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Novo Audi Q3 anda menos, mas dá um salto em qualidade

Já testamos o novo Audi Q3 1.4 TFSI na versão Black. Preços começam em R$ 180 mil e vão até R$ 210 mil. Veja como anda o SUV alemão

7 fev 2020
00h01
atualizado às 12h28
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O Audi Q3 veio, viu e venceu. Porém, a primeira geração ficou defasada em alguns pontos e ele perdeu a liderança para o BMW X1. Mas o Q3 se renovou totalmente e está de volta para tentar recuperar o primeiro lugar. O carro da segunda geração é muito diferente. Ficou maior e mais assentado, portanto também mais espaçoso. Já testamos a versão Black, topo de linha, que custa R$ 209.990, em várias condições de estrada na região serrana de Campos do Jordão (SP). O percurso também incluiu longos trechos de autoestrada, de forma que foi possível sentir o novo Q3 em todas as condições, inclusive na terra e na chuva.

Maior e mais assentado, o Audi Q3 Black custa R$ 209.990.
Maior e mais assentado, o Audi Q3 Black custa R$ 209.990.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Além da versão Black, o novo Q3 está disponível nas versões Prestige (R$ 179.990) e Prestige Plus (R$ 189.990). O motor agora é somente a gasolina, 1.4 turbo de 150 cv de potência e 250 Nm de torque. O câmbio é automatizado de dupla embreagem com seis marchas, muito bom. Em seu retorno, o Audi Q3 chega importado de Gyor, na Hungria, portanto ainda não é flex. Mas a Audi tem objetivo de fabricá-lo no Brasil, por isso se decidiu pelo motor 1.4 e não pelo 1.5, que tem a mesma potência. 

O carro cresceu quase 10 cm no comprimento e quase 8 cm na distância entre-eixos, além de 2,5 cm na largura. Com isso, o espaço interno aumentou e o porta-malas ganhou 70 litros de capacidade, chegando a 530. Nas versões Black e Prestige Plus (intermediária), o Q3 agora traz o Virtual Cockpit, que dispõe de quadro de instrumentos totalmente digital em tela de 10,25”. A central multimídia MMI Plus também é nova, com tela tátil de 8,8”, totalmente integrada ao painel. Conectividade Android e Apple estão disponíveis desde a versão de entrada.

Na estrada, o novo Q3 mostrou ser um pouco mais lento do que o antigo, mas agradou.
Na estrada, o novo Q3 mostrou ser um pouco mais lento do que o antigo, mas agradou.
Foto: Audi / Divulgação

O novo Q3 não ficou apenas bonito. Ele também se mostrou um carro muito equilibrado na estrada. A posição de dirigir é excelente, com ajustes milimétricos do banco e ajustes de altura e profundidade do volante, que fica em posição bem vertical. O Q3 permite que o motorista dirija numa posição bem elevada ou mais afundado no cockpit. Na versão Black, o volante multifuncional é esportivo, com a base achatada. A configuração topo de linha também oferece piloto automático adaptativo opcional (R$ 8.000), facílimo de usar, o que aumenta a segurança. O carro pode ser personalizado com outros dois opcionais: luz ambiente (R$ 3.500) e acabamento em alcantara (R$ 4.000). Completo, o Audi Q3 Black custa R$ 225.490.

O interior foi totalmente modificado. A versão Black tem acabamento em alcantara.
O interior foi totalmente modificado. A versão Black tem acabamento em alcantara.
Foto: Audi / Divulgação

Apesar da agradável comodidade para o motorista, para o passageiro da frente e para quem vai atrás, o novo Q3 ainda perde em relação aos seus rivais quando o assunto é potência. Na mesma faixa de preços, o Q3 perde em potência para o Mercedes GLA (51 cv a mais por R$ 207 mil), para o BMW X1 (42 cv a mais por R$ 217 mil) e para o Volvo XC40 (102 cv a mais por R$ 204 mil). Ou seja: para o consumidor que olhar somente a potência bruta do motor, o Q3 está descartado. Na verdade, na aceleração de 0-100 km/h, o novo Q3 Black é meio segundo mais lento do que o Q3 Black da geração anterior.

Mas o Q3 é mais do que a potência do motor. Ele tem o motor mais eficiente, pois traz uma combinação de boa potência com o melhor consumo da categoria. Apesar de tomar um banho dos rivais na relação peso/potência (10,5 kg/cv contra 7,7 e 6,9 kg/cv dos demais) e perder até para o Q3 anterior (9,4 kg/cv), o novo Q3 conquista pelo conjunto da obra. Com o centro de gravidade mais baixo e também a menor altura mínima do solo (apenas 140 mm), o novo Audi Q3 é muito mais um crossover do que um SUV. E isso é bom para quem quer um carro bem equilibrado nas curvas. A suspensão é confortável, mas nem tanto que faça o carro rolar nas curvas -- pelo contrário, ele aderna pouco. Nas acelerações, o turbo lag (retardo na resposta) é perceptível, mas não incomoda, pois está dentro do aceitável para motores com apenas uma turbina.

A versão Black, topo de linha, tem rodas de liga leve de 19" pintadas em cinza.
A versão Black, topo de linha, tem rodas de liga leve de 19" pintadas em cinza.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O novo Q3 também dispõe de modos de condução, que podem ser acionados pelo Drive Select do console central. Não há muita diferença entre o modo Dinâmico e o modo normal, apesar de a direção ficar ligeiramente mais direta. O sistema não muda o ajuste da suspensão, mas muda um pouco os parâmetros do motor. O câmbio automático é muito bom, com trocas rápidas, sempre no tempo certo. Ele também oferece modo Sport, mas muda bem pouco o regime de giros (passa de 2.000 a 2.400 rpm, por exemplo, numa velocidade de cruzeiro a 85 km/h). As trocas manuais podem ser feitas pelas aletas atrás do volante (disponíveis nas três versões).

Durante o percurso, enfrentamos um trecho de terra, com dificuldade moderada. Como tem tração apenas nas rodas dianteiras e pneus largos, o Q3 Black sofreu um pouco em algumas arrancadas em subida, mesmo no modo Off Road (que funciona mais como uma marcha reduzida e reduz os movimentos laterais das rodas dianteiras). Para esses casos, a versão de entrada do Q3, com pneus mais finos e de perfil mais alto, é mais indicada. Por isso, também, a Audi planeja trazer em breve a versão 2.0, que é mais potente (211 ou 230 cv) e tem tração Quattro (integral).

AUDI Q3 BLACK 1.4 TFSI
Item Conceito

Nota

(0 a 5)

Desempenho Médio 2
Consumo Bom 3
Segurança Ótimo 5
Conectividade Bom 3
Conforto Muito bom 4
Pacote de Série Muito bom 4,5
Usabilidade Bom 3
Veredicto Bom 3,5

Como SUV compacto familiar, o novo Q3 agrada bastante. A versatilidade do bagageiro, que oferece a possibilidade de deixar o piso mais elevado, e o ajuste de distância do banco traseiro permitem aumentar bastante a capacidade do porta-malas. Ele já é grande com 530 litros (disparado o maior da categoria), mas pode chegar a 675 com o banco bem para a frente e com a mínima inclinação. Se o banco for rebatido, a capacidade sobe para 1.525 litros. Para além disso, ele possui o sistema hands free, que permite a abertura da tampa passando o pé por baixo do carro, e também regulando a altura máxima da abertura (importante em algumas garagens baixas).

Além de todas as mudanças visuais (grade octogonal do Audi Q8), faróis Full LED, lanternas de LED que invadem a tampa traseira e detalhes que realçam a musculatura do carro, o novo Q3 é bem prático. Na traseira existe saída do ar-condicionado e duas entradas USB (porém, do tipo mini, que nem todos usam), além de um bom porta-objetos nas laterais do banco. O teto solar elétrico panorâmico (opcional de R$ 8.000) também ajuda no bem-estar a bordo.

A traseira agora tem lanternas de LED duplas, invadindo a tampa do porta-malas.
A traseira agora tem lanternas de LED duplas, invadindo a tampa do porta-malas.
Foto: Audi / Divulgação

Apesar de não ter a mesma potência dos rivais X1, GLA e XC40, o Audi Q3 de 150 cv marca um bom recomeço da carreira do Q3 no mercado brasileiro. Para tomar a dianteira no segmento de SUVs compactos premium, porém, a Audi terá que passar a produzi-lo no Brasil. A empresa está em constante contato com o governo federal para esclarecer alguns pontos referentes ao programa Rota 2030. Por enquanto, o mais viável é trazer uma das versões 2.0 disponíveis na Alemanha. Considerando a concorrência, talvez seja melhor trazer a de 230 cv, apesar de a de 211 já representar um ganho de 61 cavalos em relação ao Q3 atual. O novo Audi Q3 começa a ser vendido nas concessionárias no dia 14 de fevereiro.

O que nós gostamos

  • Design arrojado e carroceria mais larga.
  • Eficiência do motor 1.4 TFSI.
  • Câmbio S tronic de dupla embreagem, com trocas rápidas e no tempo adequado.
  • O maior porta-malas da categoria.
  • Posição de dirigir, com bancos anatômicos e volante de ótima empunhadura.
  • Nova central multimídia MMI Plus.
  • Bancos traseiros corrediços.
  • Nos critérios do GUIA DO CARRO, embora tenha perdido 1 ponto em desempenho, ganhou 1,5 ponto em conectividade e pacote de série, melhorando a nota final.

O que pode melhorar

  • Potência do motor, que é baixa em relação aos rivais.
  • Relação peso/potência um pouco decepcionante, pois perde até para o Q3 da geração anterior.
  • Vão livre do solo, de apenas 140 mm, é muito pouco para um SUV.
  • Entradas USB somente no padrão mini pode exigir adaptadores.
  • Motor flex iria bem nesse carro.
Na estrada, o Q3 tem comportamento mais parecido com o de um carro comum.
Na estrada, o Q3 tem comportamento mais parecido com o de um carro comum.
Foto: Audi / Divulgação

Os números

  • Preço: R$ 209.990
  • Motor: 1.4 turbo 
  • Potência: 150 cv a 5.000 rpm
  • Torque: 250 Nm de 1.500 a 3.500 rpm
  • Câmbio: 6 marchas ATD
  • Comprimento: 4,484 m 
  • Largura: 1,849 m
  • Altura: 1,616 m 
  • Entre-eixos: 2,680 m
  • Peso: 1.580 kg 
  • Pneus: 235/50 R19
  • Porta-malas: 530 litros
  • Tanque: 58 litros
  • 0-100 km/h: 9s3 
  • Velocidade máxima: 207 km/h
  • Consumo cidade: 9,5 km/l
  • Consumo estrada: 10,8 km/l
  • Emissão de CO2: n/d

 

Guia do Carro
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