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Seul avança para recuperar controle operacional de suas Forças Armadas

18 ago 2026 - 17h40
(atualizado às 17h50)
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Presidente sul-coreano renova objetivo após EUA reduzirem exercícios militares conjuntos e Trump exaltar sua relação com líder da Coreia do Norte. Washington controla parte da defesa sul-coreana desde a Guerra da Coreia.O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, renovou nesta terça-feira (18/08) sua intenção de recuperar o controle operacional das Forças Armadas de seu país em tempos de guerra das mãos dos Estados Unidos, após uma decisão de seu homólogo americano, Donald Trump, de reduzir substancialmente os tradicionais exercícios conjuntos entre as duas nações aliadas.

No último domingo, Trump instruiu o Pentágono a "reduzir substancialmente" os exercícios militares conjuntos programados para semana com a Coreia do Sul, dizendo que a Coreia do Norte, armada com armas nucleares, "tem sido inofensiva e respeitosa" e que ele tem um "relacionamento muito bom com [o líder norte-coreano] Kim Jong-un".

Ele afirmou que Kim havia respondido à sua ordem ao Pentágono, mas não forneceu detalhes. Quando questionado sobre o estágio das conversas com Kim, Trump disse que "está muito positivo", mas não deu mais detalhes.

Trump reiterou seus elogios a Kim, dizendo que seus laços reduziram as tensões. "Vejam, na verdade estou tornando tudo muito mais seguro. Kim Jong-un sempre me tratou com muito respeito", disse ele. "Eu o entendo. Ele me entende."

Lee quer acelerar programa de submarinos nucleares

Nesta terça, Lee instou que o país deve prosseguir sem interrupções com a transferência do Controle Operacional em Tempo de Guerra (Opcon), prevista para ocorrer durante seu mandato.

O Opcon, o mecanismo exerce o controle das forças sul-coreanas caso os combates sejam retomados, é dirigido pelos EUA através do chefe do Comando de Forças Combinadas dos Aliados, um cargo que sempre foi ocupado por um general americano de quatro estrelas.

"Uma aliança forte fortalece a base da segurança, e o fortalecimento de nossas próprias capacidades aumenta nosso valor e necessidade como aliado", disse Lee em uma reunião de gabinete. O líder sul-coreano também pediu avanços mais rápidos no programa de submarinos nucleares do país e na formação de oficiais aptos a conduzir operações integradas para futuros conflitos.

Os exercícios reuniriam cerca de 18 mil soldados sul-coreanos, juntamente com forças americanas e pessoal de 11 dos 18 estados-membros do Comando das Nações Unidas (UNC), o órgão multinacional que supervisiona o armistício de 1953 que interrompeu as hostilidades da Guerra da Coreia.

Décadas de presença militar dos EUA no país

De fato, a questão remonta ao armistício, selado em 1953 ao invés de um tratado de paz formal, o que significa que as Coreias no Norte e do Sul permanecem tecnicamente em guerra.

Desde o armistício, tropas americanas permanecem estacionadas na Coreia do Sul. O país possui ainda a maior base militar americana fora dos EUA, o Campo Humphreys. Os dois Exércitos realizam diversos treinos e operações conjuntas, como os exercícios militares desta semana.

Embora a Coreia do Sul tenha recuperado o controle de suas próprias Forças Armadas em tempos de paz em 1994, o Opcon acabou se tornando um símbolo de soberania nacional e um dos principais objetivos de segurança da Coreia do Sul, que Seul vem tentando recuperar há mais de duas décadas, sob sucessivos governos.

Os exercícios desta semana, agora reduzidos, tinham como objetivo ajudar a certificar a prontidão da Coreia do Sul para finalmente assumir o controle de suas defesas em tempos de guerra, um processo pelo qual Lee tem pressionado desde que assumiu o cargo.

Coreia do Norte reforça laços com a Rússia

A Coreia do Norte aprofundou os laços militares com a Rússia desde que os dois países assinaram um pacto de parceria estratégica abrangente em junho de 2024. Pyongyang está fornecendo tropas, munição de artilharia e mísseis balísticos para apoiar a guerra de Moscou contra a Ucrânia.

"Eles pegaram essas lições que aprenderam lá e as trouxeram de volta para a Coreia do Norte, o que amplia as capacidades da RPDC", disse o coronel Ryan Donald, diretor de relações públicas dos comandos liderados pelos EUA na Coreia do Sul, usando a sigla do nome oficial do país, República Popular Democrática da Coreia.

"Nosso treinamento leva em conta essa ameaça, por isso o exercício parece diferente [dos anteriores] e, nos últimos cinco anos, ele evoluiu continuamente."

Nesta terça-feira, o gabinete presidencial de Seul afirmou que os exercícios não refletiam "nenhuma intenção de atacar a Coreia do Norte ou aumentar as tensões na península coreana".

Seul reiterou que seu propósito fundamental era "não tratar uma entidade específica como adversária, mas salvaguardar a vida cotidiana segura e pacífica das pessoas".

(AP, ots)

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