teve golpes de sorte nas últimas provas e isso ajudou a tirar o foco da melhoria de desempenho do W12. Faltando 6 provas para o final da temporada, o jogo está ainda em aberto. Como fã da categoria, não veria com maus olhos se Max Verstappen conquistar o título este ano. Mas em uma conversa com a colega de site, Alessandra Alves, fiz uma ponderação com a qual divido com vocês...

Embora Verstappen esteja pilotando em alto nível e Red Bull e Honda estejam entregando um bom equipamento, ainda acredito mais em Hamilton e Mercedes. Ambos estão sendo provocados de uma forma que não haviam sido por um bom tempo e a força do conjunto pode falar mais alto no momento onde detalhes podem fazer toda a diferença. Ok, a Mercedes já deu mostras que pode falhar. Mas repito algo que escrevi antes: a Red Bull pode ter o melhor carro, mas a Mercedes tem o melhor conjunto.

Agora, a bola está com Verstappen e a Red Bull. Mas tudo pode se movimentar a qualquer momento. O fato é: a Mercedes não assiste de braços cruzados a esta tentativa de golpe. Ótimo para o campeonato e para a F1.

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