Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Suco gástrico descartado em endoscopias pode ajudar a diagnosticar câncer de estômago, aponta estudo

Cientistas brasileiros descobrem que o suco gástrico, material rotineiramente desprezado em endoscopias, contém pistas genéticas cruciais sobre tumores

13 abr 2026 - 17h08
Compartilhar

A medicina brasileira acaba de dar um passo significativo na busca por diagnósticos mais precisos e menos invasivos para o sistema digestivo. Pesquisadores nacionais identificaram que o suco gástrico, aquele líquido que os médicos aspiram e descartam logo no início de uma endoscopia, possui um potencial valioso para a detecção precoce do câncer de estômago. O estudo revela que a quantidade de DNA humano presente nesse fluido pode funcionar como um termômetro biológico sobre o estado de saúde da mucosa gástrica, oferecendo uma nova camada de segurança para o paciente que busca respostas definitivas.

Quantidade de DNA presente no suco gástrico pode ajudar a identificar tumores e trazer pistas sobre a evolução do câncer de estômago
Quantidade de DNA presente no suco gástrico pode ajudar a identificar tumores e trazer pistas sobre a evolução do câncer de estômago
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

DNA no suco gástrico revela anomalias na mucosa

A lógica por trás dessa descoberta é fundamentada em um princípio biológico claro: tecidos que sofrem processos patológicos tendem a liberar mais fragmentos genéticos no ambiente circundante. No caso de um tumor gástrico, a rápida renovação das células e a destruição tecidual fazem com que o material genético se acumule no líquido estomacal. O cirurgião oncológico Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center, explica ao g1 que "o exame mede quanto material genético humano está 'solto' no líquido do estômago —um sinal indireto do que está acontecendo naquele tecido".

É importante destacar que esse marcador não atua como um teste isolado para a doença. Segundo Coimbra, esse DNA não vem de uma única fonte. "Parte dele é liberada pelas próprias células tumorais, mas há também contribuição de células inflamatórias e do sistema imune que atuam contra o tumor", afirma o especialista ao g1. Essa característica faz com que o teste seja um excelente indicativo de anormalidades, funcionando como um sinal de alerta de que algo não vai bem na região, mesmo que os sinais visuais ainda sejam sutis aos olhos do médico.

Aproveitamento de material amplia precisão do diagnóstico

O grande diferencial estratégico desta técnica reside na sua aplicabilidade prática e sustentável dentro da rotina hospitalar. Durante a endoscopia digestiva alta, o procedimento de aspiração do líquido já é realizado para limpar a área e permitir uma visão clara do estômago. Ao invés de jogar esse material fora, a proposta é enviá-lo ao laboratório. Isso significa que o paciente recebe um benefício diagnóstico extra sem precisar se submeter a novos procedimentos, agulhadas ou tempo adicional de internação, otimizando o fluxo de atendimento médico.

Essa abordagem visa mitigar um dos maiores desafios da oncologia atual: a limitação das biópsias tradicionais. Por vezes, a coleta de um pequeno fragmento pode não capturar a área exata da lesão, especialmente se o tumor estiver localizado em camadas mais profundas ou distribuído de forma irregular pela parede do órgão. Nestes cenários complexos, o suco gástrico atua como uma amostra ampliada, pois banha toda a cavidade estomacal e carrega informações de múltiplos pontos simultaneamente, reduzindo as chances de resultados inconclusivos.

Resposta imunológica indica melhor evolução da doença

Apesar do entusiasmo com os resultados, os pesquisadores mantêm uma postura de cautela e ética científica. O desempenho do método é considerado moderado quando usado de forma solitária, pois inflamações comuns e gastrites também podem elevar os níveis de DNA. Felipe Coimbra é enfático ao explicar que o teste deve funcionar como um apoio quando a biópsia vem inconclusiva ou quando a suspeita clínica não bate com o resultado inicial. O objetivo principal é o ganho de precisão em conjunto com os exames já estabelecidos pela medicina moderna.

Um dado curioso e inesperado que surgiu durante a pesquisa foi a relação entre o volume de DNA e o prognóstico dos pacientes. Em certos casos, níveis elevados de material genético no fluido indicaram uma evolução clínica mais positiva. De acordo com a equipe de Coimbra, isso ocorre porque o DNA elevado pode refletir uma reação intensa do sistema imunológico contra o invasor. "Pacientes com maior concentração de DNA tendiam a apresentar mais células inflamatórias infiltradas no tumor", sinalizando que o corpo está combatendo ativamente a doença, o que abre novas portas para entender a resiliência do organismo humano.

Perfil Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra