Projeção estima que fumaça de queimadas na Amazônia deve chegar ao Sul do Brasil
Agosto teve recorde de queimadas para o mês nos últimos 12 anos; em quatro dias, setembro já atingiu um terço da média histórica para o mês
Na véspera do Dia da Amazônia, que é celebrado nesta segunda-feira, 5, a floresta teve seu pior dia de queimadas em 15 anos: foram 3.393 focos de incêndio registrados em 24 horas, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As estimativas meteorológicas também não são boas e indicam que fumaças da queimada da floresta devem atravessar o país e chegar à região Sul do Brasil ainda nesta semana, como aconteceu em 2020.
Pelo menos, é o que mostra a projeção do modelo de dispersão de aerossóis do Sistema Copernicus, da União Europeia.
Somente nos primeiros quatro dias de setembro, a Amazônia registrou mais de 12 mil focos de incêndio, mais de um terço da média histórica para todo o mês, que é de cerca de 32 mil. No mês de agosto já havia sido registrado recorde de queimadas para o mês em 12 anos, também segundo o Inpe. Foram mais de 33 mil focos de incêndio na floresta.
Diferente de outros biomas, a maior parte dos episódios de fogo na região são iniciados propositalmente, já que pela natureza tropical e úmida da floresta dificilmente focos de incêndio podem se iniciar sem intervenção humana.
Desmatamento na Amazônia
Dois grandes vetores seguem alimentando o desmatamento, segundo o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), estuda há décadas o cenário que impulsiona a destruição da floresta, Paulo Barreto.
O primeiro deles é o enfraquecimento das políticas de controle e os incentivos dados à ocupação e exploração de recursos naturais "com promessas de mudanças legais para regularizar atividades ilegais como a grilagem e os garimpos, inclusive em terras indígenas".
A alta dos preços das commodities agrícolas e do ouro é tida como o segundo vetor. "Isso estimula uma corrida para aquisição de terras - inclusive a grilagem - e a garimpagem", cita Barreto.
Em ano de eleição presidencial, a tendência é que a devastação piore. "Os políticos evitam fiscalizar e perder apoio de empresários e políticos locais. Nesta eleição, dados indicam um agravamento desta tendência, pois o governo atual tem promovido o desmatamento enquanto vários candidatos têm prometido voltar a fiscalização", comenta Barreto.
Desmatadores parecem querer aproveitar o resto do mandato do presidente Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, para desmatar o máximo possível, aponta o pesquisador do Imazon. "Mesmo que as políticas mudem no futuro, eles vão pressionar para manter o que foi desmatado, incluindo perdões de crimes ambientais e fundiários."