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TDAH em mulheres: diagnóstico de Ana Castela destaca apresentações do transtorno

Especialista detalha as diferenças entre os subtipos de desatenção e hiperatividade e as causas para a identificação tardia no público feminino

12 mar 2026 - 06h33
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A recente divulgação do diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pela cantora Ana Castela, de 22 anos, trouxe à discussão pública as diferentes manifestações da condição neurobiológica. Através de comunicações em redes sociais, a artista relatou que a identificação médica esclareceu padrões comportamentais observados desde a infância.

Ana Castela
Ana Castela
Foto: Reprodução/ Instagram / Perfil Brasil

Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR), a nomenclatura "TDA" foi substituída pelo termo unificado TDAH, que se divide em três apresentações clínicas distintas. A diferenciação é estabelecida pela predominância dos sintomas apresentados pelo paciente.

Segundo a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, a manifestação do transtorno em mulheres frequentemente difere do modelo clássico observado em homens. As normas médicas classificam o transtorno em:

  • Apresentação Predominantemente Desatenta: Caracteriza-se pela dificuldade em sustentar o foco e organizar atividades. Os sinais incluem distração, esquecimento de compromissos e perda frequente de objetos. Em mulheres, a ausência de agitação motora contribui para que o diagnóstico seja postergado.

  • Apresentação Predominantemente Hiperativo-Impulsiva: Envolve inquietude e dificuldade em aguardar turnos. No público feminino adulto, a hiperatividade manifesta-se majoritariamente de forma interna, por meio de um fluxo de pensamentos acelerado e dificuldade em cessar processos mentais.

  • Apresentação Combinada: Reúne critérios de desatenção e hiperatividade. Embora seja a forma mais identificada na infância, muitas mulheres utilizam mecanismos de camuflagem para mitigar sintomas de impulsividade e manter padrões de desempenho.

A literatura médica aponta que, historicamente, os estudos sobre o transtorno focaram em pacientes do sexo masculino em idade escolar. Esse fator, somado ao desenvolvimento de estratégias compensatórias pelas mulheres — como o esforço cognitivo elevado para manter a organização —, resulta em diagnósticos realizados apenas na fase adulta.

De acordo com a Dra. Thaíssa Pandolfi, a identificação do funcionamento neurobiológico permite que a paciente, como Ana Castela, reorganize sua rotina. O tratamento protocolar para o TDAH envolve:

  1. Psicoeducação e estratégias de manejo da atenção;

  2. Acompanhamento psicoterapêutico para desenvolvimento de métodos organizacionais;

  3. Avaliação medicamentosa, conforme a necessidade clínica de cada caso.

O diagnóstico na vida adulta como o de Ana Castela visa, prioritariamente, a adaptação das demandas cotidianas às características neurológicas do indivíduo, reduzindo o custo emocional associado às dificuldades de execução.

Perfil Brasil
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