Veja os limites de tela indicados por médicos para cada faixa etária
Médicos alertam que crescimento da estrutura ocular é afetado pelo excesso de visão de perto; confira os sinais que exigem atenção dos pais
A presença cada vez maior de celulares, tablets, computadores e televisores na rotina de crianças, adolescentes e adultos exige atenção aos possíveis impactos sobre a saúde ocular. O tempo prolongado diante desses dispositivos, especialmente sem pausas e associado à pouca permanência em ambientes externos, pode favorecer fadiga visual, desconforto e progressão da miopia. Diante desse cenário, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS) orientam a população sobre medidas capazes de reduzir os prejuízos à visão.
Na primeira infância, a exposição deve ser ainda mais restrita. Até os dois anos, a recomendação é evitar telas, com exceção de situações pontuais, como videochamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o limite indicado é de até uma hora por dia, sempre com supervisão. Dos seis aos 12 anos, o período total não deve ultrapassar duas horas diárias, considerando também as atividades escolares realizadas em dispositivos eletrônicos.
A partir dos 13 anos, embora não exista um número único aplicável a todos os adolescentes, o tempo diante dos aparelhos não pode comprometer necessidades essenciais, como sono adequado, prática de atividade física e convivência familiar e social. Nessa faixa etária, é importante preservar entre oito e dez horas de descanso por noite e dedicar, pelo menos, uma hora por dia à prática de exercícios, preferencialmente ao ar livre.
A permanência excessiva em tarefas que exigem visão de perto pode interferir no desenvolvimento ocular. O uso frequente e sem controle telas contribui para o aumento do comprimento do olho e pode acelerar a progressão da miopia, principalmente na infância, fase em que a estrutura ocular ainda está em crescimento.
Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para enxergar objetos distantes, aproximação demasiada de livros ou aparelhos, hábito de apertar os olhos para focalizar, queixas para visualizar o quadro na escola ou a televisão em casa e necessidade frequente de trocar os óculos. Nos casos de miopia, a visão de perto costuma permanecer preservada, o que pode retardar a identificação do problema pelos familiares.
Para reduzir o cansaço visual, uma das estratégias recomendadas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de atividade próxima, deve-se fazer uma pausa de 20 segundos e direcionar o olhar para um ponto situado a aproximadamente seis metros de distância. Também é importante manter distância adequada dos dispositivos e estimular brincadeiras e atividades físicas em ambientes externos.
As atividades ao ar livre são especialmente relevantes durante a infância. A exposição à luz natural, de maneira segura, está associada a menor risco de surgimento e progressão da miopia. Esse hábito deve ser combinado com a redução do tempo de visão próxima, pausas regulares e acompanhamento oftalmológico.
As entidades da saúde também esclarecem que, até o momento, as melhores evidências científicas não demonstram benefício consistente das lentes com filtro para luz azul na prevenção da fadiga ocular ou de danos à retina. Algumas pessoas podem relatar maior conforto durante o uso, mas não há comprovação suficiente para que esse recurso seja considerado indispensável ou substitua os cuidados relacionados aos hábitos visuais.
O acompanhamento oftalmológico deve começar no nascimento, com a realização do teste do olhinho. Uma avaliação completa é recomendada entre seis e 12 meses de vida, seguida por nova consulta entre três e cinco anos e antes do ingresso escolar, por volta dos seis ou sete anos. Quando não houver alterações, o acompanhamento poderá ocorrer a cada dois anos. Crianças com necessidade de óculos ou outras condições oftalmológicas devem seguir a periodicidade definida pelo médico.
A AMRIGS e a SORIGS orientam pais e responsáveis a observar mudanças no comportamento visual e no rendimento escolar de seus filhos. Diante de sintomas persistentes, dificuldade para enxergar, dores de cabeça recorrentes ou aproximação exagerada de objetos, é fundamental procurar avaliação com um médico oftalmologista. Para mais informações, a população pode buscar orientação junto às instituições e aos profissionais especializados.
*Com a informação AMRIGS/Assessoria
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