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Amazon obtem direito a usar o domínio ".amazon"

Empresa será a dona de endereço, segundo decisão da Icann; medida põe fim a batalha de anos com países da região amazônica

21 mai 2019
16h25
atualizado às 16h39
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A Amazon obteve nesta semana o direito exclusivo de utilizar o domínio de internet ".amazon". Uma decisão da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN, na sigla em inglês), tomada no último final de semana, deu ganho de causa à empresa e pôs fim a uma batalha de sete anos entre a companhia de Jeff Bezos e os países da região amazônica, que também reinvindicavam o domínio.

Numa decisão tomada no fim de semana, a Icann, a agência americana que administra o sistema de endereços da Internet, disse que a gigante tecnológica tem o direito de utilizar seu nome, com suas variações, apesar dos protestos de países sul-americanos que abrigam a selva amazônica, entre eles o Brasil.

"Devido a sua inseparável relação semântica com a selva amazônica, esta área não deveria ser de nenhuma maneira o monopólio de uma empresa", declarou o ministério brasileiro das Relações Exteriores Brasil em março. Após a decisão da Icann, o Itamaraty lamentou a decisão, dizendo que ela deixa de considerar adequadamente "a necessidade de defender o patrimônio natural, cultural e simbólico dos países e povos da região amazônica".

08/06/2017
REUTERS/Carlos Jasso
08/06/2017 REUTERS/Carlos Jasso
Foto: Reuters

A Icann havia advertido que, na ausência de um acordo entre a empresa e os países que questionam esta solicitação de nome de domínio, adotaria uma resolução própria.

E, de fato, a organização decidiu analisar normalmente a solicitação do grupo tecnológico americano, fundado por Jeff Bezos, de dispor de nomes de domínio ".amazon" e suas variantes. A decisão entrará em vigor dentro de 90 dias durante a qual as partes interessadas podem enviar seus comentários à Icann.

A Icann levou em consideração o comprometimento da empresa em não usar os nomes de domínio ".amazon" em um contexto relacionado claramente com a Amazônia e a permitir aos países amazônicos a utilização de vários nomes de domínio derivados "com fins não comerciais" e para melhorar a visibilidade desta região ameaçada.

Dois anos atrás o órgão, criado no começo da internet para ordenar o ciberespaço, se mostrou favorável a que a Amazon ficasse com o domínio. No entanto, os países nos quais se encontra a Amazônia original entraram em litígio com a empresa de Jeff Bezos porque queriam ter poder de veto sobre o uso que gigante de tecnologia dará ao nome no ciberespaço.

Nessa segunda-feira, a chancelaria brasileira lamentou a decisão da Icann e "teme" que "não tenha levado suficientemente em conta o interesse público definido por oito governos (da América do Sul), em particular a necessidade de defender o patrimônio natural, cultural e simbólico dos países e povos da região amazônica".

 

Estadão
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