Zelenski pede à ONU maior pressão econômica contra a Rússia
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente ucraniano Volodimir Zelenski pediu maior pressão econômica contra a Rússia para forçar negociações de paz, destacando o alto número de baixas do exército russo sob as ordens de Vladimir Putin. Em resposta, o chanceler russo Serguei Lavrov declarou que Moscou busca uma paz duradoura, e não uma pausa no conflito. No mesmo evento, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou os EUA de terrorismo e rejeitou as recentes ameaças feitas por Donald Trump.
Líder ucraniano destaca perdas russas na guerra devido a "ordens insanas" de Putin e pede que líderes pressionem receitas de Moscou. Presidente do Irã acusa EUA de terrorismo e diz que seu país "não se ajoelhará".O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu, em seu discurso nesta quarta-feira (23/09) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que as nações aliadas continuem a sufocar a economia da Rússia, para levar o Kremlin de volta à mesa de negociações.
Ele começou sua fala com um aceno a seu anfitrião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Hoje de manhã, a caminho de Nova York, em algum lugar nos céus sobre o grande e belo Oceano Atlântico, li a publicação do presidente Trump na [rede social] Truth Social", disse Zelenski.
Ele relatou que Trump havia escrito que a Rússia perdeu o controle de sua indústria de diesel devido à guerra com a Ucrânia, situação que considerou vexatória para um membro do Conselho de Segurança da ONU que se orgulha de sua indústria petrolífera.
"E isso é verdade: a Rússia cometeu um erro grave", disse o líder ucraniano. "E a conclusão da postagem também está correta: esta guerra ridícula e interminável com a Ucrânia precisa acabar. Não conheço um único líder mundial que diria o contrário. Não conheço ninguém que seja abertamente a favor desta guerra: exceto um homem."
Ele disse que os russos vêm tentando cumprir o que chamou de "ordens insanas" do presidente Vladimir Putin para tomar o leste da Ucrânia há mais de quatro anos.
"Eles continuam indo para lá para morrer"
Segundo Zelenski, apenas entre janeiro e agosto deste ano, o Exército russo perdeu 248.964 pessoas no campo de batalha na Ucrânia. Ele explicou que esse número se refere a baixas militares, ou seja, soldados "mortos e gravemente feridos", e acrescentou: "temos confirmação em vídeo de cada uma dessas perdas". "É loucura, mas eles continuam indo para lá para morrer, porque é isso que Putin quer", disse.
O ucraniano disse que a Rússia conseguiu capturar apenas "cerca de mil quilômetros quadrados de nosso território este ano", acrescentando que "já libertamos uma parte significativa disso". Ele comparou esse número à vasta extensão do próprio território russo, que abrange cerca de 17 milhões de quilômetros quadrados.
Zelenski instou os líderes mundiais a continuarem sufocando as receitas da Rússia e a dificultarem seus esforços de guerra. Ele afirmou aos membros da Assembleia Geral da ONU que "as receitas da Rússia devem continuar sendo um alvo".
"Quando alguém fornece mais dinheiro à Rússia por meio do comércio, dá mais tempo a esta guerra. E é exatamente por isso que insistimos em limitar o comércio com o agressor, e por que nós mesmos estamos reduzindo as receitas da Rússia", disse o líder ucraniano.
Putin, o "paciente zero" da guerra
Zelenski afirmou que Putin nunca pareceu satisfeito com suas ambições territoriais e argumentou que esse padrão se aplica além da Ucrânia. Ele disse que muitos ao redor do mundo - no sul do Cáucaso, na Síria e por toda a África - "também sabem muito bem quem são os assassinos russos".
"Depois de tudo isso, vocês conseguem imaginar [Putin] sem guerra?", perguntou. "Ele é o paciente zero, aquele a partir de quem essa ideia de guerra continua se espalhando. E, onde quer que ela se espalhe, traz apenas dor, instabilidade, novos riscos e, claro, novas crises."
A Rússia terá sua vez de se dirigir à Assembleia Geral no próximo sábado. Putin não viaja para o evento há anos, enviando em seu lugar o ministro do Exterior, Serguei Lavrov. O líder russo é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira, Lavrov disse que a Rússia está preparada para negociar uma paz duradoura, mas não vai simplesmente "pausar" a guerra. Ele argumentou que isso daria tempo à Ucrânia e aos seus apoiadores para obterem mais armas.
A Rússia invadiu a Ucrânia há mais de quatro anos e meio. Analistas ocidentais estimam que mais de 500 mil soldados russos foram mortos e que a Ucrânia registrou mais de 500 mil baixas militares, incluindo até 140 mil mortes. Nenhum dos países divulga seus próprios totais de baixas.
Líder iraniano acusa EUA de terrorismo
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um discurso desafiador nesta quarta-feira nas Nações Unidas, classificando como "covardes" os ataques dos EUA a seu país.
Pezeshkian exibiu imagens do falecido Líder Supremo Ali Khamenei e de mais de 150 crianças mortas nos primeiros dias do conflito, e afirmou que o povo iraniano foi "vítima de terrorismo" por parte dos Estados Unidos.
"Nós apenas nos defendemos. Não somos terroristas", disse. "Nosso povo inocente foi alvo de ataques covardes e agressões impostas ao nosso país." "Sim, eles nos atingiram, mas não nos ajoelhamos."
No dia anterior, Trump, no mesmo palco, sugeriu que poderia "aniquilar" a República Islâmica caso não se chegasse logo a um acordo para encerrar a guerra, que já dura quase sete meses.
Horas mais tarde, ele falou de "uma reunião muito boa" entre seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, e autoridades iranianas. Teerã, no entanto, minimizou as conversas. O porta-voz do Ministério iraniano do Exterior, Esmail Baghaei, disse que elas "não eram novidade".
Nesta quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres que Trump permanecia aberto a um acordo "que permita ao Irã ser o que deveria ser: um país grande e próspero".
rc (AP, DPA, DW)
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