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3 fatos para entender a guerra Hamilton-Verstappen na F1

Disputa eletrizante entre Hamilton e Verstappen fez Twitter bombar, despertou o racismo e mexeu com os construtores

19 jul 2021 19h28
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A comemoração de Hamilton.
A comemoração de Hamilton.
Foto: F1 / Twitter

Max Verstappen e Lewis Hamilton tiveram uma batalha épica em Silverstone. A parte final durou apenas duas retas e meia, tendo seu desfecho na velocíssima curva Copse, onde Max Verstappen escapou da pista e bateu contra a proteção de pneus num impacto de 51G de desaceleração. A nova guerra da F1 estava declarada, mas teve alguns antecedentes.

Para entender a guerra entre Hamilton e Verstappen, não basta saber o que aconteceu na primeira volta do GP da Grã-Bretanha, mas comecemos por ela. Ela foi o fato que deflagrou não apenas a guerra aberta entre os pilotos, mas também  manifestações racistas contra o piloto inglês e o rompimento entre eles. Max deixou de seguir Lewis nas redes sociais. Veja a seguir os 3 fatos da guerra.  

Fato 1: quem teve a culpa?
Max largou na pole (o que irritou Lewis) e teve que ir ao limite para não perder a liderança já na curva Abbey (1). Os dois carros (Red Bull RB16B e Mercedes W12) mantiveram a disputa quente na Village (3), na The Loop (4), na Aintree (5), disputando cada centímetro da velha pista inglesa, rasgaram a reta que fica atrás do paddock com a faca entre os dentes, fizeram o S da Brooklands (6) e da Luffield (7) fora do traçado ideal, contornaram a Woodcote (8) com o pé embaixo, cruzaram a antiga linha de chegada e, na freada da Copse (curva 9), a quase 300 km/h, se enroscaram. Verstappen se espatifou na barreira de pneus, Hamilton ficou na pista, mas foi ultrapassado por Charles Leclerc, da Ferrari.

Por causa dessa manobra, Hamilton foi punido em 10 segundos. Verstappen manteve a liderança do campeonato, mas a folga de pontos não existe mais. O mundo se dividiu como na guerra fria. A Red Bull ficou irritada. “Era perigoso, parecia fruto do desespero”, acusou Christian Horner, chefe da Red Bull. "Colocar uma roda dentro de uma curva como a Copse ... isso simplesmente não é feito. Lewis tem experiência mais do que suficiente para saber que isso é inaceitável."

“Nenhum dos dois pilotos quis ceder e nenhum cedeu espaço ao outro. O tango se dança aos pares”, disse Toto Wolff, chefe da Mercedes, em tom irônico, dividindo as responsabilidades.

Lewis Hamilton também se manifestou, já na entrevista para a televisão da F1: “Max é muito agressivo, eu sei. Hoje estive ao lado dele e ele não me deixou espaço. As regras dizem que quando o nariz do seu carro está na altura da roda traseira do carro da frente, a curva é dele; sim, por outro lado, se você está no mesmo nível, a curva é sua. Eu estava no mesmo nível. A curva era minha. Não sinto hostilidade, mas ele deve saber que se todos levantam o pé quando lutam contra Verstappen, não eu. Estou aqui para lutar e não desisto tão facilmente".

Fato 2: pós-corrida, a guerra continua
Lewis Hamilton contou com sua costumeira “sorte” de heptacampeão para vencer seu 99º grande prêmio na Fórmula 1. Charles Leclerc liderou 49 das 52 voltas do GP da Inglaterra. Hamilton foi favorecido por poder escolher o momento da penalização de 10 segundos e teve a ajuda de Valtteri Bottas. Fez questão de ganhar. E de ultrapassar Leclerc quase no mesmo ponto onde ocorreu o acidente com Verstappen, porém o ferrarista não se defendeu.

 

Lewis não apenas ganhou. Fez questão de comemorar muito. Passeou com o carro nas áreas de escape para ficar mais perto do público, carregou uma bandeira da Grã-Bretanha como fazia Ayrton Senna com a bandeira do Brasil e ainda foi até o público depois de sair do carro. Em um hospital de Londres, onde passou por exames por causa da desaceleração de 51G na hora do impacto, Verstappen não gostou do que viu.

Max escreveu em seu Instagram: “Em primeiro lugar: estou feliz por estar bem. Foi um grande impacto em 51G, mas me sentindo melhor. Obviamente, muito desapontado por ter sido eliminado assim. A penalidade dada não nos ajuda de forma alguma e não faz justiça ao movimento perigoso que Lewis fez no caminho certo. Assistir às comemorações depois da corrida ainda no hospital é um comportamento desrespeitoso e antidesportivo, mas seguimos em frente”. Em seguida, deixou de seguir Lewis (o que, nos tempos atuais, tem um significado forte).

Fato 3: pré-corrida, a pole “roubada”
Mesmo depois de levar um banho da Red Bull nas últimas corridas, a Mercedes não queria “perder tempo” com o carro deste ano. Mas Lewis Hamilton praticamente implorou para quem Toto Wolff e James Allison (engenheiro-chefe) fizessem algumas modificações no W12. O fluxo de ar sob o carro foi aprimorado para aumentar a força descendente,  permitindo a Lewis tirar um pouco de carga da asa traseira, para ganhar velocidade, sem perder muita aderência nas curvas de alta.

Lewis tinha espaço à direita.
Lewis tinha espaço à direita.
Foto: F1 / Twitter

Hamilton foi atendido, mas ficou com o compromisso moral de fazer sua parte. Fez a pole position para a corrida de classificação, com uma vantagem de apenas 75 milésimos de segundo. “O Império contra-ataca”, ironizou Toto Wolff, da Mercedes.

Mas, na largada da prova curta de 17 voltas, foi superado por Verstappen. Houve alguma disputa na primeira volta, mas o RB16B estava muito rápido e o W12 não conseguiu acompanhá-lo. Ocorreu então um fato inédito: ao vencer a corrida de classificação, Max “roubou” a 100ª pole position da carreira de Lewis. Do lado da Red Bull, o chefão Helmut Marko ironizou: “Saudações ao Império”.

A Mercedes foi mordida para a corrida de domingo. Hamilton sabia que na Batalha de Silverstone, era fundamental ficar na frente logo no início da corrida. Verstappen também. Por isso, ao chegarem a quase 300 km/h na Copse, Max por fora, Lewis por dentro, nenhum dos dois quis ceder. Hamilton jogou pesado e venceu. “Lewis, nunca desistimos. Nunca! Isso está vivo”, gritou Toto Wolff pelo rádio da Mercedes. “Com certeza, Toto, com certeza”, respondeu Lewis.

Max saindo do carro.
Max saindo do carro.
Foto: F1 / Twitter

A guerra continua no GP da Hungria, dia 1º de agosto. O mundo todo, dentro e fora da Fórmula 1, agora se pergunta: Hamilton e Verstappen chegarão ao nível de degradação social que chegaram Ayrton Senna e Alain Prost nos anos 80 e 90? O tempo dirá. Enquanto isso, o Twitter abriga a guerra virtual entre os fãs de Hamilton e Verstappen, bombando como se fosse a Terceira Guerra Mundial.

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