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Ucrânia pressiona rotas logísticas das tropas russas

5 jun 2026 - 17h36
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Drones e armas de médio alcance põem em risco corredor estratégico russo na Ucrânia. Especialistas acreditam que avanço pega Moscou despreparada, mas ainda está longe de virar o jogo na guerra.As Forças Armadas da Ucrânia disputam o controle das principais rotas de abastecimento do exército russo nas áreas ocupadas do país. Segundo militares ucranianos, armas de médio alcance desenvolvidas recentemente já conseguem atingir linhas logísticas russas até mesmo no interior do país. Há relatos, por exemplo, de que drones ucranianos estariam realizando missões de reconhecimento e ataque na região de Mariupol.

Um veículo militar russo perto da cidade ucraniana ocupada de Melitopol
Um veículo militar russo perto da cidade ucraniana ocupada de Melitopol
Foto: DW / Deutsche Welle

Trechos do chamado "corredor terrestre" até a Crimeia, a cerca de 160 quilômetros da linha de frente, estariam na mira ucraniana. Como prova da ofensiva, o exército do país divulgou vídeos na internet que mostram veículos militares russos destruídos ao longo da estrada que liga os territórios ocupados no sul do continente à península da Crimeia.

"O maior sucesso de Moscou durante a sangrenta guerra iniciada em 2022 foi a criação de um corredor terrestre até a Crimeia. Mas agora está claro que se trata de uma conquista passageira. Na prática, drones ucranianos já sobrevoam o corredor, que civis já não podem mais usar. A Crimeia está se tornando, para a Rússia, um território ultramarino. Evidentemente, não vamos parar por aqui", publicou no Facebook Ihor Luzenko, soldado do Exército ucraniano e cofundador do Centro de Reconhecimento Aéreo.

Ponto de virada no conflito?

Um controle completo das rotas de abastecimento russas ainda é um cenário distante, pondera Mykola Bielieskov, do projeto ucraniano em apoio aos combatentes "Come Back Alive" e também conselheiro do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos. "Se houvesse controle total, as tropas russas no sul estariam em outra situação", disse à DW. Ele ressalta, porém, que a vulnerabilidade das forças russas vem aumentando.

Segundo Bielieskov, fotos e vídeos indicam que os ataques ucranianos em média distância se tornaram mais eficazes. "Os russos estão menos ativos, embora sua área de atuação seja grande e tenham ocorrido ataques intensos. Ainda não se pode falar em um ponto de virada. Isso apenas indica que a situação deixou de piorar para nós."

Nova tecnologia dá fôlego temporário

Especialistas atribuem os avanços ucranianos a inovações tecnológicas. Entre elas, estão drones do fabricante ucraniano Wild Hornets, equipados com sistemas de inteligência artificial.

Para o especialista militar e historiador Mykhailo Zhyrokhov, esses ganhos oferecem apenas uma janela limitada de vantagem. Autor de diversos estudos sobre aviação militar e conflitos no período pós-soviético, ele avalia que a Rússia deve em breve reforçar suas defesas, com grupos móveis de combate e sistemas de proteção ao longo do corredor até a Crimeia, incluindo redes contra drones.

Ainda assim, Zhyrokhov afirma que é vantajoso para a Ucrânia forçar esse tipo de reação, já que toda medida defensiva consome recursos. "Isso representa um peso adicional para os russos. Eles serão obrigados a investir dinheiro e deslocar recursos para proteger essa rota", explicou à DW.

"A eficácia dos ataques ucranianos se baseia atualmente no fator surpresa, que tende a diminuir. Sempre que surge algo eficaz, surgem contramedidas. Quatro anos de guerra demonstram isso. Por isso, esse momento deve ser aproveitado ao máximo, enquanto os russos ainda não estabeleceram uma defesa aérea eficaz nesse trecho da frente", completou.

Próximos passos

Zhyrokhov aponta algumas medidas para ampliar a pressão sobre a logística russa. A primeira é ampliar o uso de drones, cuja eficácia já foi comprovada. A segunda é empregar ogivas mais potentes nos drones, capazes de destruir veículos blindados. A terceira é ampliar os alvos. Segundo ele, ao longo da extensa rota existem infraestruturas vulneráveis, e ataques a postos de combustível e oficinas podem atingir em cheio a logística russa, com impacto maior que ataques isolados a veículos.

O especialista Mykola Bielieskov chama atenção para outro desafio: a falta de pessoal. Muitas tarefas precisam ser realizadas simultaneamente na linha de frente. "Por mais avançada que seja a tecnologia, sem especialistas ela não atinge seu potencial. A guerra com drones ainda depende fortemente de pessoas. Esse é um dos maiores limites, na minha avaliação. Há escassez de operadores treinados em todas as unidades que atuam em média distância", disse.

Esse problema se soma à falta geral de efetivo no front. Segundo o especialista, mesmo as soluções tecnológicas mais eficazes acabam não sendo plenamente aproveitadas por causa dessas limitações.

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