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Venda de acesso antecipado em rede social de Trump gera críticas nos EUA

17 jul 2026 - 16h41
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Truth Social, a rede social de Trump, lança serviço pago que dará acesso mais rápido a publicações. Críticos apontam risco de conflito de interesses, já que decisões do presidente são públicas e influenciam os mercados.A Trump Media & Technology Group (TMTG), empresa de mídia do presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (17/07) que planeja cobrar por um acesso especial e mais rápido às publicações da plataforma Truth Social, que pertence ao republicano.

Presidente americano é acusado de usar sua rede social para "vender" acesso a informações privilegiadas
Presidente americano é acusado de usar sua rede social para "vender" acesso a informações privilegiadas
Foto: DW / Deutsche Welle

O serviço chamado Truth PSI gerou críticas por permitir que empresas e instituições recebam antecipadamente publicações de alguns dos principais colaboradores da plataforma, entre eles o próprio presidente dos EUA, criando uma vantagem informacional que poderia resultar em ganhos com movimentos subsequentes em ações, títulos e taxas de juros.

A proposta segue ofertas semelhantes de acesso pago em plataformas rivais, embora com a diferença de que o usuário mais popular do Truth Social é o próprio presidente dos EUA, e é na plataforma que ele costuma publicar anúncios relevantes sobre temas como economia e segurança nacional que geram repercussões nos mercados globais. Como maior acionista da empresa de capital aberto da controladora, ele também lucraria diretamente.

A avaliação de críticos é que o Trump estaria, na prática, "vendendo" acesso privilegiado às suas decisões públicas. Negócios suspeitos pré-anúncios de Trump já geram controvérsia no país antes mesmo do lançamento do novo serviço.

"Ele está vendendo acesso acelerado e privilegiado a informações sobre o que está fazendo como presidente", disse Kathleen Clark, da Washington University School of Law e especialista em regras de conflito de interesses no governo. "É mais uma corrupção descarada, uma exploração inadequada do poder governamental para enriquecer a si próprio."

A empresa da família Trump se recusou a comentar se o novo recurso lucra com a presidência ou se as publicações de Trump entrarão na nova regra. Um comunicado informa que o serviço permitiria que operadores vissem "as contas mais bem classificadas do Truth Social" antes dos demais. O presidente tem o maior número de seguidores, 12,9 milhões. Em seguida, vem seu filho mais velho, Don Jr., e, logo atrás, o outro filho, Eric.

Truth Social vira canal "oficial"

Nos últimos meses, Trump anunciou decisões importantes e reflexões em sua plataforma, incluindo publicações sobre a guerra no Irã, ação na Venezuela, tarifas e a repressão do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em cidades americanas.

As publicações sobre o Irã, em particular, têm impacto porque os investidores temem que preços mais altos do petróleo continuem alimentando a inflação e possivelmente forcem o Federal Reserve a elevar as taxas de juros.

As ações da Trump Media & Technology caíram mais de 70% desde que o presidente assumiu o cargo, eliminando 6 bilhões de dólares (R$ 30 bilhões) em riqueza dos acionistas. Essas perdas, juntamente com bilhões adicionais em perdas de investidores ligadas aos novos negócios de criptomoedas da família Trump, atraíram atenção depois que a divulgação anual de seu patrimônio financeiro mostrou, ao contrário, uma receita de 1 bilhão de dólares (R$ 5 bilhões) no ano passado.

As leis de conflito de interesses proíbem funcionários do governo dos Estados Unidos de possuir uma empresa que lucre com seu cargo ao vender acesso às suas decisões por meio de publicações públicas, afirma Clark, da Washington University. Mas o presidente e o vice-presidente, observa ela, estão excluídos dessa disposição.

Apesar disso, todos os presidentes americanos, desde que a lei foi aprovada, há décadas, agiram como se ela se aplicasse a eles, vendendo ações individuais, desfazendo-se de participações empresariais ou colocando seus ativos financeiros em um "fundo cego", para que não soubessem o que estava sendo comprado e vendido em seu nome enquanto exerciam o poder. Trump, porém, se recusou a fazê-lo.

No comunicado, o CEO interino da TMTG, Kevin McGurn, descreveu a iniciativa Truth PSI como parte de uma "estratégia para monetizar ativos proprietários". Ele acrescentou que espera que ela se torne uma "fonte significativa e contínua de receita".

"Os mercados já se movem com base em publicações no Truth Social... À medida que a adoção cresce, esperamos que o Truth PSI se torne uma fonte significativa e contínua de receita para a companhia", afirmou.

"Até onde eu sei, a única pessoa que publica no Truth Social e realmente movimenta o mercado é o próprio Trump, e suas publicações definitivamente movem o mercado", disse Mark Spiegel, sócio-administrador e gestor de portfólio da Stanphyl Capital Partners.

A Trump Media informou que pretende iniciar o serviço no próximo mês e que já assinou contratos com clientes, mas não revelou os valores envolvidos.

gq/le (AP, Reuters)

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