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Os cientistas e as eleições

Artigo traz reflexões sobre ciência nas eleições 2026.

26 set 2026 - 17h35
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Resumo
A ciência é vital ao desenvolvimento econômico e social do Brasil, mas foi duramente afetada por cortes e ataques durante a gestão Bolsonaro. Por isso, a comunidade científica apoia governos de esquerda, como os de Lula e Dilma, que historicamente priorizaram o fomento à área e às universidades. O cenário atual traz ainda a oportunidade inédita de fortalecer esse avanço por meio da eleição de uma bancada representativa da ciência no Legislativo, contando com candidatos do próprio setor.

É quase um lugar-comum, mas é preciso insistir até que fique muito claro para todos: hoje, um dos principais fatores — senão o principal — para o avanço tecnológico e, portanto, para boa parte do bem-estar das pessoas depende da ciência.

Foram essas descobertas que permitiram, por exemplo, o aumento significativo da produtividade agrícola no Brasil, sobretudo devido às pesquisas de Johanna Döbereiner. Décadas atrás, ela conseguiu fixar o nitrogênio nas plantas, apenas retirando-o do ar, sem precisar gastar dezenas de bilhões de dólares.

Mais recentemente, Mariangela Hungria, na Embrapa, também trouxe grandes avanços, estudando bactérias que promovem o crescimento vegetal.

Já nas cidades, em que aumentou o uso dos aplicativos para transporte pessoal — como carro privado (Waze), carro alugado (Uber) — ou ainda para entregas de comida (iFood), tudo isso depende do celular e das redes, que também se devem à ciência.

Da ciência depende nossa prosperidade, individual e coletiva. Então, a questão que paira na véspera das eleições é:

Qual candidato nosso é mais favorável à ciência?

Comecemos lembrando um fato importante: o governo de Bolsonaro, pai de um dos candidatos, foi cruel com a área científica. Retirou parte substancial do dinheiro destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Cortou verbas das agências de fomento como Capes e CNPq.

Além disso, quase toda a ciência brasileira é feita nas universidades públicas, ou seja, nas universidades federais e algumas estaduais, sobretudo as paulistas, sem esquecer as paranaenses e fluminenses.

Ora, as universidades federais foram tratadas de maneira muito dura pelo governo passado, não apenas com cortes de verbas significativos, mas também com ofensas.

Um de seus ministros da Educação disse, sem provas, que seriam territórios de "balbúrdia". Os demais ministros dele desprezaram o quanto elas contribuem para o avanço científico.

Tudo isso atrasou nosso desenvolvimento científico e, com ele, nossa economia e, claro, o futuro do país.

Por estas razões, as conversas que tenho tido na comunidade científica deixam claro que nela há uma forte oposição aos Bolsonaro, nos quais se enxerga uma aversão à ciência.

Por outro lado, tanto os governos Lula 1 e 2 quanto os dois governos Dilma — sendo que tive a honra de participar do segundo, ainda que brevemente, como ministro da Educação — e agora o governo Lula 3, fizeram o possível para aumentar essas verbas.

Isso ainda não basta para o Brasil decolar como potência científica, mas pelo menos se seguiu o caminho certo. Por isso também, há forte apoio na comunidade à reeleição do presidente Lula.

Mas há uma novidade importante. Na legislatura que passou, tivemos pela primeira vez um deputado - ainda que brevemente, porque Ricardo Galvão (SP) era suplente e só assumiu o cargo por poucos meses - que vinha da área da ciência.

Sim, antes dele tivemos cientistas de peso na Câmara, como Florestan Fernandes, e no Senado, como Darcy Ribeiro, mas aquele sociólogo e esse antropólogo estiveram lá como políticos, mais do que em nome de uma bancada da ciência.

E desta vez temos candidatos, pelo menos em São Paulo, onde Galvão tenta um mandato, e no Rio de Janeiro, onde estão na disputa Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde, Tatiana Roque, ex-secretária municipal de Ciência e Tecnologia, e Celso Pansera, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Temos a oportunidade, pela primeira vez, de eleger uma bancada plural da ciência; não devemos perder esta chance.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Renato Janine Ribeiro recebeu, como milhares de cientistas, financiamento do CNPq e da Fapesp. For presidente e é afiliado à SBPC, bem como membro da ABC e da ACIESP, entidades que congregam cientistas.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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