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Análise: Chevrolet Tracker brilha como personagem de Grease

Muito mais atrevido do que o SUV da antiga geração, novo Tracker Premier 1.2 Turbo é ousado como a Sandy reinventada de Olivia Newton-John

29 jun 2020
06h00
atualizado às 13h24
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Tracker Premier é mais completo, porém a versão LTZ tem melhor custo-benefício.
Tracker Premier é mais completo, porém a versão LTZ tem melhor custo-benefício.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Se o novo Chevrolet Tracker fosse um personagem do cinema, ele seria a Sandy de “Grease: nos tempos da brilhantina”. A personagem interpretada pela atriz Olivia Newton-John era uma australiana doce, certinha e comportada. A cara da antiga geração do Tracker. Não que o velho Tracker não fosse bom -- ele era. Mas, como a Sandy comportada, não surpreendia, não encantava. Mas o novo Tracker é o oposto disso. O novo Chevrolet Tracker é a Sandy audaciosa da parte final do filme, com um visual de arrasar, sexy, provocante.

Vestido de azul, como a Sandy apareceu de preto diante do Danny de John Travolta, o Chevrolet Tracker Premier 1.2 Turbo é a ousadia em forma de SUV. Seu design é impecável. Ficou tão bom quanto o Onix Plus e melhor do que o Onix hatch. O Tracker nem sequer tem os melhores atributos de SUV. É baixo, mais baixo do que outros “utilitários esportivos” do mercado, mas aí está sua diferença. O Tracker tem a alma de um SUV, mas sua dirigibilidade é mais próxima de um hatch. Para quem gosta de domar o carro, possuí-lo na estrada, tanto melhor quanto mais rente ao chão.

Chevrolet Tracker Premier 1.2 Turbo entrega o status que seu público busca.
Chevrolet Tracker Premier 1.2 Turbo entrega o status que seu público busca.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Esta nova geração do Tracker, que fez a antiga ser rapidamente esquecida, conquista inicialmente por suas curvas, suas linhas, seus vincos, suas protuberâncias, seu jogo de luzes e sombras na carroceria insinuante. Mas ele tem conteúdo. A começar pelo motor 1.2 turbo. Seus 133 cv não formam exatamente uma cavalaria de respeito, mas são suficientes para boas acelerações (0-100 km/h em 9,4 segundos) e mostra vigor nas retomadas de velocidade. O torque ajuda, pois seus 210 Nm estão disponíveis já a 2.000 rpm. Fizemos o teste -- e ele chega com grande vigor a 100, 120… 140 km/h… melhor parar por aqui.

Nova geração do Chevrolet Tracker é mais estradeira do que off-road.
Nova geração do Chevrolet Tracker é mais estradeira do que off-road.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O câmbio automático de seis marchas nos pareceu mais acertado do que no Onix Plus, pois não há titubeios nas respostas. O turbo enche rapidamente e o Tracker é capaz de proporcionar viagens bem rápidas. Melhor que isso: o SUV compacto na Chevrolet consegue entregar algum prazer ao dirigir, coisa rara no segmento. Sua relação peso/potência é de 9,4 kg/cv, suficiente para não fazer feio em ultrapassagens. A posição de dirigir é muito boa e o volante multifuncional tem excelente pegada. A sensação é mesmo de dominar o carro, que é mais atrevido, como a nova Sandy em comparação com a velha Sandy de “Grease”.

Interior do novo Tracker é muito bem resolvido, com instrumentos e multimídia eficientes.
Interior do novo Tracker é muito bem resolvido, com instrumentos e multimídia eficientes.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O Chevrolet Tracker seguramente não faria sucesso nos anos 1950. Porém, o carro é perfeito para o paradigma de 2020. Ele entrega status, segurança, conforto, conectividade, conveniência. O Tracker Premier é equipado com um motor turbo de apenas três cilindros, que não vibra! O ruído agudo do motor não incomoda como no Volkswagen T-Cross, por exemplo. A central multimídia MyLink é muito competente e o carro tem, entre outros atrativos, Wi-Fi a bordo. Os bancos são muito confortáveis também e o quadro de instrumentos é convencional -- ninguém tem saudade da mistura de digital com analógico do Tracker de alguns anos atrás.

Não é difícil se apaixonar pelo novo Tracker. Mas, calma lá porque ele não é perfeito. O material que reveste o painel, embora seja bonito, é todo de plástico. Há um certo exagero desse material para um carro que já deixou a casa dos R$ 100 mil na saudade (começou custando R$ 112 mil e hoje sai por R$ 116.490). É caro, mas quase todos os rivais diretos também são. O Tracker LTZ 1.2 Turbo, de R$ 103.890, parece ter melhor custo-benefício. Outra crítica cabível é a ausência de aletas no volante para trocas de marchas manuais. Pior: o Tracker Premier não permite sequer antecipar uma marcha pela alavanca.

Elegância do design do novo Tracker pode ser observada de qualquer ângulo.
Elegância do design do novo Tracker pode ser observada de qualquer ângulo.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Bem, estamos falando da Sandy, uma jovem australiana que se adaptou à vida nos EUA. E o Tracker é assim: ele traz o paradigma dos carros norte-americanos, para os quais as trocas manuais em câmbios automáticos sequenciais são um custo dispensável. Pode ser, mas é um dos motivos para muitos consumidores abrirem mão dos demais encantos do carro, pois o pequeno botão na lateral esquerda da alavanca é quase uma provocação. Menos mal que o Tracker responde de forma competente quando o motorista finca o pé no pedal do acelerador para chamar potência.

Quanto aos freios, outros pecado do Tracker. Em frenagens de emergência acima de 100 km/h há um razoável desvio de trajetória para a esquerda. Vale lembrar que os freios traseiros são a tambor, outro detalhe incompatível com a categoria e o preço do carro. E olha que os pneus são largos! Nessa versão, com belas rodas de 17” diamantadas, os pneus têm medida 215/55. Para pisos molhados e asfaltos lisos, a escolha desses pneus é adequada. Porém, eles não dão conta de corrigir o ajuste muito duro da suspensão traseira. Cada “bump” passa de forma seca para o interior do carro e isso não é nada bom para quem anda em ruas esburacadas. É possível que o Tracker 1.2 de entrada (R$ 94.090) seja muito melhor para rodar, pois tem rodas de 16” e pneus de perfil mais alto, 215/60.

Para quem dirigiu os Chevrolet da era pré-Celta, que se destacavam pelo conforto e maciez ao rodar, o Tracker duro é um choque. O porta-malas tem apenas 393 litros, mas está dentro da proposta do carro. Afinal, SUV não é sinônimo de porta-malas grande. O Tracker compensa a capacidade limitada do bagageiro com bom espaço interno. Sem contar que seu equilíbrio entre desempenho e economia foi muito feliz. Não é demais lembrar que ele faz 13,7 km/l na estrada e 11,9 na cidade, o que lhe dá um alcance (com gasolina) de 603 km num percurso rodoviário e de 524 km no trânsito urbano.

Pesando prós e contras, o Chevrolet Tracker 1.2 Turbo é uma boa compra. Apesar de ter tímidos 15,7 cm de vão livre do solo e um ângulo de entrada de apenas 17 graus (prepare-se para raspar a frente do carro em algumas valetas), o Tracker tem personalidade, se é que automóvel pode ter algo próprio dos seres humanos. Bem, mas na verdade, estamos comparando o insinuante SUV da Chevrolet com a sexy Olivia Newton-John  da parte final de “Grease”. O Tracker não é do tempo da brilhantina, mas tem seu brilho próprio num mercado cada vez mais competitivo.

Item Nota Conceito
Motor  9 Ótimo 
Câmbio 7 Muito bom
Praticidade 8 Muito bom
Consumo  8 Muito bom
Dirigibilidade  8 Muito bom
Segurança 10 Ótimo 
Conforto 8 Muito bom
Porta-malas 5 Bom
Design 10 Ótimo 
Mercado 8 Muito bom
Média 7,3 Muito bom
Câmbio automático é bom, mas só permite trocas manuais por esse botão na alavanca.
Câmbio automático é bom, mas só permite trocas manuais por esse botão na alavanca.
Foto: GM / Divulgação

Os números

  • Preço: R$ 116.490
  • Motor: 1.2 turbo flex
  • Potência: 133 cv a 5.500 rpm (e)
  • Torque: 210 Nm a 2.000 rpm
  • Câmbio: 6 marchas AT
  • Tração: 4x2
  • Comprimento: 4,270 m
  • Largura: 1,791 m
  • Altura: 1,626 m
  • Entre-eixos: 2,570 m
  • Vão livre: 157 mm
  • Ângulo de entrada: 17 graus
  • Ângulo de saída: 28 graus
  • Peso: 1.2480 kg
  • Pneus: 215/55 R17
  • Porta-malas: 393 litros
  • Tanque: 44 litros
  • Velocidade máxima: 185 km/h
  • Consumo cidade: 11,2 km/l (g)
  • Consumo estrada: 13,5 km/l (g)
  • Emissão de CO2: 111 g/km
Tracker tem comportamento favorecido por ser mais assentado ao chão e pneus baixos.
Tracker tem comportamento favorecido por ser mais assentado ao chão e pneus baixos.
Foto: GM / Divulgação

 

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