Quem são os indiciados pelo desastre aéreo da Voepass, que matou 62 pessoas
Relatório divulgado pela Polícia Federal mostra funcionários e ex-funcionários responsabilizados pelo acidente
Um relatório divulgado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 6, sobre a queda do avião da Voepass em 2024, aponta que 16 funcionários e ex-funcionários da empresa foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
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Entre os responsabilizados pelo desastre estão o dono da companhia aérea, José Luiz Felício Filho, o diretor de manutenção Eric Cônsoli e os pilotos Edson Serra Martins e Luciano Alves de Macedo. Veja a lista dos indiciados:
- Edson Serra Martins — piloto, comandante do voo PTB 2293;
- Luciano Alves de Macedo — piloto, comandante do voo PTB 2204;
- Oderlino de Campos Figueiredo — despachante operacional de voo (DOV) dos voos PTB 2293 e PTB 2204;
- John Major Viana — despachante operacional de voo (DOV) do voo PTB 2282;
- Marcos Hiroyuki Sato — despachante operacional de voo (DOV) responsável pelo voo PTB 2283;
- Alex de Souza Leandro — mecânico responsável pela liberação da aeronave; (Mecânico do pernoite responsável pelo Daily Check do PS-VPB)
- William Schmidt Agatz — gerente do Centro de Controle Operacional da empresa (CCO);
- Juliano Flores Pacheco — gerente do Centro de Controle de Manutenção (MCC); gerente do MCC (Maintance Control Center)
- Raphael Limongi de Figueiredo — chefe do CCO (centro de controle operacional); também aparece nos depoimentos como piloto-chefe e chefe de tripulação
- Marcel Sarquis Moura — diretor de Operações;
- Tiago Passucci Morani — gerente de Engenharia e inspetor-chefe;
- Carlos Alberto Costa — diretor de Manutenção;
- Eric Consoli — diretor Técnico
- Rafael Gimenez Rodrigues — piloto-chefe e responsável pelo Programa de Monitoramento de Dados de Voo (FOQA);
- David da Costa Faria Neto — diretor de Segurança Operacional;
- José Luiz Felício Filho — Diretor Presidente da Voepass.
Segundo o relatório, José Luiz Felício Filho deveria ter agido para "interromper o cenário de omissões que a companhia aérea vivia quanto à manutenção e operação das aeronaves". No dia do acidente, a aeronave estava com o limpador de para-brisa inoperante e, como estava chovendo, o avião não deveria ter decolado.
O documento também atesta que os pilotos sabiam de falhas no sistema de degelo, compararam a aeronave a um 'Fusquinha' e revela diálogos registrados na caixa-preta que indicam problemas recorrentes, que não eram comunicados pelas tripulações.
O relatório concluiu que a tragédia ocorreu por uma sucessão de fatores meteorológicos, falhas técnicas e conduta operacional insuficiente. Os indiciados são apontados como responsáveis ou como pessoas que contribuíram para o acidente, por ação ou negligência.
A PF encaminhou uma cópia do relatório à Corregedoria Regional da Polícia Federal em São Paulo para fins de análise quanto à possível ocorrência do crime de prevaricação ou corrupção passiva privilegiada por parte de algum integrante da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Relembre a tragédia
Uma aeronave da Voepass caiu em um condomínio fechado em Vinhedo, no interior de São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. Esse foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre do voo da TAM, em 2007, quando 187 pessoas que estavam a bordo morreram.
A queda do voo 2283 ocorreu durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). Morreram 58 passageiros e quatro tipulantes, As operações da Voepass foram suspendidas em março de 2025. e, três meses depois, a Anac cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da companhia aérea, impedindo a empresa de operar voos comerciais.
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