Suspeitos de atentado contra irmão de Eloá são presos; imagens de câmera reforçam que vítima era monitorada
Policial militar da Rota foi baleado na cabeça após sair de academia e três suspeitos de envolvimento no crime já foram capturados
Uma câmera de segurança registrou o momento exato em que os suspeitos de atirar contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, passaram pela rua da academia onde a vítima estava momentos antes do ataque, em São Caetano do Sul. O oficial da Polícia Militar é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, jovem de 15 anos que foi morta depois de ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Alves no apartamento em que morava num conjunto habitacional em Santo André, em 2008. O crime contra a estudante teve grande repercussão nacional na época.
Imagens de segurança mostram monitoramento
Nas imagens obtidas pela investigação, é possível observar um homem em uma motocicleta vermelha. Ele estaciona na rua do estabelecimento por volta das 11h18 e aguarda a chegada de um carro branco. Em seguida, ele desce da moto com um capacete no braço esquerdo, entra no veículo e permanece no interior do automóvel por alguns minutos. Logo depois, o homem deixa o veículo e, na sequência, um segundo homem sai do banco do motorista do carro já usando o capacete. Ele sobe na motocicleta vermelha e os dois seguem em direção à Avenida Goiás, local onde atiram contra o policial militar. Segundo a TV Globo apurou, policiais acreditam que a dinâmica registrada pelas câmeras pode indicar que a vítima estava sendo monitorada antes do ataque.
Outro circuito de monitoramento flagrou o instante em que o tenente da Rota foi baleado na cabeça na Avenida Goiás. Nas imagens, é possível ver que o policial estava à paisana em uma motocicleta e parou no semáforo. Segundos depois, dois homens se aproximaram e efetuam os disparos, fugindo logo em seguida. Ronickson Pimentel dos Santos foi socorrido pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar, e levado inconsciente ao Hospital Mário Covas, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência.
Polícia prende três suspeitos na zona leste
Os suspeitos de envolvimento na tentativa de execução do tenente da Rota foram presos na manhã deste domingo, em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, os detidos têm idades de 52, 40 e 24 anos, e teriam dado apoio logístico e de transporte no dia do atentado. Um deles confessou a participação no crime e o mais novo, segundo as autoridades, será liberado. Os presos foram apresentados no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa, o DHPP, e as diligências prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos.
O oficial ingressou na corporação em 2009, como soldado, após ter atuado na Marinha do Brasil como fuzileiro naval entre os anos de 2006 e 2009. Em 2015, ele passou a integrar o quadro de oficiais após se formar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Ao longo de sua trajetória, o policial acumulou sete anos de experiência no patrulhamento de Força Tática e, em 2019, ingressou no 1º Batalhão de Polícia de Choque, as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.
Histórico familiar e estado de saúde atual
Na época em que a irmã Eloá Cristina Pimentel foi morta, Ronickson Pimentel dos Santos falou por cerca de uma hora ao Tribunal do Júri no Fórum de Santo André, no ABC, e disse que Lindemberg "era um monstro". Por diversas vezes ao longo de seu depoimento, o irmão da jovem encarou o réu, que abaixou a cabeça sem esboçar reação diante das declarações. "Ele era agressivo, sempre arrumava brigas por futebol", disse na época.
A Polícia Militar informou que o tenente permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, sob monitoramento neurológico contínuo. A informação oficial mais recente divulgada pelas equipes médicas é de que o quadro de saúde do oficial permanece em estado gravíssimo, porém estável, após os procedimentos cirúrgicos realizados pelas equipes de saúde na unidade hospitalar do ABC paulista.
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