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Projeção estima que fumaça de queimadas na Amazônia deve chegar ao Sul do Brasil

Agosto teve recorde de queimadas para o mês nos últimos 12 anos; em quatro dias, setembro já atingiu um terço da média histórica para o mês

5 set 2022 - 17h03
(atualizado às 17h24)
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Projeção estima que fumaça de queimadas na Amazônia deve chegar ao Sul do Brasil:

Na véspera do Dia da Amazônia, que é celebrado nesta segunda-feira, 5, a floresta teve seu pior dia de queimadas em 15 anos: foram 3.393 focos de incêndio registrados em 24 horas, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As estimativas meteorológicas também não são boas e indicam que fumaças da queimada da floresta devem atravessar o país e chegar à região Sul do Brasil ainda nesta semana, como aconteceu em 2020.

Pelo menos, é o que mostra a projeção do modelo de dispersão de aerossóis do Sistema Copernicus, da União Europeia

Projeção estima que fumaça de queimadas na Amazônia deve chegar ao Sul do Brasil
Projeção estima que fumaça de queimadas na Amazônia deve chegar ao Sul do Brasil
Foto: Reprodução / Copernicus EU

Somente nos primeiros quatro dias de setembro, a Amazônia registrou mais de 12 mil focos de incêndio, mais de um terço da média histórica para todo o mês, que é de cerca de 32 mil. No mês de agosto já havia sido registrado recorde de queimadas para o mês em 12 anos, também segundo o Inpe. Foram mais de 33 mil focos de incêndio na floresta.

Diferente de outros biomas, a maior parte dos episódios de fogo na região são iniciados propositalmente, já que pela natureza tropical e úmida da floresta dificilmente focos de incêndio podem se iniciar sem intervenção humana.

Desmatamento na Amazônia

Dois grandes vetores seguem alimentando o desmatamento, segundo o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), estuda há décadas o cenário que impulsiona a destruição da floresta, Paulo Barreto.

O primeiro deles é o enfraquecimento das políticas de controle e os incentivos dados à ocupação e exploração de recursos naturais "com promessas de mudanças legais para regularizar atividades ilegais como a grilagem e os garimpos, inclusive em terras indígenas".

Floresta tem visto recordes nas taxas de desmatamento nos últimos anos
Floresta tem visto recordes nas taxas de desmatamento nos últimos anos
Foto: Gabriela Biló/Estadão

A alta dos preços das commodities agrícolas e do ouro é tida como o segundo vetor. "Isso estimula uma corrida para aquisição de terras - inclusive a grilagem - e a garimpagem", cita Barreto.

Em ano de eleição presidencial, a tendência é que a devastação piore. "Os políticos evitam fiscalizar e perder apoio de empresários e políticos locais. Nesta eleição, dados indicam um agravamento desta tendência, pois o governo atual tem promovido o desmatamento enquanto vários candidatos têm prometido voltar a fiscalização", comenta Barreto.

Desmatadores parecem querer aproveitar o resto do mandato do presidente Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, para desmatar o máximo possível, aponta o pesquisador do Imazon. "Mesmo que as políticas mudem no futuro, eles vão pressionar para manter o que foi desmatado, incluindo perdões de crimes ambientais e fundiários."

Fonte: Redação Terra
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