Por que nossos dedos têm comprimentos diferentes?
O comprimento dos seus dedos é apenas uma das muitas características que permitem que suas mãos segurem, pressionem, puxem e interajam de outras formas com o mundo
Era uma daquelas manhãs agitadas em que eu já estava atrasado para o trabalho. Na pressa de pegar minhas chaves e sair correndo, derrubei algumas coisas da bancada, espalhando moedas soltas pelo chão.
Enquanto recolhia as moedas, percebi que estava usando movimentos diferentes para juntar tudo, e esses movimentos pareciam depender dos diferentes comprimentos dos meus dedos. Meu polegar e meu indicador se uniram para pegar uma moeda de dez centavos, enquanto meu dedo médio se esticou mais para pegar as moedas que haviam rolado para debaixo da borda de um armário. Meu dedo anular e meu mindinho se curvaram para dentro para segurar as moedas que eu já havia recolhido, enquanto eu buscava mais.
Esses movimentos realmente me fizeram perceber como cada dedo tem sua própria função - e como o comprimento variável de cada um deles desempenha um papel importante no que ele é capaz de fazer.
Refletir sobre essas coisas faz parte da minha função: como antropólogo biológico que estuda a biomecânica dos movimentos humanos, frequentemente penso em como movimento, forças e estrutura atuam em conjunto para moldar o corpo humano.
Equipe de cinco
Meu contratempo matinal mostrou que cada um dos meus cinco dedos parecia ter seu próprio papel, e as diferenças no comprimento dos dedos os ajudavam a realizar tarefas diferentes.
O dedo médio costuma ser o mais longo. Ele atua como o eixo central da mão, ajudando a equilibrar e guiar os movimentos. Seu comprimento também permite que ele trabalhe em conjunto com os outros dedos para segurar objetos com segurança.
O dedo anular é normalmente um pouco mais curto que o dedo médio, mas os dois trabalham em estreita colaboração, gerando força de preensão e estabilizando a mão. Seja ao levantar uma mochila pesada, carregar sacolas de compras ou segurar um taco de beisebol, os dedos médio e anular ajudam a manter a preensão firme e equilibrada.
O dedo indicador é mais curto, mais flexível e consegue se mover sozinho com mais facilidade do que os dois principais dedos de preensão — o que o torna ótimo para movimentos cuidadosos e controlados. É o dedo que você usa para tarefas que exigem precisão e exatidão, como apontar, digitar, apertar botões pequenos ou escrever com um lápis.
O dedo mínimo é geralmente o menor dos cinco, mas não precisa de comprimento para cumprir sua função de estabilizar a borda externa da mão. Ele ajuda a manter a mão estável quando você segura objetos — especialmente aqueles maiores do que a sua mão, como uma garrafa grande de água, uma bola de basquete ou uma sacola pesada de compras.
Cada um dos seus dedos desempenha um papel único ao conferir às suas mãos força e precisão.SolStock/iStock via Getty ImagesO polegar é único. Geralmente, ele tem cerca de três quartos do comprimento do dedo indicador. Em vez de depender do comprimento, a articulação especial do polegar permite que ele gire e se mova pela palma da mão, onde pode tocar os outros dedos. Por poder se mover dessa forma, ele é chamado de polegar opositor. Isso torna o polegar uma das partes mais versáteis da mão, permitindo que você aperte e pegue pequenos objetos.
Sem o polegar, muitas tarefas cotidianas, como segurar talheres, abrir recipientes e, sim, pegar moedas, seriam muito mais difíceis.
Uma ferramenta em evolução
A evolução transformou a mão humana em uma ferramenta altamente capaz. Os primeiros humanos dependiam de suas mãos para tarefas de sobrevivência, como escalar, construir e fabricar e usar ferramentas.
Aqueles com mãos mais adequadas para preensão e precisão tinham mais chances de prosperar, moldando gradualmente a forma da mão humana moderna.
Por exemplo, os seres humanos compartilham o dedo médio longo com outros primatas, incluindo chimpanzés e gorilas, o que sugere que ele tem sido importante ao longo de toda a nossa história evolutiva. Essa longa história de adaptação explica por que nossas mãos são ao mesmo tempo fortes e altamente precisas, capazes de lidar com tudo, desde o levantamento de cargas pesadas até tarefas delicadas.
Um projeto biológico
A evolução é apenas parte da história. Antes do nascimento, os genes orientam o crescimento das mãos, atuando como um projeto biológico durante o desenvolvimento.
Esses genes influenciam a rapidez com que os ossos se alongam, o comprimento que cada dedo atinge e a forma das articulações e dos tendões. Pequenas diferenças na forma como esses genes funcionam antes do nascimento podem alterar o comprimento de cada dedo em comparação com os demais.
As forças da evolução moldaram as poderosas capacidades de nossas mãos.
Os hormônios também desempenham um papel importante. Os hormônios sexuais, como a testosterona e o estrogênio, e outros sinais podem influenciar o crescimento dos ossos dos dedos, moldando diferenças sutis nas proporções antes do nascimento e ao longo da infância e da adolescência.
O desenvolvimento das mãos é moldado tanto pela biologia quanto pelo ambiente. É por isso que famílias costumam compartilhar características semelhantes nas mãos, mesmo que as mãos e os dedos de cada pessoa sejam ligeiramente diferentes.
À medida que usamos nossas mãos todos os dias, ficamos mais hábeis em tarefas como escrever, arremessar ou tocar um instrumento. Com o tempo, nossas mãos ficam mais fortes e coordenadas por meio da prática.
Então, por que nossos dedos têm comprimentos diferentes? Não há uma resposta única. A evolução moldou a mão, com dedos especializados em diferentes tarefas, enquanto genes e hormônios orientam o desenvolvimento desses dedos.
Juntas, essas forças criaram uma mão em que cada dedo tem tamanho, forma e função diferentes, ajudando-nos a realizar tudo, desde apertos firmes até movimentos delicados.
Steven Lautzenheiser não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
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