Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Voluntários retiraram 100.000 ouriços-do-mar na Noruega e conseguiram restaurar as florestas de algas

Voluntários retiram 100 mil ouriços-do-mar de três áreas na Noruega e ajudam algas e kelps a voltar a trechos costeiros que estavam praticamente vazios.

16 set 2026 - 08h24
(atualizado às 08h27)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
No norte da Noruega, quase 500 voluntários retiraram manualmente cerca de 100 mil ouriços-do-mar em três áreas costeiras para restaurar florestas de algas degradadas pelo excesso desses animais. Coordenada pela Rissa Citizen Science entre 2024 e 2026, a iniciativa reduziu a pressão sobre a vegetação marinha, permitindo a rápida regeneração de algas essenciais para a biodiversidade local. A ação comprova a eficácia de intervenções focadas na recuperação de ecossistemas marinhos desequilibrados.

No norte da Noruega, quase 500 voluntários participaram de uma operação incomum: retirar manualmente enormes quantidades de ouriços-do-mar de áreas costeiras onde as florestas de algas haviam praticamente desaparecido. Entre abril de 2024 e maio de 2026, o grupo removeu perto de 100.000 animais em três pontos diferentes. Depois da redução dessa pressão de pastagem, as algas começaram a voltar, e um trecho de aproximadamente 200 metros chegou a ser completamente recolonizado.

Essas florestas submarinas funcionam como habitat para peixes e inúmeros pequenos organismos
Essas florestas submarinas funcionam como habitat para peixes e inúmeros pequenos organismos
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Por que tantos ouriços estavam sendo retirados?

Ouriços-do-mar fazem parte naturalmente desses ecossistemas e se alimentam de algas. O problema aparece quando sua população cresce a ponto de impedir a regeneração da vegetação. Em várias regiões do norte da Noruega, esse processo criou os chamados "desertos de ouriços", áreas rochosas quase sem algas e com biodiversidade muito menor.

A ideia do projeto não era eliminar os ouriços do litoral norueguês, mas reduzir sua densidade em áreas específicas até que as algas tivessem chance de se recuperar.

Como quase 500 pessoas conseguiram retirar 100.000 animais?

A iniciativa foi coordenada pela Rissa Citizen Science e reuniu mergulhadores, praticantes de snorkel e voluntários em terra. Ao longo de 23 eventos, o grupo trabalhou em Sørsjetéen, Telegrafbukta e Øksfjord, acumulando mais de 20.000 minutos de atividade debaixo d'água.

  • quase 500 voluntários participaram;
  • 23 eventos de restauração foram realizados;
  • aproximadamente 100.000 ouriços foram removidos;
  • três áreas costeiras foram tratadas;
  • o trabalho ocorreu entre abril de 2024 e maio de 2026.

O que aconteceu depois que os ouriços foram retirados?

A resposta começou a aparecer rapidamente. Em Sørsjetéen, algas e kelps voltaram a ocupar todo um quebra-mar de aproximadamente 200 metros. A área entrou depois numa fase de manutenção, justamente para permitir que a vegetação amadureça sem que a população de ouriços volte a crescer demais.

Em Telegrafbukta, cerca de um terço de uma área de aproximadamente 2.000 metros quadrados já havia sido restaurado até o relatório mais recente. Em Øksfjord, voluntários trabalharam em cerca de 150 metros de costa e encontraram, meses depois, rochas antes nuas cobertas por algas e com jovens kelps reaparecendo.

Por que as florestas de kelp são tão importantes?

Essas florestas submarinas funcionam como habitat para peixes e inúmeros pequenos organismos. Também ajudam a capturar carbono, reciclar nutrientes e aumentar a produtividade dos ecossistemas costeiros.

Quando desaparecem, não se perde apenas a planta. Some também parte da estrutura física usada por várias espécies para se alimentar, crescer e se proteger.

Então o problema eram apenas os ouriços?

Não. Os próprios responsáveis pelo projeto destacam que ouriços e kelps coexistiram durante muito tempo. O desequilíbrio começou quando mudanças no ecossistema, incluindo a redução de predadores naturais por sobrepesca, permitiram que os ouriços aumentassem e mantivessem extensas áreas sem vegetação.

Por isso, retirar ouriços é uma ferramenta de restauração local, não uma explicação completa para o colapso das florestas de algas.

Essas florestas submarinas funcionam como habitat para peixes e inúmeros pequenos organismos
Essas florestas submarinas funcionam como habitat para peixes e inúmeros pequenos organismos
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

A técnica já funcionou em outras partes da Noruega?

Sim. Em Porsangerfjorden, pesquisadores realizaram em 2013 uma intervenção de grande escala em cerca de 70 hectares, eliminando aproximadamente 21 milhões de ouriços com cal virgem. As algas voltaram dentro de um ano, e quase uma década depois a recuperação ainda se mantinha, com milhões de plantas e grande quantidade de pequenos animais associados ao kelp.

Esse resultado reforça a ideia de que, quando a pressão de pastagem é reduzida suficientemente, algumas áreas conseguem se regenerar com bastante rapidez.

Os 100.000 ouriços restauraram toda a costa?

Não. O resultado é importante, mas localizado. As três áreas representam demonstrações de que o método pode funcionar quando há monitoramento e manutenção. A escala do problema no norte da Noruega é muito maior, e projetos paralelos já estudam maneiras de ampliar a remoção e até dar uso comercial aos ouriços retirados.

O mais impressionante não é apenas o número de ouriços retirados, mas o que aconteceu depois. Onde antes havia rochas praticamente nuas, algas voltaram a crescer e habitats para peixes começaram a reaparecer. A experiência mostra que, em alguns ecossistemas degradados, reduzir uma pressão específica pode ser suficiente para que a natureza faça boa parte do restante do trabalho.

Catraca Livre
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra