Raridade arqueológica: crânio de múmia egípcia de 2,5 mil anos é identificado em pequeno museu do interior gaúcho
Um fragmento da história do Egito Antigo repousa, de forma quase discreta, no município de Cerro Largo, no noroeste do Rio Grande do Sul.
Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) confirmaram que um crânio preservado no acervo local pertence a uma múmia com mais de 2,4 mil anos — uma das últimas duas peças desse tipo existentes no Brasil.
Batizada de Iret-Neferet, a mulher teria vivido entre os anos 768 e 476 a.C., de acordo com exames de datação por Carbono 14. A faixa temporal corresponde ao final do Terceiro Período Intermediário e ao início do Período Tardio da história egípcia. Estudos apontam que ela morreu por volta dos 40 anos.
Embora tenha chegado ao Brasil nos anos 1950, o artefato só recebeu atenção acadêmica a partir de 2017, quando o professor Édison Hüttner, coordenador do Grupo de Estudo Identidade Afro-Egípcias da PUCRS, decidiu investigar sua origem. Segundo relatos preservados na cidade, o crânio teria sido trazido por um egípcio, herdado por um advogado brasileiro e posteriormente doado ao Museu 25 de Julho, a quase 500 quilômetros de Porto Alegre.
Descobertas científicas
Uma tomografia revelou detalhes surpreendentes: o olho da múmia é formado por uma rocha calcítica, recurso usado em alguns processos de mumificação. Também foi identificada uma perfuração no osso etmoide, indício do método utilizado para remover o cérebro, etapa comum nesse ritual funerário. Ao redor da cabeça, foram encontradas 22 tiras de linho, além de seda e fios de cabelo preservados.
Uma raridade no país
Além de Iret-Neferet, o único exemplar semelhante conhecido no Brasil é Tothmea, exposta no Museu Egípcio Rosa Cruz, em Curitiba (PR). Outras múmias que integraram coleções imperiais brasileiras foram destruídas no incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018.
Com informações: Galileu