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Por que talentos disputados pelas big techs escolheram combater o crime com IA no Brasil

Os resultados alcançados pela Pax em menos de dois anos apontam que estão no caminho certo

30 set 2026 - 10h05
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Resumo
A startup brasileira Pax atrai talentos de ponta formados em instituições como ITA e Harvard, além de egressos de big techs, para aplicar inteligência artificial na segurança pública. A plataforma cruza dados policiais complexos para solucionar crimes com agilidade, alcançando resultados expressivos como a queda de 27% em crimes violentos em Goiás e o avanço em investigações. A missão de alto impacto social levou a startup a captar 40 milhões de dólares com fundos globais renomados.

Um engenheiro recusou uma proposta milionária da empresa de IA Anthropic. Outro profissional disse não à OpenAI. Uma jovem formada em Harvard abriu mão de uma vaga garantida em uma das maiores consultorias do mundo e, um dia depois da formatura, desembarcou sozinha em São Paulo. Outros deixaram a Palantir, a Meta e as carreiras construídas no exterior. Em comum, essas decisões improváveis tinham o mesmo destino: utilizar IA a serviço de um dos problemas mais complexos do país, a segurança pública.

O trabalho da Pax já produz resultados relevantes em campo
O trabalho da Pax já produz resultados relevantes em campo
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Em pouco menos de dois anos, a startup Pax, uma plataforma de IA, reuniu cerca de 90 pessoas, quase 50 delas engenheiros. Um quinto do time passou por Harvard, MIT, Stanford ou Oxford, e outro quinto veio do ITA. Juntos, acumulam quase 200 medalhas em olimpíadas de matemática, física e informática.

O trabalho da Pax já produz resultados relevantes em campo. Em regiões de Goiás analisadas após a implantação da tecnologia, os crimes violentos caíram 27% entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2025, e os indicadores de eficiência operacional policial avançaram cerca de 79%. Em Bauru, no mesmo período, o piloto ajudou a reverter um caso que poderia ser arquivado por falta de provas, elevando de forma expressiva a proporção de investigações concluídas com identificação de suspeitos. Mesmo onde a criminalidade já estava em queda, o efeito da tecnologia acentuou o processo.

Os currículos, no entanto, contam apenas parte da história. Em comum na trajetória de muitos desses profissionais antes mesmo de a Pax existir, eles se acostumaram a procurar problemas difíceis para resolver. Foram olimpíadas de matemática, física e computação, vestibulares altamente competitivos, pesquisas acadêmicas, empresas de tecnologia e desafios de engenharia.

E, na Pax, plataforma de IA, esse apetite por desafios ganhou uma motivação. O problema a ser resolvido não estava mais em uma prova ou em uma linha de código, mas em mudar a realidade que afeta a vida de toda a população: homicídios que precisam de solução, foragidos que precisam ser encontrados, veículos roubados ou milhares de informações espalhadas que um investigador precisa conectar para chegar a uma resposta.

"A combinação entre a complexidade do problema e a possibilidade de trabalhar ao lado de outras pessoas excepcionais ajuda a explicar por que tantos profissionais acabaram se encontrando no mesmo lugar. Os talentos estão em todas as áreas da empresa, da engenharia ao comercial. E a grande motivação é a possibilidade de deixar um legado concreto para a sociedade", explica David Peixoto, CEO da Pax.

A própria startup nasceu de trajetórias pouco convencionais. Entre os fundadores, Lucas Fox foi ainda adolescente para o Vale do Silício e participou da construção da Brex. Phyllipe Medeiros construiu parte da carreira na Meta. Fernando Czapski passou pelo Nubank durante sua fase de expansão e fez MBA em Harvard. David Peixoto já havia criado e vendido empresas antes de assumir como CEO da Pax.

Mas a ambição, desde o início, era fazer com que essa concentração de talento não ficasse restrita aos fundadores ou ao topo da organização. David resume a filosofia em uma frase, "pessoas boas gostam de estar perto de outras pessoas boas".

Para ele, começar uma empresa com um time B torna muito mais difícil chegar depois a um time A. Por isso, o recrutamento se tornou uma das prioridades da Pax, plataforma de IA, desde o primeiro dia. A empresa evita procurar um único estereótipo de talento, e o critério não é uma credencial específica, mas evidências de que a pessoa já demonstrou, em algum momento da trajetória, capacidade de se destacar diante de um desafio difícil.

Pode ser uma medalha internacional, uma formação acadêmica incomum, a construção de uma empresa, uma realização improvável ou a capacidade de tomar iniciativa e transformar o ambiente ao redor. Mais do que uma credencial isolada, procura-se evidência de resultado, capacidade de execução e vontade.

O próprio time se tornou uma das principais fontes de novos nomes. Quem já provou sua capacidade indica outros nomes com o mesmo perfil, que trabalharam ou estudaram juntos em algum momento. Um nome traz outro, que traz outro. Aos poucos, o recrutamento se transforma em efeito de rede.

Talento atrai talento. A missão faz a diferença.

Nathalie Milbradt integra o time de relacionamento com clientes e ajuda a entender a outra parte dessa equação. Filha de uma faxineira e de um caminhoneiro no Rio Grande do Sul, foi a primeira da família a estudar fora do país. Conseguiu bolsa integral em Harvard e terminou a universidade com um contrato garantido em uma das maiores consultorias do mundo.

Então, conheceu a Pax em um evento realizado pela empresa dentro do campus em Boston. Um dia depois de se formar, Nathalie desembarcou sozinha em São Paulo para começar a trabalhar na startup. "Foi a certeza de que isso vai revolucionar o Brasil, e não nos próximos dez, quinze anos, mas nos próximos dois, três, quatro anos", conta.

Raíssa Pimentel fez outra escolha pouco convencional. Formou-se em primeiro lugar com honras no ITA e levou para a Pax uma formação que poderia abrir portas em outros lugares. Hoje, aplica essa capacidade técnica ao time de operações da empresa.

Felipe Coimbra saiu do Piauí para estudar no ITA. Depois, passou pela Palantir, empresa de tecnologia conhecida pelo uso de dados aplicados a problemas complexos, antes de escolher a Pax.

Gabriel Simões conquistou medalha de prata em uma competição mundial de computação, estudou em Notre Dame nos EUA e também passou pela Palantir. Luísa Shida estudou em Harvard, passou por um programa de Direito em Columbia antes de se juntar à empresa. Ana Schuch tem uma das notas mais altas já registradas por uma mulher na história do ITA. Vitor Camargo estudou em Yale e tirou a nota máxima do SAT entre os brasileiros que já fizeram o teste.

E a lista continua. Diego Zancaneli, Júlia Togashi e Daniel Montemor também compõem esse grupo. Há gente que deixou posições consolidadas no mercado financeiro, executivos que abriram mão de participações relevantes em companhias abertas e profissionais que recusaram ofertas de grandes empresas de tecnologia. Uma executiva de recursos humanos deixou um emprego remoto bem remunerado pouco depois de ter o primeiro filho. Um profissional recusou uma oferta da OpenAI. 

Primeiro o problema. Depois, o código.

Essa é a lógica que aparece na maneira como a Pax construiu sua tecnologia. A empresa não desenvolveu primeiro um produto para depois procurar quem pudesse comprá-lo. O caminho foi inverso.

Os times foram a campo entender como policiais trabalham, como uma investigação acontece, quais informações estão disponíveis, onde estão os gargalos e por que, mesmo com uma quantidade enorme de dados, muitas vezes é tão difícil transformá-los rapidamente em uma pista útil.

A partir desses problemas, começaram a construir. A plataforma conecta informações que antes estavam dispersas, como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, registros de veículos e outras bases, e usa IA para ajudar investigadores a encontrar relações que, manualmente, poderiam exigir horas ou dias de trabalho.

A lógica continua conforme a tecnologia chega a novos lugares. Segurança pública não funciona exatamente da mesma maneira em todo o Brasil. A dinâmica do crime, as bases disponíveis, a infraestrutura e a rotina das forças policiais mudam. Em vez de simplesmente replicar um software fechado, o trabalho envolve entender essas particularidades e adaptar a tecnologia aos problemas encontrados na ponta.

Em investigações reais, informações aparentemente pequenas podem mudar o rumo de um caso. Uma característica de um veículo, uma passagem por determinada câmera, um registro feito em outro momento ou uma conexão que não estava evidente podem ser cruzados em segundos e apresentados ao policial como uma nova linha de investigação.

Em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, a Pax, plataforma de IA, começou a acumular casos resolvidos, localização de foragidos e recuperação de veículos. São aplicações que dão uma dimensão concreta ao trabalho de quem desenvolve a plataforma e ao desafio de colocar informação útil nas mãos da polícia.

Os resultados começaram a chamar atenção também fora do Brasil. A Pax levantou US$ 40 milhões em uma rodada liderada pela Benchmark, um dos fundos mais conhecidos do Vale do Silício, e pela Greenoaks. Também passaram a investir na companhia nomes ligados à criação de empresas como Coinbase, Instacart, Plaid e Airwallex.

Para David Peixoto, a missão é o que permite à Pax continuar atraindo talento de ponta mesmo depois de deixar de ser uma novidade, um fator que investidores experientes reconhecem como vantagem competitiva de longo prazo, já que talento raro tende a ser o recurso mais difícil de replicar, muito mais do que qualquer linha de código.

*Texto com informações de assessoria.

Perfil Brasil
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