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Veja o que se sabe sobre proposta de cessar-fogo imediato que Irã e EUA rejeitaram

Plano conhecido como Acordo de Islamabad previa o fim temporário das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz

6 abr 2026 - 12h57
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O cenário geopolítico global enfrentou um novo revés nesta segunda-feira (6) com a decisão de Irã e Estados Unidos de não validarem, ao menos inicialmente, o plano de cessar-fogo mediado pelo Paquistão. A proposta, que visava estabelecer uma pausa imediata nos combates e abrir caminho para negociações diplomáticas, foi recebida com ceticismo pelas duas potências. De um lado, Teerã demonstrou preocupação com a natureza temporária da trégua, enquanto Washington, sob a gestão de Donald Trump, classificou o documento como apenas uma das diversas frentes de análise disponíveis no momento.

Destroços em Isfahan, no Irã, do que Teerã afirma serem de aeronaves militares dos EUA
Destroços em Isfahan, no Irã, do que Teerã afirma serem de aeronaves militares dos EUA
Foto: Divulgação/Guarda Revolucionária do Irã / Perfil Brasil

A negativa iraniana fundamenta-se na estratégia de buscar uma solução que encerre o conflito de forma definitiva, evitando brechas que permitam o rearmamento ou a reorganização de forças adversárias. Segundo a agência estatal Irna, o governo iraniano já protocolou uma contraproposta oficial, embora os detalhes dessa nova oferta ainda permaneçam sob sigilo diplomático. O momento é de extrema sensibilidade, visto que o Estreito de Ormuz, uma das veias mais importantes para o escoamento mundial de petróleo, permanece bloqueado há mais de um mês, pressionando a economia global e elevando os custos de energia em diversos continentes.

Impasses diplomáticos travam o Acordo de Islamabad

"Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei. A fala reflete a postura do regime em não aceitar interrupções que não garantam a segurança plena do território. A proposta paquistanesa, elaborada com o apoio direto de lideranças militares de Islamabad, previa uma abordagem dividida em duas fases distintas: a suspensão imediata dos ataques e, posteriormente, um período de até vinte dias para a conclusão de um acordo abrangente. Este acordo final deveria incluir compromissos iranianos sobre seu programa nuclear em troca do alívio de sanções econômicas severas.

No lado norte-americano, o governo de Donald Trump adotou uma postura cautelosa. Embora o presidente tenha manifestado otimismo anteriormente sobre a possibilidade de um entendimento rápido, a Casa Branca esclareceu que o plano paquistanês não foi validado. Fontes ligadas ao governo afirmaram que Trump considera que a proposta é "ajenas uma das opções avaliadas" no presente contexto. A complexidade aumenta ao considerar o papel de Israel na região, uma vez que o país mantém objetivos próprios e independentes de Washington no que tange ao regime de Teerã, o que torna qualquer memorando de entendimento eletrônico uma peça difícil de ser encaixada no tabuleiro.

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O papel do Estreito de Ormuz na economia global

A questão do Estreito de Ormuz surge como o principal ponto de fricção e, simultaneamente, de barganha. O plano sugerido pelo Paquistão vinculava o cessar-fogo à reabertura imediata da via marítima. Entretanto, autoridades iranianas de alto escalão foram enfáticas ao afirmar que o país não pretende liberar o tráfego de navios petroleiros sob uma condição de trégua meramente temporária. Além disso, reforçaram que o governo não se deixará pressionar por prazos impostos externamente para tomar decisões que afetem sua soberania nacional. O posicionamento trava o avanço de discussões que poderiam estabilizar o mercado de commodities nas próximas semanas.

"Todos os elementos precisam ser acordados hoje", disse uma fonte com conhecimento das negociações, destacando a urgência que o marechal de campo Asim Munir tentou imprimir ao processo. O chefe do exército paquistanês manteve contatos intensos durante toda a madrugada com figuras centrais da administração americana, incluindo o vice-presidente JD Vance e o enviado especial Steve Witkoff, além do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi. O esforço coordenado buscava evitar que a escalada de violência atingisse um ponto sem retorno, mas a falta de consenso sobre as garantias pós-conflito impediu a assinatura do memorando.

Perfil Brasil
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