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Vilarejo inglês declara "independência" do Reino Unido

17 set 2026 - 19h02
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Resumo
Moradores do vilarejo inglês de Piddington aprovaram simbolicamente sua secessão do Reino Unido, autoproclamando o local como um principado. Com quase 92% de participação, a votação não vinculativa foi um protesto contra os planos do governo de instalar um centro para mais de 1.200 requerentes de asilo em uma base vizinha. A comunidade alega preocupações com segurança e desvalorização imobiliária, enquanto autoridades afirmam que a decisão final sobre o projeto ainda não foi tomada.

Município com cerca de 350 habitantes se autoproclama "principado" após votação simbólica, em protesto contra planos do governo de abrir um centro de acolhimento a migrantes nas proximidades.Um pequeno vilarejo na Inglaterra votou pela secessão do Reino Unido em um protesto simbólico contra os planos do governo de abrigar 1.256 requerentes de asilo em uma base militar nas proximidades.

"Enviamos uma mensagem poderosa, não apenas para a região e o país, mas para o mundo inteiro"
"Enviamos uma mensagem poderosa, não apenas para a região e o país, mas para o mundo inteiro"
Foto: DW / Deutsche Welle

Os moradores de Piddington, um município com cerca de 350 habitantes, votaram esmagadoramente a favor da secessão em um referendo não vinculativo. Segundo o resultado, anunciado nesta quarta-feira (16/09), 285 eleitores votaram a favor da separação e 26 contra. A votação teve uma participação de quase 92%.

"Enviamos uma mensagem poderosa, não apenas para a região e o país, mas para o mundo inteiro", declarou o presidente do Conselho Paroquial local, Tim McNally. Ele afirmou que o vilarejo agora será conhecido como o "Principado de Piddington".

A votação foi convocada em oposição aos planos do governo de converter a antiga Base Aérea de Bicester - de propriedade do Ministério da Defesa e localizada a apenas 800 metros do vilarejo - em um centro de acolhimento para migrantes do sexo masculino. O governo assegura que a instalação foi "projetada para ser amplamente autossuficiente, a fim de minimizar qualquer impacto na comunidade local".

Crime, insegurança e desespero

Os moradores do vilarejo em Oxfordshire expressaram preocupação com a segurança, a criminalidade e o potencial impacto nos preços dos imóveis nessa região rica, localizada a 80 quilômetros a noroeste de Londres.

Os apoiadores da iniciativa saudaram a declaração de independência como uma vitória para o poder dos cidadãos e a democracia local. Os críticos, por outro lado, apontaram que a campanha teve um lado mais sombrio e fomentou o medo em relação aos migrantes.

Alguns defensores do referendo de Piddington compararam sua luta contra o centro de acolhimento a requerentes de asilo ao conflito do Reino Unido de 1940 contra a Alemanha nazista. Herbert Owen, um morador de 76 anos, declarou, após votar nesta terça-feira, que o referendo de independência "não se trata apenas de Piddington", mas "representa tudo pelo que nossos avós e pais lutaram".

Recado ao primeiro-ministro

Questionado sobre o resultado da votação, o primeiro-ministro Andy Burnham disse compreender a "intensidade dos sentimentos" em todo o país em relação à migração.

"É uma situação difícil e, obviamente, analisarei as questões levantadas pela comunidade e no referendo, mas precisamos garantir um plano justo e também reduzir os números - e os números estão caindo significativamente agora".

McNally, no entanto, se manteve irredutível.

"Quero apenas dizer algo a Andy Burnham - o primeiro-ministro deste país grandioso em que vivemos - ao presidente da Câmara dos Lordes, ao presidente da Câmara dos Comuns, a Kemi Badenoch [líder da oposição] e a todos os membros da oposição: este é um exemplo da democracia em ação", afirmou.

A secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, disse que o "referendo" não levaria o governo a mudar seus planos, mas que uma decisão final sobre o uso da antiga base militar ainda não foi tomada. O pedido de autorização junto ao Ministério do Interior ainda não foi aprovado, e uma consulta pública sobre a decisão estará em andamento até esta sexta-feira.

Carteiras de identidade

O vereador local de Piddington, Joe Marshall, sugeriu que o vilarejo poderia chegar ao ponto de eleger líderes para o novo "principado" e emitir carteiras de identidade, caso o governo não dialogue.

"A mudança do nome do vilarejo é uma das medidas. Provavelmente vamos eleger alguns líderes e fazer todo esse tipo de coisa para realmente reforçar a ideia", garantiu.

rc (AP, DPA)

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