Trump quer ceder fatia de icônico parque nacional para incorporadora
O governo Donald Trump atua para ceder uma faixa de 400 metros do Parque Nacional de Yosemite à incorporadora Kingsbarn Realty Capital, visando abrir uma estrada de acesso a um terreno privado. A medida, que envolve a troca por outra área na Califórnia, gerou forte oposição de ambientalistas e parlamentares democratas, que denunciam o desmonte da preservação ambiental e lembram que a proposta já fora rejeitada em gestões anteriores. O Departamento do Interior nega favorecimento político.
Governo dos EUA se movimenta para ceder fatia do Parque Yosemite, famoso pelos paredões de granito e sequoias gigantes, para que empresário construa estrada para suas propriedades. Conservacionistas denunciam negócio.O governo do presidente Donald Trump tem se movimentado para ceder uma fatia do icônico Parque Nacional de Yosemite a uma incorporadora privada, provocando críticas de ambientalistas e de membros da classe política.
Protegido desde 1864, o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada do estado americano da Califórnia, é mundialmente conhecido por seus espetaculares paredões de granito, geleiras, cachoeiras, sequoias gigantes e natureza selvagem.
Uma investigação publicada na sexta-feira (28/08) pelo sites Notus e confirmada pelo jornal New York Times revelou que a Casa Branca vem atuando discretamente há mais de um ano para transferir uma faixa de cerca de 400 metros do parque para uma empresa ligada — por meio de uma rede de outras entidades — à Kingsbarn Realty Capital, ma gestora de fundos de private equity imobiliário, sediada em Las Vegas.
O movimento ocorre em meio a uma ofensiva do governo Trump para reduzir proteções de conservação de terras públicas. Em julho, o presidente já havia reduzido em mais de 90% o tamanho de duas áreas protegidas no estado de Utah, abrindo caminho para a exploração mineral. Em agosto, foi a vez de seu governo tomar medidas para acabar com uma norma que proibia a exploração madeireira e a construção de estradas em florestas nacionais.
Yosemite na mira
Em 2024, uma sociedade de responsabilidade limitada controlada pela Kingsbarn comprou um terreno de cerca de 33 hectares nos arredores do parque Yosemite. Segundo o site Notus, o CEO da Kingsbarn, Jeff Pori, quer construir uma estrada conectando a propriedade a uma das vias de Yosemite — proporcionando à área um "acesso privado excepcionalmente raro".
Em contrapartida, o Serviço Nacional de Parques receberia um terreno de valor equivalente em outra parte da Califórnia, ainda a ser definida.
Em comunicado à agência AFP, o Departamento do Interior, que comanda o Serviço Nacional de Parques, negou qualquer pressão política para alcançar um resultado predeterminado.
"Qualquer proposta de troca de terras ou de acesso envolvendo áreas do Serviço Nacional de Parques estaria sujeita a todas as leis federais, regulamentos e políticas do Departamento aplicáveis, incluindo as exigências de análise ambiental e os processos de notificação pública", afirmou o departamento, acrescentando: "Nenhuma decisão final foi tomada."
"Caso uma proposta avance, o Departamento seguirá os procedimentos estabelecidos para garantir a coordenação adequada, a transparência e o envolvimento público em conformidade com a lei federal."
Registros eleitorais federais mostram que Pori fez doações frequentes ao Comitê Nacional Republicano e a comitês de arrecadação de fundos alinhados a Trump. A Kingsbarn não quis comentar o negócio em Yosemite.
Iniciativa já havia sido rejeitada anteriormente
A Associação de Conservação de Parques Nacionais (National Parks Conservation Association), uma organização não governamental que advoga para aprimorar o sistema de parques, classificou o potencial negócio como um "ataque" ilegal.
"As tentativas do governo Trump de desmantelar o legado de conservação dos Estados Unidos agora têm Yosemite como alvo, com esse acordo secreto feito nos bastidores", disse Mark Rose, gerente sênior do programa para a região de Serra Nevada na associação.
O sindicato dos funcionários do Serviço Nacional de Parques (NPS) em Yosemite declarou-se "horrorizado" com a cessão de terras públicas para interesses privados, classificando a troca proposta como "contrária aos princípios que defendemos" na qualidade de guardiões do parque.
Houve uma proposta anterior para construir uma estrada através de Yosemite quando o terreno de cerca de 33 hectares situado fora dos limites do parque pertencia a outro proprietário.
Esse plano foi rejeitado pelas administrações tanto do republicano George W. Bush quanto do democrata Barack Obama. Os tribunais negaram os recursos apresentados pelo então proprietário, Lewis Geyser.
Rose afirmou que o parque já enfrentava uma crise de superlotação decorrente de anos de expansão das instalações de hospedagem na região e da decisão da administração Trump, tomada neste ano, de eliminar o sistema de registro de veículos que visava limitar o tráfego.
O senador democrata Adam Schiff, que representa Califórnia e crítico ferrenho de Trump, declarou: "Yosemite é uma das maravilhas naturais da Califórnia e deve ser protegido contra novos empreendimentos".
"Os tribunais já barraram esse projeto uma vez, mas esta administração parece obstinada em seguir em frente, apesar da oposição do público, do Congresso e do Judiciário. No entanto, a única coisa que importa para a administração é se há dinheiro envolvido. Vamos combater isso novamente."
Já o senador Alex Padilla, outro democrata que representa a Califórnia, também disse estar trabalhando para barrar a iniciativ. "Este é o governo mais corrupto da história", afirmou Padilla em nota.
jps (AFP, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.