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Análise: dobradinha Fiat-Jeep torna FCA imbatível no Brasil

Com mais de 80 mil carros de vantagem, FCA é a montadora campeã de 2020. Sozinha, ela vende mais que GM e Honda juntas

8 dez 2020 06h00
| atualizado às 06h59
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Fiat Toro: ideia espetacular de picape cabine dupla com carroceria monobloco, motor a diesel e tração 4x4.
Fiat Toro: ideia espetacular de picape cabine dupla com carroceria monobloco, motor a diesel e tração 4x4.
Foto: FCA / Divulgação

A estratégia da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) parece ser a mais adequada para o mercado brasileiro no momento. A dobradinha Fiat-Jeep entra no último mês de 2020 com uma vantagem arrasadora sobre a segunda montadora do ranking, a GM (General Motors). Sozinha, a FCA (líder com 377 mil carros) vende mais do que a soma da GM (vice-líder com 296 mil) e da Honda (8ª colocada com 74 mil).

Presente no mercado desde 2015, esta é a quarta vez em seis anos que a FCA terminará o ano como maior montadora do país: 2015, 2016, 2019 e 2020. A GM foi campeã em 2017 e 2018. Nos quatro primeiros anos dessa disputa de gigantes, a GM e a FCA brigaram carro a carro. No ano passado, entretanto, a FCA foi campeã com 20,3 mil carros de diferença. E em 2020, contando as vendas até o final de novembro, a FCA já tem uma vantagem de 81,1 mil carros sobre a GM.

É muita coisa. E este desempenho espetacular da montadora mostra que, a curto prazo, a dobradinha Fiat-Jeep tornou a FCA imbatível no mercado brasileiro. Ao contrário da GM, que aposta todas as suas fichas numa única marca (Chevrolet), a FCA atua no mercado brasileiro com cinco marcas: Chrysler, Dodge, Fiat, Jeep e Ram. Entretanto, o grande volume está na Fiat e na Jeep.

Nos quatro anos em que a GM brigou de igual para igual com a FCA, vencendo-a no bicampeonato de 2017/2018, a montadora ítalo-americana não estava totalmente pronta. A marca Fiat -- que vinha dominando o mercado há vários anos -- foi praticamente esquecida, enquanto os esforços da FCA se concentraram em transformar a marca Jeep na líder absoluta do segmento de SUVs. 

Para isso, nem precisou de modelos antigos e que tinham carisma, como o Grand Cherokee, mas sim de uma nova dupla de SUVs produzida em Goiana (PE): Renegade e Compass. Somente este ano o Jeep Renegade enfrentou a concorrência direta das outras duas grandes montadoras do país: Volkswagen com o T-Cross e GM com o Chevrolet Tracker. O Jeep Compass só terá concorrentes de peso a partir de 2021 -- e mesmo assim sem motor a diesel.

O motor 2.0 turbo diesel de 170 cv, aliás, foi a grande aposta da FCA neste período. Ele não apenas manteve o Renegade e o Compass diferenciados neste segmento como permitiu que a Fiat descobrisse um novo filão com a picape Toro. A Fiat já era líder do segmento de picapes pequenas com a Strada e passou a ter um domínio absoluto quando introduziu a Toro com cabine dupla em carroceria monobloco, motor a diesel e tração 4x4.

Hoje a Fiat contabiliza 136 mil veículos vendidos no segmento de comerciais leves, contra 37 mil da Volkswagen e 29 mil da Chevrolet. Mesmo com a liderança da dupla Strada-Toro, a FCA investiu num produto totalmente inovador e apresentou no primeiro semestre a nova picape Strada, maior e com cabine dupla de verdade. O carro tocou no imaginário de muitos consumidores e roubou vendas até de modelos hatches.

TOP 3 MONTADORAS
MONTADORA CARRO DE
PASSEIO

COMERCIAL
LEVE

TOTAL ATÉ NOV.
FCA 240.997 136.534 377.531
GM 266.640 29.751 296.391
Volkswagen 252.656 37.378 290.034

Há uma falsa sensação no Brasil de que a GM é líder de mercado. Não é. Ela foi, em 2017 e 2018, mas atualmente está cada vez mais distanciada da FCA e tem a Volkswagen mordendo seus calcanhares. Isso ocorre porque a Fenabrave divulga de forma errada o ranking de marcas. Onde se lê GM deveria estar escrito Chevrolet. No ranking de marcas, aí sim, a Chevrolet é líder. E sustenta um brilhante tetracampeonato, podendo chegar ao penta este ano.

Quando a divisão do ranking é feita por marcas, a Chevrolet leva a vantagem de ser a “filha única” da GM neste momento. Nem sempre foi assim. A GM entrou no Brasil, em 1925, trazendo marcas como Buick, Oldsmobile, Oakland, Cadillac e Pontiac. Somente oito meses depois chegou a Chevrolet. Outro fator que leva muita gente a ver a GM como líder é o fato de o Chevrolet Onix ser pentacampeão nacional de vendas -- e já tem o hexa garantido em 2020. 

Ao contrário do que aparece nos relatórios da Fenabrave -- que deveriam ser atualizados -- não existe um “GM Onix” ou um “GM Tracker”. Seria o mesmo que dizer “FCA Renegade” ou “FCA Toro”. É um erro vergonhoso que já passou da hora de ser corrigido. Assim como no Brasil, no mercado mundial alguns fabricantes optam por concentrar esforços numa única marca. É por causa disso que a Volkswagen é a montadora número 1 (VW, Audi, Porsche, Seat etc.), mas a Toyota é a marca número 1.

Entretanto, mesmo tendo ficado em segundo plano nos três primeiros anos da FCA, a Fiat voltou a crescer como marca este ano e já se aproxima perigosamente das líderes Chevrolet e Volkswagen. Faltando um mês para encerrar 2020, apenas 14 mil carros separam as três marcas que lideram o ranking de vendas.

TOP 3 MARCAS
MARCA CARRO DE
PASSEIO
COMERCIAL
LEVE
TOTAL ATÉ NOV.
Chevrolet 266.640 29.751 296.391
Volkswagen 252.656 37.378 290.034
Fiat 145.561 136.531 282.092

É importante destacar que a Fiat cresceu sendo a única das três grandes marcas que não tem motor turbo. Portanto, modelos como Argo, Siena e Mobi perdem a guerra da eficiência para carros turbinados como Onix, Virtus e Up. Isso sem falar no Tracker, Nivus e T-Cross, pois a Fiat é a 3ª colocada sem ter um único SUV à venda, o que significa que ela não participa do segmento que mais cresce e que responde por 32% do mercado.

Em 2021 e 2022 a Fiat finalmente terá seus próprios SUVs. Da mesma forma, tanto os modelos da Fiat quanto os da Jeep poderão ser equipados com a nova família de motores turbo que serão fabricados em Betim (MG), 1.0 e 1.3, tornando seus carros mais competitivos. É nesse cenário que projetamos um período de liderança para a FCA no mercado brasileiro. Está claro quer a dobradinha Fiat-Jeep já virou um caso a ser estudado na indústria automobilística brasileira. Resta saber como a GM e a Volkswagen vão reagir para não permitir uma longa hegemonia por parte da FCA.

 

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