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Violência é menor onde se proíbe pais de bater nos filhos

Pesquisadores cruzaram dados de mais de 400 mil adolescentes em 88 países

16 out 2018 - 23h38
(atualizado em 17/10/2018 às 08h10)
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Crianças que apanham dos pais são mais propensas a cometerem atos violentos fora de casa? Um estudo realizado por pesquisadores no Canadá apontou que sim: países onde adultos são proibidos de baterem em seus filhos têm menos incidência de violência entre jovens.

Briga entre crianças e adolescentes é mais comum em países onde a punição física é legal, diz estudo
Briga entre crianças e adolescentes é mais comum em países onde a punição física é legal, diz estudo
Foto: DW / Deutsche Welle

Cientistas da Universidade McGill, em Montreal, analisaram 88 países ao redor do mundo para entender a relação entre brigas na juventude e o uso da força física dentro de casa. Os resultados foram publicados nesta terça-feira (16/10) na revista científica BMJ Open.

A conclusão foi de que nações que proíbem a punição física de crianças registram, em média, 31% menos casos de brigas entre jovens garotos e 42% menos casos de brigas entre jovens meninas, em comparação com países que permitem a prática - seja em casa ou na escola.

Por outro lado, Estados que adotam uma proibição parcial - ou seja, vetam apenas a punição física nas escolas, mas não em casa - apresentaram um índice de violência entre jovens meninos semelhante ao de países sem qualquer proibição. Apenas a incidência de brigas entre meninas foi menor do que em nações que liberam castigos corporais em qualquer situação.

Estudos anteriores já apontaram que a palmada na infância pode trazer consequências negativas que vão de tendência a agressão a problemas de saúde mental. Os cientistas canadenses, no entanto, frisam que sua pesquisa busca apenas fazer uma associação, e não uma relação de causa, entre a proibição legal da punição física e a violência na juventude.

"O que podemos dizer é que países que proíbem o uso de castigos corporais são menos violentos para crianças crescerem do que os países que não o fazem", afirma Frank Elgar, do Instituto de Saúde e Política Social da McGill, principal autor do estudo.

Os pesquisadores concluíram ainda que a associação continuou valendo mesmo depois de levarem em consideração fatores como renda per capita da população, taxas de homicídio e programas de educação aos pais para prevenir maus-tratos à criança.

O estudo reuniu dados coletados por pesquisas internacionais sobre o comportamento de crianças em idade escolar, incluindo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Questionários respondidos por mais de 400 mil adolescentes foram usados para cruzar os dados com o status do país sobre sua legislação em relação à punição corporal.

Foram analisados 30 países que proíbem castigos físicos em qualquer circunstância (sendo a maioria na Europa), 38 países com proibição parcial, ou seja, na escola, mas não em casa (entre eles China, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido) e 20 países que liberam a prática (de Myanmar às Ilhas Salomão).

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