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Paleontólogos da UFSM descobrem nova espécie de réptil de 230 milhões de anos no RS

Batizado de Isodapedon varzealis, o "rincossauro" possuía bico de papagaio e placas dentárias simétricas para triturar vegetais

15 abr 2026 - 10h09
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Uma importante descoberta paleontológica na Região Central do Rio Grande do Sul revelou uma espécie até então desconhecida de réptil que habitou o estado no Período Triássico. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram o Isodapedon varzealis, um rincossauro herbívoro que viveu há cerca de 230 milhões de anos. O fóssil, um crânio bem preservado, foi escavado em 2020 na localidade de Várzea do Agudo e passou por um rigoroso processo de limpeza e análise no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM).

Foto: Caio Fantini/Divulgação / Porto Alegre 24 horas

O animal, que possuía um bico proeminente semelhante ao de um papagaio, media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento, podendo chegar a 3 metros em espécimes maiores. Sua principal característica distintiva, que deu origem ao nome Isodapedon ("placas dentárias iguais"), é a simetria de suas placas maxilares. Enquanto outros rincossauros possuem essas estruturas de forma assimétrica para esmagar plantas, a nova espécie apresenta uma organização uniforme, o que sugere uma especialização alimentar única para a vegetação da época.

Conexão com a Pangeia e Pico de Diversidade

A pesquisa, liderada pela doutoranda Jeung Hee Schiefelbein sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller, revelou um dado curioso sobre a evolução terrestre: o Isodapedon varzealis possui um parentesco próximo com rincossauros encontrados na Escócia. Essa semelhança reforça a teoria de que, durante o Triássico, os animais circulavam livremente pelo supercontinente Pangeia, sem as barreiras oceânicas atuais.

A descoberta foi publicada nesta terça-feira (14) na prestigiada revista científica Royal Society Open Science. Com esta, somam-se seis espécies de rincossauros encontradas no Brasil, indicando que o Rio Grande do Sul foi um centro de grande diversidade biológica durante o surgimento dos primeiros dinossauros. O fóssil agora integra o acervo do CAPPA, em São João do Polêsine, que faz parte do Geoparque Mundial da UNESCO e está disponível para visitação gratuita, consolidando a Quarta Colônia como um dos principais berços da paleontologia mundial.

Foto: Porto Alegre 24 horas

Caio Fantini/Divulgação

Porto Alegre 24 horas
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