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Ventos de até 125 km/h deixam mortos e feridos no Sudeste

30 jul 2026 - 05h41
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Rajadas provocaram cinco mortes e deixaram um desaparecido em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ventania causou apagões, interrompeu transportes e derrubou árvores em diversas cidades.Ventos fortes que atingiram o Sudeste do Brasil deixaram cinco mortos e um desaparecido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em algumas regiões, as rajadas chegaram a 124,9 km/h.

Embora o fenômeno seja diferente de um furacão, a intensidade dos ventos é comparável à observada nas categorias mais altas da Escala de Beaufort, que mede a força das rajadas.

Diversos municípios registraram quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e impactos nos sistemas de transporte. No Rio Grande do Sul, um tornado causou danos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, além de deixar quatro feridos. Em Santa Catarina, moradores de Garuva e Joinville relataram destelhamentos.

Rio de Janeiro: apagão e interrupção de trens e aeroportos

No Rio de Janeiro, duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central da capital. Um pescador segue desaparecido em Tarituba, distrito de Angra dos Reis, na Costa Verde.

Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), foram registradas 185 ocorrências relacionadas à ventania, entre elas 93 quedas de árvores, 31 salvamentos de pessoas e cinco desabamentos.

A Secretaria Estadual de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros informaram que atuam de forma integrada e instalaram um gabinete de crise.

O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta para os efeitos da aproximação de uma frente fria pelo oceano, válido até as 7h de quinta-feira. Com rajadas superiores a 100 km/h, a cidade entrou no Estágio 2 de alerta.

Diversos bairros da capital ficaram sem energia durante a tarde. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que houve desligamentos nas redes de transmissão e distribuição a partir das 15h57, afetando o Sistema Interligado Nacional (SIN) na área do Rio de Janeiro. Às 16h38, a Subestação Grajaú foi desligada. O fornecimento foi restabelecido às 17h35.

O Aeroporto Santos Dumont suspendeu as operações entre 16h52 e 18h56. Segundo a Infraero, a pista passou por vistoria e limpeza de detritos antes da retomada dos pousos e decolagens.

Nove voos foram desviados para outros aeroportos e sete decolagens acabaram canceladas. No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), quatro voos com destino ao terminal foram redirecionados.

De acordo com a SuperVia, concessionária que opera o sistema ferroviário da Região Metropolitana, a circulação dos trens foi interrompida para vistorias de segurança. Já o MetrôRio informou que as linhas 1, 2 e 4 tiveram a operação suspensa às 16h40. Passageiros relataram nas redes sociais que ficaram retidos dentro das composições. Horas depois, a concessionária anunciou a retomada gradual dos serviços.

"Na volta para casa hoje, evitem áreas abertas e marquises de prédios. Há registros de queda de árvores em todas as regiões da cidade. Semáforos e o trânsito foram impactados em diferentes pontos. Também há relatos de problemas no fornecimento de energia elétrica em todo o estado", escreveu o prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere.

Em São Paulo, ventos a 124,9 km/h

No estado de São Paulo, os ventos chegaram a 124,9 km/h e provocaram ao menos três mortes.

Segundo a Defesa Civil estadual, os óbitos foram registrados em Santos, onde um homem foi atingido por uma árvore; em Cesário Lange, onde uma árvore caiu sobre um carro; e em São Sebastião, onde o naufrágio de uma embarcação matou um pescador. Os detalhes sobre os incidentes ainda não foram divulgados.

No início da tarde, o órgão emitiu alerta severo para rajadas de vento na capital paulista, na Grande São Paulo e no litoral.

As maiores velocidades foram registradas em Itaporanga e Itaí (124,9 km/h), Taquarituba (117 km/h), Arandu (113,1 km/h), Paranapanema (113 km/h) e Itanhaém (111 km/h). Embora se tratem de fenômenos distintos, ciclones extratropicais também podem produzir rajadas acima de 103 km/h.

Em Santos, as rajadas chegaram a 83,7 km/h. Na capital paulista, as rajadas atingiram 75,3 km/h. Segundo o Corpo de Bombeiros, até as 17h21 haviam sido registradas 39 ocorrências de queda de árvores. O Porto de Santos ficou paralisado por quatro horas.

Como a ventania se formou

A ventania foi provocada pelo encontro de duas massas de ar: uma quente e seca e outra fria e úmida.

O ar mais frio e denso permaneceu próximo à superfície e avançou sob a massa de ar quente, criando um forte contraste de temperatura e umidade que favoreceu a formação dos ventos intensos.

"O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava em São Paulo e no Rio de Janeiro e o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar, causando ventos muito fortes", informou o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A velocidade de deslocamento da frente fria também contribuiu para a intensidade do fenômeno. Em Guarulhos, por exemplo, a temperatura chegou a 30°C por volta das 13h e caiu para 21°C uma hora depois, segundo o Climatempo.

O Cemaden classificou como alta a possibilidade de novos eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, especialmente nas regiões de Santa Cruz do Sul-Lajeado e Porto Alegre, devido à propagação da onda de cheia nas bacias dos rios Jacuí, Taquari, Caí e Sinos. O risco é de alagamentos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para ventos costeiros em todo o estado de São Paulo e para o litoral do Rio de Janeiro ao sul de Cabo Frio. O instituto prevê ventos intensos e movimentação de dunas sobre construções em áreas da orla.

O alerta laranja representa o segundo nível mais elevado entre os três graus de severidade adotados pelo Inmet: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo. O aviso permaneceu válido até o fim da noite desta quarta-feira. Segundo o Cemaden, no momento não há novos riscos associados a ventanias nos estados.

gq (Agência Brasil, OTS)

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