Pirâmide alimentar dos EUA: mudanças nas diretrizes e o consumo de proteínas
Novo modelo foca na redução de produtos ultraprocessados e altera a recomendação de macronutrientes para os próximos anos
A pirâmide alimentar passou por uma revisão técnica nas Diretrizes Alimentares dos Estados Unidos para o período de 2025-2030. O novo modelo propõe uma inversão na prioridade dos grupos alimentares, aumentando o destaque para proteínas e gorduras, enquanto restringe o consumo de carboidratos refinados e itens ultraprocessados. A atualização está alinhada às propostas do movimento "Make America Healthy Again" (MAHA), que busca incentivar o consumo de alimentos em sua forma natural.
Diferente do modelo anterior e do formato "MyPlate", a configuração atual posiciona carnes, laticínios integrais e vegetais em patamares de maior relevância. De acordo com a Dra. Alessandra Rascovski, endocrinologista e diretora da clínica Atma Soma, a mudança atende a observações médicas sobre a baixa ênfase proteica das diretrizes passadas.
A médica relaciona a nova estrutura ao uso de medicamentos para obesidade, como semaglutida e tirzepatida. Segundo a especialista, o papel educativo da nova pirâmide auxilia na organização do repertório alimentar, visto que os fármacos atuam na saciedade, mas não realizam a seleção nutricional dos alimentos consumidos pelo paciente.
Parâmetros nutricionais e equilíbrio
As diretrizes atualizadas estabelecem critérios específicos para o consumo diário:
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Proteínas: Ingestão de 1,2 a 1,6 g por quilo de peso corporal.
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Laticínios: Permissão para versões integrais, desde que sem adição de açúcar.
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Carboidratos: Redução de refinados e manutenção de grãos integrais, frutas e legumes.
A nutricionista Luisa Nunes afirma que a aplicação dessas normas deve ocorrer sem extremismos. Para a profissional, a prática alimentar deve integrar proteínas, gorduras e fibras, focando na diminuição de açúcares e processados no conjunto da dieta, em vez de isolar alimentos específicos.
No campo da oncologia, o médico Elge Werneck, da Oncoclínicas, aponta que o foco em proteínas auxilia na manutenção da massa muscular e na longevidade. Entretanto, o especialista reforça que as orientações não autorizam o consumo irrestrito, mantendo-se a necessidade de equilíbrio com frutas e verduras.
Apesar das atualizações, a Associação Americana do Coração manifestou preocupação com os níveis de sódio e gorduras saturadas presentes em carnes vermelhas e laticínios integrais. O consenso científico atual indica que o foco em alimentos minimamente processados é positivo, mas o impacto das quantidades de longo prazo ainda é objeto de estudos. No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira já prioriza alimentos in natura, mas a revisão dos EUA influencia diretamente as discussões globais sobre nutrição e políticas públicas.