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Petrobras eleva diesel em 11,6%, mas diz que impacto na bomba será residual

13 mar 2026 - 12h02
(atualizado às 16h45)
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A Petrobras elevará o preço do diesel ‌A (puro) em suas refinarias em 11,6%, ou R$0,38 o litro, a partir de sábado, para uma média de R$3,65 por litro, em movimento que atenua a defasagem do valor da estatal em relação ao mercado internacional, após uma disparada do preço do petróleo em função da guerra no Golfo Pérsico.

Logo da Petrobras
5/06/2025
REUTERS/Ricardo Moraes
Logo da Petrobras 5/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

O reajuste, segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, tem potencial de não afetar o consumidor final nos postos, já que ocorre após o governo lançar na véspera um programa de subvenção ⁠ao diesel, além de anunciar redução de tributos federais para o combustível.

Conforme o programa, o governo zerou a cobrança de Pis/Cofins ‌que incide sobre importação e comercialização do diesel, representando uma redução de R$0,32 por litro no valor do combustível a ser comercializado no país. Com o reajuste de R$0,38 o litro, o impacto ao consumidor final seria de alguns centavos.

"No ‌final das contas, o aumento do diesel para a sociedade é absolutamente ‌residual, de 6 centavos", disse Chambriard.

Em coletiva de imprensa para explicar o reajuste, Chambriard pontuou que a iniciativa do ⁠governo anunciada na véspera "não engessa nem altera a estratégia de formação de preços da Petrobras".

Os preços do diesel se tornaram uma grande preocupação para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição este ano, mas a executiva negou qualquer interferência na política da empresa.

"A Petrobras está seguindo sua estratégia comercial, evitando o repasse de volatilidade dos preços internacionais, e o governo fazendo a sua parte, zerando impostos federais e criando um programa de subvenção com o objetivo de ‌mitigar impactos do aumento do preço para a sociedade", afirmou.

Ainda de acordo com o programa governamental, o país vai subsidiar o valor ‌do diesel para empresas que aderirem à ⁠iniciativa em R$0,32 o litro, ⁠com parâmetros que ainda serão definidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo cálculos preliminares da Petrobras, o efeito combinado do ⁠ajuste de preços para as distribuidoras desta sexta-feira e o potencial ‌benefício do programa de subvenção será o ‌equivalente a R$0,70 por litro.

"Se não houvesse a política do governo, nós estaríamos aumentando em 70 centavos (o preço do diesel)", afirmou.

O programa do governo prevê ainda uma taxa de exportação de petróleo de 12%, para equilibrar as contas com a renúncia fiscal e os gastos do governo com o subsídio.

Mas Chambriard afirmou que isso não será um ⁠problema. "Eu exportava a US$60", disse ela. "Agora está em US$100. Posso reclamar de um imposto temporário de 12%?"

A CEO da Petrobras acrescentou que os preços mais altos do petróleo são "bons" para os dividendos aos acionistas e adicionou que os acionistas -- tanto governamentais quanto os privados -- estão felizes com a empresa.

DEFASAGEM PERMANECE

Apesar do reajuste, a defasagem dos preços da Petrobras ante o produto importado permanece, segundo especialistas.

"Esse reajuste de 38 centavos, ele nem ‌sequer chega perto de resolver o problema da defasagem de preços existente entre os preços internacionais e o preço da Petrobras", disse o sócio-diretor da Raion Consultoria Eduardo Oliveira de Melo.

"Essa medida vai muito mais na direção de atenuar ⁠os efeitos, mas não de resolver", afirmou.

A forte defasagem ocorreu após o preço do petróleo Brent, referência internacional, ter disparado de cerca de US$70 o barril, no fim de fevereiro, para pouco mais de US$100 o barril, nesta sexta-feira.

Como o mercado brasileiro é atendido pelo diesel importado, que responde por cerca de 25% do total consumido, uma menor defasagem é importante para importadores e distribuidores que importam o produto, disse Melo.

O desequilíbrio entre os preços locais e os internacionais vinha deixando os distribuidores relutantes em vender aos preços da Petrobras, pois temiam ter de recomprar o produto depois a preços mais altos.

AUMENTO DA PRODUÇÃO LOCAL

Para aumentar a produção de diesel, a Petrobras está operando suas refinarias a cerca de 97% da capacidade, disse Chambriard, e também adiou paradas de manutenção em duas delas.

No ano passado, a empresa operava as refinarias a cerca de 91% da capacidade e havia anunciado anteriormente que elevaria esse nível para 95% ao longo do primeiro trimestre.

"Estamos fazendo um esforço para entregar mais produtos no mercado brasileiro", disse Chambriard.

Ela disse ainda que a Petrobras não está pensando em mexer nos preços da sua gasolina nos próximos dias.

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