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Os 100 anos de guerra do México contra o narcotráfico

25 fev 2026 - 16h10
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O tráfico de drogas no país surgiu como resposta à alta demanda nos EUA. As antigas redes de contrabando foram aos poucos substituídas por poderosos cartéis, que hoje são ameaça constante ao Estado.Com a captura e morte pelo Exército mexicano do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e mais poderoso narcotraficante do México, Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", o governo mexicano desferiu um golpe crucial contra o narcotráfico, que tem impactado o destino do país latino-americano por mais de 100 anos e que está longe de desaparecer.

Soldado guarda área onde 134 toneladas de maconha são queimadas em base militar mexicana
Soldado guarda área onde 134 toneladas de maconha são queimadas em base militar mexicana
Foto: DW / Deutsche Welle

A DW revisita as etapas mais importantes da história do narcotráfico mexicano.

1914: proibição e demanda nos EUA

As raízes do narcotráfico no país remontam ao início do século 20. Em 1914, a Lei de Impostos sobre Narcóticos Harrison restringiu a importação, fabricação e distribuição de opiáceos e produtos de coca nos Estados Unidos.

No entanto, isso não conseguiu conter o "apetite" dos americanos por drogas como cocaína, heroína e morfina. Essa demanda fez florescer o comércio ilegal de entorpecentes no México e, a partir de 1914, os narcotraficantes começaram a importar para os EUA drogas provenientes principalmente da Europa.

Na década de 1930, o México passou a cultivar drogas, tornando-se um país produtor, relata à DW Benjamin Smith, professor de História Latino-Americana na Universidade de Warwick, no Reino Unido.

1970: aumento da violência

Segundo Smith, que é autor de um livro sobre o narcotráfico no México, durante muito tempo o tráfico de drogas foi um negócio majoritariamente pacífico, praticado principalmente por pessoas de origem humilde, muitas delas com vínculos familiares.

No entanto, nos anos 70, o Estado mexicano se viu obrigado a responder à pressão dos Estados Unidos e começou a combater os narcotraficantes com métodos cada vez mais violentos - por exemplo, torturando suspeitos para obter informações. Isso teria criado uma crise de confiança dentro das próprias redes de narcotraficantes, afirma Smith.

1980-1990: nascimento dos cartéis

O especialista define os cartéis como "sistemas de governo paralelos ao Estado mexicano, que controlam todo o comércio ilícito de uma área". Smith diferencia esses cartéis das redes independentes de produção e contrabando existentes anteriormente.

Em sua avaliação, o Cartel de Tijuana foi o primeiro do tipo no México, fundado pelos irmãos Arellano Félix, no estado mexicano de Baja California. Nas décadas de 1980 e 1990, outras grandes organizações criminosas se consolidaram, como o Cartel de Sinaloa, o Cartel do Golfo e o Cartel de Juárez.

A partir de 1989, os cartéis teriam começado a controlar cada vez mais as economias ilícitas no país, absorvendo o narcotráfico e desafiando o poder do então partido governante Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Embora o historiador reconheça que existam regiões no México onde o crime organizado estabeleceu governos paralelos - muitas vezes com fortes vínculos com políticos locais e estaduais, como em Michoacán, Guerrero, Jalisco e Sinaloa -, ele rejeita a ideia de que o México seja um Estado corrupto aliado ao narcotráfico.

"Grande parte do Estado mexicano não tem vínculos com o crime organizado, especialmente em comparação com outros países latino-americanos. Há muitos lugares no México onde não há muita corrupção em nível municipal ou regional", observa Benjamin Smith.

2006: a guerra contra o narcotráfico

Sob o governo do presidente Felipe Calderón (2006-2012), o Estado mexicano iniciou uma guerra frontal contra os cartéis. Desde então, diferentes governos mobilizaram, em maior ou menor grau, o Exército e outras forças de segurança, como a Guarda Nacional, para essa tarefa.

As capturas de "El Chapo" Guzmán (2018) e "El Mayo" Zambada (2024) - ambos fundadores do Cartel de Sinaloa — e suas posteriores extradições para os Estados Unidos enfraqueceram a organização criminosa. No entanto, a disputa por liderança dentro do cartel desencadeou uma onda de violência no estado de Sinaloa.

Alguns observadores temem que a recente captura do líder do poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación possa gerar uma crise de violência semelhante.

Contudo, o historiador Smith lembra que o México será uma das sedes da Copa do Mundo de 2026, a partir de junho. Ele está convencido de que existe uma espécie de pacto secreto entre o Estado e os cartéis, segundo o qual as autoridades exigem que os criminosos mantenham um perfil discreto.

"Isso não significa que o governo esteja apoiando os cartéis, mas que está dizendo: se vocês vão continuar com seus negócios, suas matanças, que o façam sem causar tantos problemas", afirma o professor da Universidade de Warwick.

Este ano, a guerra contra o narcotráfico no México completará 20 anos — e ainda não há fim à vista.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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