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A nova ofensiva de Eduardo Bolsonaro em Washington por sanções contra autoridades brasileiras

Em meio à crise no Supremo e a 17 dias da eleição presidencial, ex-deputado teve encontros com integrantes do Departamento de Estado e da Casa Branca.

17 set 2026 - 18h34
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Resumo
Em Washington, Eduardo Bolsonaro e aliados articulam com o governo Trump a retomada e ampliação de sanções contra Alexandre de Moraes, estendendo-as a Gilmar Mendes e Flávio Dino. O grupo busca apoio americano alegando perseguição política e violação da liberdade de expressão, em meio à crise no STF sobre investigações ligadas ao Banco Master. Além de sugerir a possibilidade de os EUA não reconhecerem as eleições brasileiras, a comitiva também pautou o combate ao crime organizado no país.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro esteve em Washington para reuniões com integrantes da Casa Branca
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro esteve em Washington para reuniões com integrantes da Casa Branca
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A 17 dias da eleição presidencial brasileira de 4 de outubro, e em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro estão em Washington em uma investida para pedir que o governo americano imponha novas medidas contra ministros da Corte.

Nesta quarta (16/9) e quinta-feira (17/9), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro — filho do ex-presidente e irmão do senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) — e o empresário Paulo Figueiredo estiveram na capital americana para reuniões com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado, responsável pelas relações internacionais do país.

Esses encontros fazem parte de uma ofensiva para que o governo do presidente Donald Trump retome sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e também estenda as medidas aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Em julho do ano passado, Moraes foi alvo de sanções financeiras dos EUA com base na chamada Lei Global Magnitsky, que pune estrangeiros por graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção.

O ministro Moraes é alvo antigo de críticas por parte de alguns aliados de Trump, como o empresário Elon Musk, entre outros, que o acusam de censura e de cercear a liberdade de expressão, o que classificam como uma violação de direitos humanos. Sua mulher, Viviane Barci de Moraes, também foi alvo das sanções.

Em dezembro, após negociação entre Lula e Trump, Moraes e a esposa foram retirados da lista de sancionados.

Nas reuniões desta semana, Eduardo Bolsonaro discutiu com representantes do Departamento de Estado o julgamento no STF que analisa se Moraes deve ou não ser investigado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O ministro do STF André Mendonça pediu que o plenário da Corte decida se Moraes deve ser investigado.

A sessão, na terça-feira (15/9), foi marcada por divergências e troca de acusações entre os ministros e acabou sem definição sobre a abertura ou não de investigação, sendo suspensa após pedido de vista de Dino.

Interesse americano

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam em Washington um nova rodada de sanções contra Alexandre de Moraes (foto)
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam em Washington um nova rodada de sanções contra Alexandre de Moraes (foto)
Foto: Rosinei Coutinho/STF / BBC News Brasil

Em conversa com jornalistas em frente ao Departamento de Estado, antes de reunião nesta quinta-feira (17/9), Eduardo Bolsonaro não disse com que integrantes do órgão se encontraria, mas afirmou que iria "trazer a realidade" do que acontece no Brasil.

Sugeriu ainda que o STF poderia não reconhecer uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro - apesar de a Corte não ter emitido qualquer manifestação neste sentido.

"A gente viu [na sessão de terça], quando Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram criticar André Mendonça, eles falaram que aquilo era uma continuação do golpe", disse.

"Se eles entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras e também sancionar individualmente esses ministros."

O ex-deputado também indicou que se considera um "dissidente", ao comentar um documento do ano passado no qual o governo Trump pedia que as autoridades brasileiras permitissem a participação de "dissidentes políticos" nas eleições de 2026. O documento revelado nesta quinta pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Na época, em meio as negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil, o lado brasileiro rejeitou os termos, lembrando que não há dissidentes no país, que é uma democracia.

A passagem de Bolsonaro e Figueiredo por Washington ocorre em um momento em que os EUA monitoram a situação no Brasil e a crise no STF em meio às investigações sobre o Master.

Ambos têm interlocutores em uma ala do governo que é considerada por analistas mais ideológica e alinhada à direita e que disputa com outro grupo, mais pragmático, a atenção de Trump quando o tema é a relação com o Brasil.

Na terça-feira (15/9), mesmo dia da sessão do STF, o deputado republicano Chris Smith, de Nova Jersey, copresidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes, enviou carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que menciona a crise no STF e a relação entre Vorcaro e Moraes.

Smith pediu que a CIDH, que faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA), monitore essas questões e a situação brasileira e se manifeste sobre a liberdade de expressão no país.

No ano passado, Smith já havia defendido a aplicação das sanções contra Moraes sob a Lei Magnitsky.

Facções criminosas

Além da crise no STF, outro tema discutido por Bolsonaro com integrantes do governo Trump o combate ao crime organizado.

Na quarta-feira, o Departamento de Estado divulgou um relatório assinado por Trump no qual o governo brasileiro é acusado de "falhar" no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

O documento engloba o combate a cartéis de drogas no contexto global, e não é específico sobre o Brasil.

Em maio deste ano, apesar da oposição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA anunciaram que passariam a classificar o PCC e o CV como organizações terroristas.

A medida foi anunciada logo após visita a Washington de Flávio Bolsonaro, principal oponente de Lula na disputa presidencial.

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