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Reabilitação por telessaúde reduz mortalidade e melhora recuperação de pacientes graves

Pesquisa liderada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Einstein Hospital Israelita, contemplou 20 hospitais públicos brasileiros por meio do PROADI-SUS

22 jul 2026 - 14h05
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Um programa integrado de telerreabilitação desenvolvido a partir do Rio Grande do Sul demonstrou impacto significativo na recuperação de pacientes do SUS com insuficiência respiratória aguda submetidos à ventilação mecânica. O estudo registrou redução de 7,6 pontos percentuais na mortalidade em 90 dias - de 78,3% para 71,8% - além de melhorias na qualidade de vida dos participantes em comparação ao cuidado habitual.

Foto: imagem meramente ilustrativa / Divulgação / HMV / Porto Alegre 24 horas

Os resultados foram apresentados durante o Critical Care Reviews Meeting 2026, em Belfast, no Reino Unido, um dos principais congressos internacionais de terapia intensiva, e publicados simultaneamente no JAMA (Journal of the American Medical Association), um dos periódicos científicos mais influentes do mundo.

O estudo Rehab VM Brasil foi liderado pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Einstein Hospital Israelita, por meio do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), do Ministério da Saúde. A pesquisa avaliou 1.916 pacientes internados em 20 hospitais públicos brasileiros distribuídos por diferentes regiões do país entre 2024 e 2025.

A coordenação das ações na UTI, etapa central do estudo, ficou sob responsabilidade do Hospital Moinhos de Vento, enquanto o Einstein coordenou as etapas de enfermaria e o acompanhamento pós-alta. Os participantes receberam uma intervenção integrada de telerreabilitação em três etapas complementares: suporte remoto à equipe da UTI para acelerar o desmame da ventilação mecânica, avaliação multidisciplinar durante a internação hospitalar e um programa personalizado de reabilitação por teleatendimento durante dois meses após a alta.

Os resultados mostraram que os pacientes permaneceram, em média, 4,9 dias a mais vivos e fora do hospital nos três meses após a internação e apresentaram melhor evolução clínica global — 17,4 dias no grupo intervenção versus 12,2 dias no grupo controle.

Outro achado expressivo foi a redução do tempo médio de ventilação mecânica, que caiu de 15,5 para 9,9 dias. Na prática, isso representa menos tempo de intubação, menor exposição a sedativos e uma recuperação potencialmente mais rápida e qualificada.

"Além dos ganhos na recuperação dos pacientes, observamos menos tempo em ventilação mecânica e mais dias vivos fora do hospital. Em um sistema com recursos limitados, isso tem potencial para beneficiar tanto os pacientes quanto a sustentabilidade do SUS", destaca o médico Regis Goulart Rosa, primeiro autor do estudo e chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento e que participa do evento no Reino Unido.

Os pacientes acompanhados pela estratégia integrada também apresentaram melhora significativa da qualidade de vida relacionada à saúde 90 dias após a alta hospitalar, medida por um instrumento que avalia mobilidade, autonomia, atividades cotidianas, dor e saúde mental. O grupo intervenção registrou escore médio 33% superior ao do grupo controle (0,16 versus 0,12).

O programa utilizou uma abordagem multidisciplinar envolvendo médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e fonoaudiólogos. Durante a fase pós-alta, os participantes receberam acompanhamento individualizado por videoconferência, com suporte adaptado às necessidades identificadas ao longo da recuperação.

"O estudo mostra que a combinação de telessaúde, coordenação do cuidado e reabilitação multidisciplinar pode contribuir para melhores desfechos clínicos, mesmo em contextos de alta complexidade e recursos limitados. Os resultados também reforçam que a implementação da telessaúde vai muito além da disponibilização de tecnologia e profissionais à distância", explica Adriano Pereira, autor sênior do estudo e coordenador médico de Tele-UTI no Einstein.

Para o coordenador-geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Tarcísio Aquino, os resultados reforçam o papel estratégico da continuidade do cuidado após a alta hospitalar. "Os achados deste projeto são fundamentais para qualificar nossas equipes do Programa Melhor em Casa na gestão do cuidado e na reabilitação de pacientes com fraqueza adquirida na UTI. A estratégia de telerreabilitação personalizada assegura que o suporte multidisciplinar continue no domicílio, garantindo uma transição de cuidado mais segura."

Na avaliação da coordenadora-geral de Atenção Hospitalar do Ministério da Saúde, Luisa Frazão, os resultados também produzem impactos importantes para a organização da rede assistencial. "Ao reduzir o tempo médio de ventilação mecânica de 15,5 para 9,9 dias, este projeto otimiza o giro de leitos e fortalece a organização da alta programada, permitindo que o paciente retorne ao convívio familiar com suporte especializado."

Sobre o Proadi-SUS

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) foi criado em 2009 com o propósito de apoiar e aprimorar o SUS por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada. Atualmente, o programa reúne sete hospitais filantrópicos sem fins lucrativos que são referência em qualidade médico-assistencial e gestão: A.C.Camargo Cancer Center, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hcor, Einstein Hospital Israelita, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. Os recursos do Proadi-SUS advém da imunidade tributária inerente à natureza dos hospitais filantrópicos participantes.

Porto Alegre 24 horas
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