Perdas na indústria podem esconder fraudes e ciberataques
A manufatura é o setor mais atacado por sequestro de dados no Brasil, mas parte desses prejuízos ainda entra nos relatórios como refugo, retrabalho ou parada não programada. Para especialistas, sem saber a causa real da perda, a liderança acaba tentando resolver o problema errado.
Muitas perdas operacionais na indústria mascaram fraudes e ciberataques impulsionados pela venda de credenciais roubadas e pela digitalização desprotegida do chão de fábrica. Líder em casos de ransomware, o setor enfrenta desvios internos e extorsões que afetam finanças e reputação. Para combater o problema, especialistas defendem integrar a segurança da informação à gestão do negócio, cruzando dados técnicos com as áreas de compras, produção e logística a fim de identificar brechas reais.
Muitos criminosos já não precisam invadir sistemas: podem comprar o acesso pronto. Segundo o Global Threat Landscape 2025, da Fortinet, a oferta de logins e senhas roubados em fóruns clandestinos cresceu 42% em um ano. Os registros de programas que roubam senhas subiram 500%, com 1,7 bilhão de credenciais compartilhadas. Também cresceu a venda direta de acessos a redes corporativas, como VPN e acesso remoto. Com um login válido, o invasor age como funcionário ou fornecedor legítimo e pode alterar dados bancários de fornecedores, informações de pedidos de compra ou registros de produção.
Assim, o ataque cibernético pode facilmente passar por erro operacional ou servir de base para fraude. Segundo a Fortinet, a indústria liderou em vítimas de ransomware (sequestro de dados) no mundo em 2024 (17% do total). Ferramentas de IA já imitam voz e imagem de executivos para pedir pagamentos ou acessos.
A fraude corporativa também pesa. Segundo a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), referência mundial no tema, as organizações perdem 5% da receita anual com fraudes e desvios internos: R$ 1 para cada R$ 20 faturados. Esses casos costumam levar cerca de 12 meses para serem descobertos. Nem toda fraude envolve ataque cibernético, nem todo ataque gera fraude, mas ambos podem passar despercebidos e ser registrados como simples perdas operacionais.
Nesse cenário, a IndraMind Cybersecurity, divisão do Indra Group, criou um e-book com estudos e dados que explicam cibersegurança e prevenção a fraudes sob a perspectiva de seus impactos no negócio: operação, caixa e reputação.
Quando fraudes e ataques são registrados como problemas operacionais
Toda indústria acompanha suas perdas mais conhecidas: refugo, retrabalho, queda de rendimento, paradas não programadas, diferenças de estoque de matéria-prima, roubo de cargas, multas contratuais e inadimplência de clientes. Poucas sabem quanto dessas perdas decorre de fraudes, manipulação de processos, uso indevido de credenciais ou incidentes de segurança.
"A questão não é apenas quanto a empresa perde, mas quanto das perdas na produção, na logística e no financeiro tem por trás uma fraude ou um ataque que ainda não foi identificado como tal", afirma Afonso Coelho, Head da IndraMind Cybersecurity no Brasil. Para ele, registrar o prejuízo só como refugo, desvio de processo ou falha de equipamento leva a liderança a investir na eficiência da linha quando o problema real está no controle e na segurança.
Cibersegurança: ataques à indústria crescem e chegam ao chão de fábrica
Segundo o Manufacturing Threat Landscape, da Check Point, as indústrias sofrem, em média, 1.585 ataques por semana, um aumento de 30% em um ano. Em 2025, no Brasil, a manufatura liderou as vítimas confirmadas de ransomware, segundo a ESET, e a Fortinet registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataque no país.
Para os criminosos, parar uma linha de produção gera prejuízo imediato e pressiona a empresa a pagar rápido. Estima-se que mais de 85% dos ataques de ransomware envolvam dupla extorsão: além de bloquear sistemas, os criminosos copiam previamente dados sensíveis, como projetos de engenharia, fórmulas, custos e contratos, e ameaçam divulgá-los.
A digitalização ampliou os pontos de entrada. Muitas máquinas e sistemas de controle da produção, projetados para durar 15 ou 20 anos, hoje estão ligados à rede corporativa e à internet sem proteção equivalente, criando pontos cegos entre fábrica e gestão. A Fortinet observou alta de 16,7% nas varreduras automatizadas de criminosos em busca de sistemas vulneráveis (36 mil por segundo), que também atingem protocolos industriais.
Fornecedores, identidades digitais e cadeia de suprimentos ampliam a exposição
O risco passa por centros de distribuição, portais de compras, integrações com fornecedores e clientes, redes de distribuidores, manutenção terceirizada e até perfis falsos em nome da empresa junto a parceiros.
Na logística, a NTC&Logística registrou 8.750 roubos de carga em 2025, queda de 16,7%, com prejuízo direto estimado em R$ 900 milhões, podendo superar R$ 1 bilhão somando seguros, reposição de insumos e paradas na produção. Cada vez mais, esses roubos começam com dados vazados ou clonados, como rotas, horários de coleta e logins de transportadoras.
"O criminoso não separa a fábrica do sistema de gestão, nem a cadeia de fornecedores da marca. Ele enxerga a operação inteira", ressalta Coelho. Para ele, a empresa que avalia cada área isoladamente não vê o risco como quem a ataca.
Fraude: sinais que o monitoramento técnico sozinho não identifica
Por isso, especialistas defendem que o tema deixe de ser só assunto de TI. Um centro de monitoramento de segurança tradicional acompanha alertas técnicos, mas dificilmente identifica, por si só, casos como:
- Dados bancários de um fornecedor alterados na véspera do pagamento;
- Um pedido de compra dividido em partes menores para escapar das aprovações exigidas;
- Um registro de produção ajustado para esconder desvio de insumos;
- Um acesso remoto de manutenção usado fora do horário autorizado.
Identificá-los exige cruzar dados de segurança com os de compras, finanças, produção e logística.
Impacto na operação, no caixa e na reputação
O e-book ajuda a diferenciar perdas operacionais de fraudes e incidentes de segurança, mostra o custo de confundi-los e aponta onde as perdas ocorrem na cadeia industrial: no cadastro e aprovação de fornecedores, no chão de fábrica e na logística de insumos e produtos acabados. Também explica por que o roubo de cargas costuma começar com um dado vazado, e não na estrada.
Mostra ainda como um único incidente pode gerar, ao mesmo tempo, crises financeira, operacional, regulatória, além de uma crise de reputação, com risco de quebra de contratos e multas de clientes. Por fim, apresenta um diagnóstico executivo de 4 a 6 semanas para medir essa exposição sem parar a produção e um roteiro prático de decisão.
Os dados completos e o modelo de maturidade que orienta essa jornada estão no material disponível neste link.
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