Trump sugere revisar posição dos EUA sobre as Malvinas
O presidente Donald Trump indicou que pode revisar a neutralidade dos EUA quanto à soberania das Ilhas Malvinas. A proposta integra uma estratégia do Pentágono para pressionar o Reino Unido a aumentar seus gastos militares na Otan para 5% do PIB. Embora Washington reconheça a administração britânica no arquipélago, o país mantém postura neutra sobre a posse territorial, que é historicamente reivindicada pela Argentina e foi motivo de conflito armado em 1982.
Medida seria uma forma de pressionar o Reino Unido, um parceiro na Otan, a elevar seus gastos militares. EUA não adotam posição oficial sobre a soberania das ilhas.O presidente Donald Trump declarou nesta segunda-feira (31/08) que não descarta revisar a posição de neutralidade dos EUA em relação à soberania sobre as Ilhas Malvinas.
Os Estados Unidos, assim como a maioria das nações ocidentais, reconhecem a administração do arquipélago pelo Reino Unido, mas não adotam uma posição oficial sobre a questão da soberania, reivindicada pela Argentina.
Segundo o jornal londrino The Daily Telegraph, a proposta está na lista de medidas que o Pentágono elabora como coerção para obter o compromisso de gastos de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"Eu sempre reviso todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas", disse Trump no Salão Oval, ao ser questionado se os EUA estavam revisando sua postura sobre as Malvinas.
Ao ser perguntado se queria que o governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, aumentasse seus atuais compromissos de gastos militares, Trump respondeu: "O Reino Unido tem alguns problemas, mas eles serão resolvidos".
Em abril, quando surgiram os primeiros relatos de uma possível revisão, o Departamento de Estado declarou à agência de notícias AFP, que a posição dos EUA sobre as ilhas permanecia de neutralidade.
Conflito armado em 1982
Quatro décadas após o conflito, as tensões permanecem elevadas entre o Reino Unido e a Argentina. Jogadores argentinos exibiram uma faixa com os dizeres "As Malvinas são argentinas" após derrotarem a Inglaterra por 2 a 1 numa semifinal da Copa do Mundo, no início deste ano. A Fifa multou a Associação de Futebol Argentino em 321 mil dólares.
A disputa histórica entre Argentina e Reino Unido levou a um conflito armado entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, que se encerrou com a rendição do país sul-americano e a morte de 649 argentinos, 255 britânicos e três habitantes das ilhas.
Forças argentinas invadiram as ilhas, levando a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a enviar uma força naval para retomá-lo.
O então presidente dos EUA, Ronald Reagan, adotou inicialmente uma postura neutra, mas, após o fracasso das negociações de paz, Washington forneceu apoio militar e de inteligência ao Reino Unido.
as/cn (AFP, Efe)
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