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Porta-aviões dos EUA faz pausa na Tailândia após 286 dias em missão

2 set 2026 - 10h32
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Resumo
Após 286 dias no mar atuando na guerra contra o Irã, o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln atracou na Tailândia para descanso da tripulação. A longa missão provocou preocupações e pedidos de investigação nos EUA diante da escassez de suprimentos e do desgaste da saúde mental a bordo, incluindo relatos de tentativas de suicídio. A estadia de cinco dias promete movimentar a economia local da região de Pattaya, que impôs restrições de segurança e conduta aos marinheiros.

USS Abraham Lincoln deixou a Califórnia em novembro de 2025 e apoiou a guerra contra o Irã. Relatos de tentativas de suicídio geraram preocupações nos EUA.O porta-aviões de propulsão nuclear dos Estados Unidos USS Abraham Lincoln chegou ao porto de Laem Chabang, na Tailândia, nesta quarta-feira (02/09), após 286 dias no mar, incluindo um longo período de operação no Oriente Médio, em meio a preocupações com a saúde mental da tripulação e com a deterioração das condições a bordo.

Cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais participaram de missão no porta-aviões
Cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais participaram de missão no porta-aviões
Foto: DW / Deutsche Welle

O Lincoln, com aproximadamente 5 mil marinheiros e fuzileiros navais e seu amplo convés de voo repleto de helicópteros e aeronaves de combate, incluindo os mais modernos caças F-35, participou do bloqueio naval dos Estados Unidos e de operações de combate durante a guerra contra o Irã.

Relatos de tentativas de suicídio

O USS Abraham Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 para cumprir uma missão no Mar da China Meridional e foi posteriormente redirecionado para o Oriente Médio antes dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que há seis meses desencadearam uma guerra regional.

De acordo com parlamentares democratas, o navio estabeleceu um recorde moderno de maior número de dias consecutivos em operação no mar. Normalmente, os deslocamentos operacionais da Marinha duram entre seis e nove meses, mas podem ser prolongados em períodos de conflito.

As preocupações com a longa missão do Lincoln aumentaram após relatos de agravamento dos problemas de saúde mental entre os tripulantes e da escassez de suprimentos, incluindo alimentos e produtos de higiene.

Esse relatos, incluindo tentativas de suicídio, ganharam destaque nos Estados Unidos e elevaram as críticas ao conflito iniciado pelo presidente Donald Trump contra o Irã.

Parlamentares democratas pediram uma investigação sobre as condições de vida a bordo. De acordo com a publicação especializada Navy Times, pelo menos dois marinheiros teriam tentado suicídio pulando no mar. Trump minimizou esses relatos, assim como as perguntas sobre o período excepcionalmente longo de missão do porta-aviões.

O secretário adjunto interino da Marinha, Hung Cao, reconheceu que "um pequeno número de casos relacionados à saúde mental" havia sido atendido, embora tenha afirmado que nenhuma morte havia sido relatada.

Aliado militar dos EUA

Acompanhado por outras embarcações da Marinha dos Estados Unidos, o porta-aviões de propulsão nuclear fará uma parada na Tailândia, único aliado dos Estados Unidos por tratado no Sudeste Asiático continental, para descanso e recuperação. Segundo autoridades tailandesas, a permanência será de cinco dias.

O destroier lança-mísseis guiados USS Frank E. Petersen Jr. atracou em Si Racha, a cerca de 10 km de distância. Ambas as embarcações apresentam manchas de ferrugem e desgaste na pintura ao longo da linha d'água.

A Tailândia tornou-se um aliado dos EUA por tratado em 1954, antes de ser designada como um importante aliado extra-Otan em 2003. As forças armadas de ambos os países mantêm relações sólidas e realizam exercícios conjuntos anuais.

Bangkok deixou claro que a visita não está relacionada ao conflito no Oriente Médio e que a escala portuária tem como objetivo descanso, recuperação e apoio logístico, em conformidade com os compromissos estabelecidos pelos tratados entre os dois países.

Boom para a economia local

A chegada de milhares de militares despertou expectativas de impulso econômico para a cidade turística vizinha de Pattaya. O prefeito disse esperar um impacto econômico de cerca de 100 milhões de bahts (aproximadamente 3,1 milhões de dólares).

Pattaya possui uma longa reputação como destino de turismo sexual e há anos tenta se desvincular dessa imagem. Segundo a imprensa local, as autoridades da cidade proibiram os tripulantes do Lincoln de frequentar as áreas mais conhecidas pela vida noturna da cidade costeira.

Os marinheiros também estão proibidos de praticar esportes aquáticos, advertiu o prefeito de Pattaya, que ressaltou a importância da segurança e incentivou os visitantes a conhecer centros comerciais e locais de interesse religioso.

As autoridades locais disseram ter mobilizado cerca de 600 agentes para garantir a segurança e oferecer a assistência necessária aos visitantes.

as/ra (Reuters, AP, Efe)

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