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Trump diz que acabou com oito guerras: até onde isso é verdade?

25 fev 2026 - 16h10
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Presidente dos EUA afirma que merece o Nobel da Paz após solucionar oito conflitos desde que chegou ao cargo no ano passado. Mas muitas dessas crises ainda continuam.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que deveria receber o Prêmio Nobel da Paz após intervir em oito conflitos desde que assumiu o cargo em janeiro do ano passado. Mas muitos dos problemas que motivaram essas crises permanecem sem solução, e confrontos voltaram a explodir em algumas regiões, incluindo na República Democrática do Congo e na fronteira entre Camboja e Tailândia.

A seguir, alguns dos conflitos internacionais nos quais Trump interveio:

Armênia e Azerbaijão

Trump reuniu os líderes da Armênia e do Azerbaijão em 8 de agosto para assinar uma declaração conjunta em que eles se comprometeram a buscar relações pacíficas entre as duas nações, que estão em desacordo desde o fim dos anos 1980.

"Eu os conheci por meio do comércio", disse Trump depois, em entrevista de rádio. "Eu estava negociando um pouco com eles e perguntei: 'Por que vocês estão brigando?' Então disse: 'Não vou fechar nenhum acordo comercial se vocês continuarem brigando. É loucura.'"

Os dois países haviam firmado um cessar-fogo em 2023. Em março, anunciaram ter concordado com o texto de um rascunho de acordo de paz, mas o pacto ainda não foi assinado.

A declaração mediada posteriormente pela Casa Branca fica aquém de um tratado formal de paz, que imporia obrigações legais às duas partes. Questões permanecem em aberto, incluindo se o acordo exigiria que a Armênia revise sua Constituição.

Os líderes fecharam acordos econômicos com Washington que concederam aos EUA direitos de desenvolvimento sobre um corredor de trânsito estratégico no sul da Armênia. O governo Trump afirmou que isso permitiria mais exportações de energia. Em documentos publicados na época, o corredor recebeu o nome de Trump. O vice‑presidente dos EUA, JD Vance, visitou ambos os países em fevereiro, assinando uma parceria estratégica com o Azerbaijão e um acordo nuclear com a Armênia.

Camboja e Tailândia

As tensões permanecem entre Tailândia e Camboja apesar do frágil cessar-fogo parcialmente mediado por Trump.

O presidente americano ajudou a levar a Tailândia à mesa de negociações depois que tensões prolongadas com o Camboja explodiram, em julho, em um conflito militar de cinco dias - a disputa mais letal entre os dois países em mais de uma década.

Trump contatou o então primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, dois dias após o início dos confrontos na fronteira. Ele também suspendeu acordos comerciais com ambos os países até que o conflito terminasse.

O presidente supervisionou a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre os dois lados, na Malásia, em outubro - mas que ruiu poucas semanas depois, deixando mais de 30 mortos, entre soldados e civis, e deslocando 800 mil, segundo autoridades, antes da assinatura de um novo cessar-fogo em 27 de dezembro.

Israel, Irã e os territórios palestinos

Trump presidiu, na semana passada, a primeira reunião de seu Conselho de Paz, parte de uma tentativa de conduzir um acordo para encerrar o conflito na Faixa de Gaza e promover a reconstrução do território.

Israel e o grupo palestino Hamas concordaram, em outubro, com a primeira fase de um acordo de cessar-fogo e troca de reféns mediado por Trump. As hostilidades, no entanto, continuaram.

Ainda assim, o pacto representou um passo significativo nos esforços para encerrar uma guerra de dois anos em Gaza, que já matou mais de 67 mil palestinos. Pelo acordo, o Hamas entregou reféns capturados nos ataques que deram início ao confronto. Ambas as partes, porém, continuam se acusando mutuamente de violar a trégua.

Questões fundamentais seguem sem solução, incluindo o desarmamento do Hamas, a administração de Gaza no pós-guerra e a composição e o mandato de uma força internacional de segurança no território.

O presidente americano também está trabalhando para expandir os Acordos de Abraão, lançados em seu primeiro mandato para normalizar relações diplomáticas entre Israel e países árabes.

Trump inicialmente buscou negociações com o Irã sobre seu programa nuclear. Em 13 de junho, Israel lançou uma guerra aérea contra o Irã e pressionou Trump a participar. Ele entrou no conflito em 22 de junho, bombardeando instalações nucleares iranianas. Depois, pressionou Israel e Irã a aderirem a um cessar-fogo mediado pelo Catar.

Trump afirmou, na época, que as principais instalações nucleares iranianas haviam sido "obliteradas" e contestou relatos de que o programa havia apenas sido atrasado. Nas últimas semanas, no entanto, ele tem ameaçado o Irã tanto por questões nucleares quanto por violações de direitos humanos. Ordenou um grande reforço militar no Oriente Médio e preparativos para um possível ataque aéreo de várias semanas contra o país.

Ruanda e República Democrática do Congo

O grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, realizou uma ofensiva relâmpago este ano e agora controla mais território do que nunca no leste da República Democrática do Congo. Os avanços recentes aumentaram temores de uma escalada regional.

Sob pressão de Trump, Ruanda e Congo assinaram um acordo de paz mediado pelos EUA em 27 de junho. O acordo não foi implementado, e a guerra está longe de terminar.

Trump reuniu os líderes do Congo e de Ruanda em um evento em Washington, em 4 de dezembro, realizado em um instituto de paz que seu governo passou a chamar informalmente pelo nome do presidente americano. Ali, assinaram novos documentos reafirmando o compromisso com o plano de paz de Trump.

"Estamos resolvendo uma guerra que já dura décadas", afirmou Trump durante a assinatura do pacto. "Eles passaram muito tempo se matando, e agora vão passar muito tempo se abraçando, dando as mãos e se aproveitando economicamente dos EUA, como todos os outros países fazem", acrescentou.

Trump detalhou que o acordo contemplava um cessar-fogo permanente, o desarmamento das forças não estatais, o retorno dos refugiados e a responsabilização para aqueles que cometeram atrocidades. O pacto incluía ainda um componente econômico ao conceder aos Estados Unidos acesso preferencial a minerais estratégicos da região.

Mas os confrontos continuaram. Somente na semana seguinte ao acordo de paz, mais de 500 mil pessoas foram deslocadas em toda a região, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Enucah).

O presidente congolês, Félix Tshisekedi, afirmou que Ruanda está violando o acordo - o mesmo disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ruanda nega apoiar o M23, mas especialistas da ONU e líderes congoleses discordam. O Catar tem mediado negociações separadas entre Congo e M23.

Enquanto isso, o líder de uma coalizão rebelde congolesa que inclui o M23 afirmou que um acordo sobre minerais críticos, assinado em dezembro entre Congo e Washington, é inconstitucional, colocando em dúvida sua implementação.

A insurgência é o capítulo mais recente de um conflito que remonta ao genocídio de Ruanda em 1994.

Trump advertiu que haverá "punições muito severas, financeiras e outras" caso o acordo seja violado. Os EUA buscam acesso à vasta reserva de minerais estratégicos do Congo enquanto competem com a China por recursos naturais.

Índia e Paquistão

Autoridades americanas temeram que o conflito fugisse ao controle quando Índia e Paquistão - ambas nações que possuem armas nucleares - se enfrentaram em maio, após um ataque em território indiano que Nova Délhi atribuiu a Islamabad.

Em consultas com Trump, Rubio e Vance pressionaram autoridades indianas e paquistanesas a reduzir a escalada.

Um cessar-fogo foi anunciado em 10 de maio, após quatro dias de combates. Mas o acordo abordou poucas das questões que dividem Índia e Paquistão, que já travaram três grandes guerras desde a independência do Reino Unido em 1947.

Dias após o cessar-fogo, Trump disse ter usado a ameaça de cortar relações comerciais para garantir o acordo. A Índia contestou que a pressão americana tenha sido determinante - e que comércio tenha sido um fator.

Egito e Etiópia

Egito e Etiópia não mantêm em conflito armado, mas mantêm uma longa disputa sobre a Grande Barragem do Renascimento Etíope, que o Cairo considera uma questão de segurança nacional, temendo danos ao fornecimento de água do rio Nilo.

"Estamos trabalhando nesse problema, mas será resolvido", disse Trump em julho.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, mais tarde incluiu Egito e Etiópia em uma lista de conflitos que "o presidente agora resolveu".

Não está claro o que Trump tem feito em relação ao tema, embora ele tenha dito que pretende reunir as partes para negociações. Em declarações públicas, o republicano tem ecoado as preocupações de Cairo. O premiê etíope, Abiy Ahmed, inaugurou a barragem em setembro, apesar da oposição do Sudão e do Egito. Já o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, prometeu defender os interesses de seu país.

Sérvia e Kosovo

Kosovo e Sérvia mantêm relações tensas cinco anos após os acordos que Trump mediou em seu primeiro mandato para melhorar laços econômicos.

Sem apresentar provas, Trump afirmou, em junho, que "impediu" uma guerra entre os países em seu primeiro mandato e que "vai resolver isso novamente" em seu segundo.

Kosovo declarou independência em 2008, quase uma década depois de a Otan bombardear forças sérvias para deter a expulsão e o assassinato de albaneses étnicos durante a guerra de 1998-1999.

Mas a Sérvia ainda considera Kosovo parte de seu território. Os países não assinaram um acordo de paz.

O primeiro-ministro de Kosovo, Albin Kurti, tenta ampliar o controle governamental sobre o norte do país, onde vivem cerca de 50 mil sérvios que não reconhecem a independência kosovar.

A presidente de Kosovo, Vjosa Osmani, afirmou em julho que, "nas últimas semanas", Trump havia impedido uma escalada maior na região. Ela não deu detalhes, e o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, negou que houvesse risco iminente.

Rússia e Ucrânia

Trump afirmou durante a campanha eleitoral de 2024 que iria resolver a guerra da Ucrânia "em um dia". Até agora, ele não conseguiu encerrar o conflito de quase quatro anos, que, segundo analistas, deixou mais de 1 milhão de mortos ou feridos.

"Eu achei que esse seria um dos mais fáceis", disse Trump em 18 de agosto. "Na verdade, é um dos mais difíceis."

Suas posições sobre como alcançar a paz oscilaram de defesa de um cessar-fogo a declarações de que um acordo ainda poderia ser alcançado mesmo com combates intensos em andamento. Ele impôs sanções às duas maiores petrolíferas da Rússia em outubro.

Mais recentemente, Trump tentou pressionar o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a aceitar um acordo para encerrar a guerra - algo que preocupa líderes europeus, que temem um resultado favorável à Rússia e desestabilizador para o continente. As negociações nos últimos dias mostraram poucos avanços.

Coreia do Sul e Coreia do Norte

Trump afirmou querer se reunir com o líder norte-coreano Kim Jong-un e fazer uma nova tentativa de alcançar a paz. "Nós vamos voltar e, em algum momento não muito distante, nos encontrar com a Coreia do Norte", disse Trump a repórteres em outubro, durante uma viagem à Coreia do Sul.

Trump e Kim realizaram três cúpulas entre 2017 e 2021, além de trocarem cartas que Trump descreveu como "belíssimas", antes de o esforço diplomático sem precedentes ruir devido à exigência dos EUA de que Kim abandonasse seu arsenal nuclear.

Nos anos seguintes, a Coreia do Norte avançou no desenvolvimento de mísseis balísticos maiores, expandiu suas instalações nucleares e obteve novo apoio de vizinhos. Em seu segundo mandato, Trump reconheceu que o país é uma "potência nuclear".

Kim afirmou em setembro que não havia razão para evitar negociações com Washington caso fossem retiradas as exigências americanas para desnuclearização. Trump concordou em apoiar a busca da Coreia do Sul por um submarino movido a energia nuclear para sua própria defesa.

md (AP, DW, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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