Irã alerta que interferência na gestão do Estreito de Ormuz pode agravar tensões no Oriente Médio
O Irã advertiu neste domingo (28), após três dias de retomada das hostilidades na região, que qualquer interferência na gestão do Estreito de Ormuz fora do acordo firmado com os Estados Unidos pode "aumentar as tensões". Teerã e Washington se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo estabelecido no protocolo assinado em 17 de junho, ligado ao controle da rota estratégica.
O Irã autorizou apenas um corredor de navegação ao longo de sua costa, passando pelo Estreito de Ormuz, e ameaça atacar qualquer embarcação que descumpra as regras. A rota havia sido fechada por Teerã durante a guerra iniciada contra o país em 28 de fevereiro por Israel e Estados Unidos.
"Nenhuma outra instituição ou país" além do Irã é "responsável" pela gestão do estreito, afirmou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
As hostilidades começaram a se intensificar novamente a partir de quinta-feira (25), após Omã anunciar a abertura de uma rota marítima alternativa temporária, apresentada como medida coordenada com a ONU para evacuar marinheiros e navios bloqueados.
Pouco depois, um cargueiro que atravessava o estreito foi atingido por um "projétil de origem desconhecida", e o Irã passou a exigir autorização prévia para a passagem de navios. Os Estados Unidos atribuíram o ataque a Teerã e lançaram bombardeios em território iraniano, provocando uma resposta do Irã contra posições americanas, inclusive no Bahrein.
O mesmo cenário se repetiu após um petroleiro ser atingido no sábado (27) por um projétil não identificado. Os EUA bombardearam instalações militares iranianas, e Teerã retaliou com mísseis e drones contra o Kuwait e o Bahrein.
O Irã condenou os ataques americanos contra instalações de monitoramento na costa sul, enquanto o Kuwait denunciou "agressões repetidas" iranianas que comprometeriam esforços de paz no Oriente Médio.
No Bahrein, onde sirenes de alerta soaram duas vezes durante a noite, o Exército anunciou ter interceptado e destruído projéteis usados nos ataques iranianos.
"Não desviar do acordo"
Segundo Araghchi, qualquer interferência na gestão do estreito pode atrasar sua reabertura. Ele pediu que "todas as partes" respeitem o acordo, que prevê negociações de 60 dias para um possível entendimento final.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter adotado medidas para controlar o tráfego na passagem, por onde transitava cerca de 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, e advertiu que navios que desrespeitarem as regras serão tratados com maior rigor.
Para analistas, o Irã deve manter ações de pressão na região, sem, no entanto, provocar um conflito mais amplo.
Bombardeios no Líbano
No Líbano, Israel manteve ataques no sul do país apesar de um acordo preliminar para uma "paz duradoura", assinado na sexta-feira em Washington.
O Irã afirmou que o fim das operações israelenses e a retirada das tropas são condições essenciais para um acordo definitivo.
Segundo uma agência oficial libanesa, bombardeios israelenses ocorreram no domingo, um dia após ataques que deixaram um morto. O Exército israelense informou a morte de um soldado no sul do Líbano, elevando para 38 suas baixas desde o início do conflito.
O líder do Hezbollah, Naïm Qassem, classificou o acordo como "vergonhoso", enquanto um deputado do grupo afirmou que o texto não será aplicado, alertando para o risco de conflito interno.
O presidente libanês, Joseph Aoun, garantiu que o Estado cumprirá suas obrigações para implementar o acordo, que condiciona a retirada israelense ao desarmamento do Hezbollah. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, celebrou o que chamou de "golpe contra o Irã e o Hezbollah".
O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã após a ofensiva americano-israelense contra Teerã.
Com AFP
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