Ormuz emperra negociações por cessar-fogo entre Irã e EUA
Representantes de Teerã e Washington fizeram reunião presencial no primeiro dia de conversas de alto nível no Paquistão, em contato sem precedentes entre as duas nações desde a Revolução Islâmica. Acompanhe o conflito.
EUA e Irã concordam em cessar-fogo de duas semanas, mas trégua mostra sinais de fragilidade.
Negociadores de Irã e EUA começaram neste sábado (11/04) a discutir os termos do acordo em Islamabad, no Paquistão.
Israel mantém ataques ao Líbano e diz que trégua não vale para sua guerra contra o Hezbollah, aliado do Irã.
Irã exige trégua no Líbano para dialogar com os EUA.
Retomada do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz ainda é incógnita, e Irã ainda limita passagem na rota marítima para pressionar por cessar-fogo no Líbano.
Após ataques israelenses que deixaram mais de 300 mortos, Líbano anuncia reunião com Israel, mediada pelos Estados Unidos, para discutir cessar-fogo. Israel mantém ofensiva contra o Hezbollah.
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Ormuz é principal ponto de discórdia em reunião histórica no Paquistão
O primeiro dia da reunião presencial entre Estados Unidos e Irã teve, neste sábado (11/04), duas rodadas de conversas na capital do Paquistão, Islamabad. A Casa Branca confirmou que ambos os lados se sentaram "cara a cara", caso raro de negociações de alto nível, e informou que o encontro por um acordo de cessar-fogo provavelmente teria uma terceira rodada "pela madrugada ou neste domingo (12/04)".
A delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, e a iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, discutiram com o Paquistão, que serviu de mediador, como fazer avançar o cessar-fogo, já ameaçado por profundas divergências e pelos contínuos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano.
Desde a Revolução Islâmica em 1979, o contato mais direto entre ambos os países havia ocorrido em 2013, quando o presidente Barack Obama ligou para o recém-eleito presidente Hassan Rouhani para discutir o programa nuclear iraniano. As reuniões de alto nível mais recentes foram entre o então secretário de Estado John Kerry e seu homólogo Mohammad Javad Zarif durante as negociações sobre o programa.
Representantes da China, do Egito, da Arábia Saudita e do Catar também estão em Islamabad para facilitar indiretamente as negociações, de acordo com a agência Associated Press (AP).
Pontos do acordo
Durante as negociações, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA haviam começado a "limpar" o Estreito de Ormuz. Poucas horas depois, o Comando Central Militar americano anunciou que dois destróiers haviam entrado em Ormuz, o que foi prontamente negado pelas forças armadas iranianas.
Em Islamabad, o Irã afirmou que qualquer acordo para encerrar a guerra deve incluir o descongelamento dos ativos iranianos pelos Estados Unidos, assim como o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano, o que, segundo Vance, não está em discussão durante a rodada no Paquistão. Líbano e Israel devem se encontrar na próxima terça-feira (14/04), em Washington, para negociar.
O correspondente da televisão estatal iraniana nas negociações disse que houve progresso nessas questões, dando ao Irã a confiança para prosseguir. Uma autoridade americana negou relatos de que Washington tivesse concordado em descongelar ativos iranianos mantidos no Catar.
Já as agências de notícias locais Tasnim e Fars citaram "exigências excessivas" por parte dos EUA, identificando o Estreito de Ormuz como o principal ponto de discórdia. De acordo com as reportagens, essas exigências estão impedindo o avanço das negociações.
A delegação iraniana insiste na "preservação das conquistas militares", afirmou a Tasnim, em uma possível referência ao programa de mísseis de Teerã.
A proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã antes das negociações exigia a garantia do fim da guerra e a manutenção do controle do Estreito de Ormuz pela república islâmica. A lista incluía o fim dos combates contra os "aliados regionais" do Irã, exigindo explicitamente a suspensão dos ataques israelenses contra o Hezbollah.
Já a proposta de 15 pontos dos Estados Unidos inclui restrição do programa nuclear do Irã e a reabertura do estreito de Ormuz.
fcl (AP, AFP, DPA)
Irã ameaça atacar navio dos EUA no Estreito de Ormuz
O Irã ameaçou atacar um navio de guerra dos Estados Unidos que se aproximava do Estreito de Ormuz neste sábado (11/04). É o primeiro dia de negociações de paz entre os dois países, que buscam consolidar um frágil cessar-fogo.
A Marinha iraniana alertou que a embarcação americana não deveria avançar na rota marítima, bloqueada desde o início da guerra no Oriente Médio, que é essencial para a circulação mundial de petróleo.
Forças da República Islâmica estavam monitorando de perto o contratorpedeiro americano, disse a mídia estatal. Caso o navio mantivesse seu curso, estaria sujeito a um ataque, alertou.
A delegação iraniana no Paquistão, onde correm as negociações com os Estados Unidos, teria apresentado uma queixa ao país mediador, exigindo que o navio deixasse o estreito.
Dados do serviço de rastreamento marítimo VesselFinder mostraram no Golfo uma embarcação do governo dos Estados Unidos, de tipo não especificado, o que é comum no caso de navios militares.
ht (dpa)
Israel mantém ataques contra Líbano antes de negociação nos EUA
O Exército de Israel continuou neste sábado (11/04) a onda de ataques contra diferentes pontos do sul do Líbano, enquanto seus caças sobrevoavam a capital, Beirute. Na noite da véspera, a presidência libanesa anunciara um primeiro contato telefônico com Tel Aviv para discutir um cessar-fogo, segundo a imprensa oficial.
A agência de notícias libanesa ANN reportou que Israel atacou diversas localidades do sul do país, como Mansouri, Jouya, Qantara e Tebnine, onde um bombardeio atingiu as "proximidades" de um hospital público. Não há, por ora, registro de vítimas.
Além disso, Israel "rompeu a barreira do som em duas ocasiões, com aviões de guerra voando a baixa altitude sobre Beirute" e os subúrbios ao sul da capital, segundo a agência. Estas áreas têm sido duramente castigadas desde o início do conflito entre forças israelenses e o Hezbollah em 2 de março.
Segundo o Líbano, os embaixadores dos dois países nos EUA agendaram uma reunião para a próxima terça-feira na sede do Departamento de Estado americano, em Washington. Será discutido "o anúncio de uma trégua e a data de início das negociações", de acordo com a presidência.
Israel realizou uma onda de bombardeios contra o Líbano na última quarta-feira, que resultou em 357 mortos em um único dia, além de 1.223 feridos. O balanço total de mortes desde o início do conflito, há cinco semanas, ultrapassa 1.950 pessoas, segundo o Ministério da Saúde Pública libanês.
ht (EFE)
EUA e Irã dão pontapé às conversas de paz no Paquistão
As delegações dos Estados Unidos e do Irã chegaram a Islamabad, no Paquistão, para dar início neste sábado (11/04) às conversas de paz. É a primeira vez em mais de um mês, desde o início da guerra no Oriente Médio, que os dois países se sentam à mesa de negociação.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou o início das negociações, abertas com uma reunião entre ele e os EUA. Segundo o seu gabinete, ele expressou "a esperança de que essas negociações servissem como um trampolim para uma paz duradoura na região."
Do lado americano, a comitiva é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Já a delegação iraniana tem à sua frente o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Vance foi recebido pelo vice-primeiro-ministro e titular das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, antes de ser transferido para a chamada "Zona Vermelha" da capital, a área administrativa onde ocorrerão as negociações sob estrita vigilância militar.
"Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, estamos dispostos a estender a mão. Se tentarem nos enganar, encontrarão uma equipe negociadora pouco receptiva", disse o vice.
Por sua vez, os iranianos foram recebidos na noite de sexta-feira por Dar e pelo chefe do Estado-Maior do Exército, o general Asim Munir. Outros membros da comitiva — que, segundo a mídia estatal iraniana, tem 71 pessoas —, incluem o titular das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, general Ali Akbar Ahmadian, e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.
Na chegada a Islamabad, Ghalibaf afirmou que o Irã está aberto para negociar, mas sem confiança nos EUA. "Em menos de um ano e em meio a negociações, apesar da boa vontade da parte iraniana, fomos atacados e foram cometidos múltiplos crimes de guerra."
Já Trump renovou as ameaças na sexta-feira, afirmando que os EUA se preparam para um duro ataque caso fracassem as negociações, ou se o Irã violar ofrágil cessar-fogo anunciado na terça-feira. Ainda segundo ele, o Pentágono considera ainda abrir à força o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para a circulação de petróleo.
ht (EFE, AFP, Reuters)
Líbano e Israel vão negociar cessar-fogo na próxima terça, em Washington
Líbano e Israel vão realizar, na próxima terça-feira (14/04), uma reunião mediada pelos Estados Unidos, no Departamento de Estado americano, em Washington, informou a presidência libanesa na noite desta sexta-feira (10/04).
Segundo o Líbano, os dois países fizeram seu primeiro contato por meio de uma ligação telefônica entre seus embaixadores em Washington, também na sexta-feira. O embaixador dos Estados Unidos no Líbano participou da conversa.
De acordo com o comunicado, as negociações vão tratar de "um cessar-fogo e de uma data para o início de negociações patrocinadas pelos EUA entre Líbano e Israel".
Na quinta-feira, após um dia de intensos bombardeios israelenses contra o Líbano, que deixaram mais de 350 mortos, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou ter instruído seu gabinete a iniciar conversas com o Líbano que envolvam o desarmamento do grupo militante Hezbollah e o "estabelecimento de relações pacíficas" entre os dois países.
Ambas as nações estão em conflito desde 1948, ano da fundação do Estado de Israel, que não é reconhecido pelo Líbano.
fcl (DW)
Irã diz que EUA ainda não cumpriram duas das condições para negociações de paz
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta sexta-feira (10/04) que os Estados Unidos ainda não cumpriram duas das condições que aceitaram para iniciar as negociações de paz no Paquistão: o cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos congelados.
"Ainda restam ser aplicadas duas das medidas estipuladas de comum acordo entre as partes: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos congelados antes do início das negociações", disse Ghalibaf na rede social X.
"Estas duas questões devem ser resolvidas antes do início das negociações", declarou Ghalibaf nesta sexta na mesma rede social.
Está previsto que Irã e Estados Unidos comecem as negociações de paz amanhã no Paquistão, país que atua como mediador entre os dois rivais.
De fato, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, seguiu hoje para Islamabad e afirmou estar confiante de que as negociações de paz para pôr fim à guerra do Irã "serão positivas", embora tenha acrescentado: "veremos, é claro".
No entanto, Teerã colocou em dúvida ao longo do dia a sua participação diante dos ataques israelenses no Líbano, que deixaram mais de 300 mortos.
O Irã insiste que o cessar-fogo no país árabe faz parte do acordo com os Estados Unidos para começar a negociar, ao qual se somou agora a liberação de seus ativos.
Israel, contudo, demonstrou a sua intenção de continuar atacando o Hezbollah no Líbano, apesar de Trump ter pedido ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que reduzisse as operações israelenses na região.
JPS (EFE)
Sánchez insiste para que UE pressione Israel: "Não permitamos uma nova Gaza no Líbano"
O premiê espanhol, Pedro Sánchez, insistiu novamente nesta sexta-feira (10/04) para que os membros da União Europeia (UE) suspendam o acordo de associação com Israel diante das violações "flagrantes" do direito internacional humanitário que o país está cometendo.
"Não permitamos uma nova Faixa de Gaza no Líbano", disse o premiê.
Sánchez pediu à UE que aja com coerência e empatia e responda a um país, Israel, que está "atropelando e violando" muitos dos artigos desse acordo de associação, afirmou no European Pulse Forum, organizado pelo portal de notícias Politico e pela beBartlet na cidade de Barcelona.
Foi com essas declarações que Sánchez se referiu à atual operação militar israelense em território libanês e à ofensiva na Faixa de Gaza, que causou mais de 72.000 mortos, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, depois que o braço armado do movimento islâmico Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou 250 em 7 de outubro de 2023.
O chefe do governo, que defendeu o reforço da autonomia da UE, insistiu na necessidade de uma política externa, de segurança e de defesa comum europeia e, nesse contexto, apostou em avançar "já amanhã" rumo a um exército europeu, "não daqui a dez anos, nem daqui a dois".
jps (EFE)
Fifa rejeita transferir jogos do Irã nos EUA durante Copa do Mundo
A Fifa decidiu não transferir os jogos do Irã na Copa do Mundo dos Estados Unidos para o México, apesar da guerra no Oriente Médio, afirmou a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, nesta sexta-feira (10/04).
O Irã solicitou não disputar seus três jogos da fase de grupos nos EUA, depois que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, em confrontos que só cessaram nos últimos dias graças a um frágil cessar-fogo, com Washington ameaçando continuar seus ataques.
"A Fifa decidiu, em última instância, que as partidas não podem ser transferidas de seus locais originais", disse Sheinbaum em uma coletiva de imprensa. Do ponto de vista da Fifa, isso teria implicado "um enorme esforço logístico", afirmou ela.
A entidade mundial já havia manifestado reservas quanto ao pedido do Irã de transferir suas partidas contra Bélgica, Nova Zelândia e Egito na Copa do Mundo, que será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos EUA, México e Canadá.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, vinha pressionando para que o Irã participasse, apesar das relações tensas entre Teerã e Washington.
"Queremos que o Irã jogue; e o Irã vai jogar na Copa do Mundo. Não há plano B, C ou D - há apenas o plano A", disse Infantino às emissoras mexicanas N+ Univision há duas semanas.
O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, afirmou recentemente que a seleção está boicotando os EUA, mas não a Copa do Mundo, sem fornecer mais detalhes, segundo a agência de notícias estatal IRNA.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que considera "inadequado" que o Irã participe "para sua própria vida e segurança".
fcl (dpa)
Crise de combustíveis ameaça voos na Europa, alertam aeroportos
A Europa pode ter que enfrentar uma crise de desabastecimento nos aeroportos do continente dentro de três semanas, se o Estreito de Ormuz não for reaberto, diz um alerta enviado pelo Conselho de Aeroportos Internacional da Europa (ACI, na sigla em inglês) à Comissão Europeia.
A carta, enviada nessa quinta-feira (09/04) e divulgada pelo Financial Times numa reportagem publicada nesta sexta (10/04), afirma que a crise no combustível para a aviação pode "impactar significativamente a economia europeia". Segundo especialistas, um eventual desabastecimento levaria a cancelamentos de voos e em mais aumentos nos preços das passagens aéreas.
O ACI solicitou à Comissão Europeia que intervenha e mapeie a disponibilidade atual e projetada de combustível de aviação em relação às necessidades, identifique fontes alternativas de importação, avalie ameaças aos fluxos de combustível dentro da União Europeia e analise os níveis de reservas comerciais e estratégicas.
Os preços do combustível de aviação mais do que duplicaram, passando de US$ 150 para US$ 200 por barril nas últimas semanas, o que significou um golpe financeiro para um setor em que o combustível representa até um quarto das despesas operacionais.
"Se a passagem pelo estreito de Ormuz não for retomada de forma significativa e estável nas próximas três semanas, a escassez generalizada de combustível de aviação está prestes a se tornar uma realidade para a UE", diz a carta.
A entidade também solicitou uma série de intervenções políticas imediatas, incluindo a suspensão temporária das restrições à importação de combustível de aviação, em especial as que estão previstas no novo regulamento da UE sobre o metano, que entrará em vigor em janeiro de 2027.
O órgão também sugeriu a compra coletiva de combustível de aviação pela EU e obrigações específicas para as refinarias, a fim de garantir a produção e incluir aeroportos, companhias aéreas e prestadores de serviços nos auxílios estatais em resposta à crise.
Cancelamento de voos
Cerca de 60% de todo o combustível de aviação utilizado pela Europa tem como origem as refinarias do Golfo, com mais de 40% desse volume sendo transportado via Ormuz.
Em entrevista ao The Guardian, Rico Luman, economista do banco de investimentos ING, disse que algumas companhias aéreas podem ser forçadas a cancelar voos nas próximas semanas devido ao esgotamento de reservas de combustível. Isso afetaria principalmente os aeroportos menores, mais distantes dos grandes hubs.
Segundo Luman, as aéreas provavelmente cortariam primeiro os voos em rotas de lazer menos populares, por haver menor demanda. "Isso pode acontecer nas próximas duas semanas", disse o economista ao jornal britânico.
Companhias de menor porte, como Air New Zeland, AirAsia X, Vietnam Airlines, a escandinava SAS e as britânicas Skybus e Aurigny já vêm reduzindo voos e cancelando rotas em resposta aos preços mais altos.
Já Michael O'Leary, diretor executivo da Ryanair, disse esta semana que a aérea, a maior da Europa, está considerando reduzir 10% de seus voos.
fcl (Reuters, ots)
General afirma que Israel mantém "estado de guerra" e descarta cessar-fogo no Líbano
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), Eyal Zamir, afirmou nesta sexta-feira (10/04) que seguem atacando o sul do Líbano e que se mantêm em "estado de guerra", pois, segundo ele, "não há um cessar-fogo" com a milícia xiita libanesa Hezbollah.
"Nós nos mantemos em estado de guerra, não há um cessar-fogo e continuamos combatendo nesta frente. Esta é a nossa principal frente de combate", garantiu Zamir em uma visita a Bint Jbeil, na província de Nabatiyeh (sul do Líbano), segundo declarações divulgadas pela assessoria de imprensa das FDI.
As forças armadas israelenses já haviam comunicado na noite de ontem novos ataques ao Líbano contra supostas "plataformas de lançamento" de projéteis do Hezbollah no país vizinho.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, insistiu também ontem que "não há cessar-fogo no Líbano" e Israel tem mantido uma intensa campanha de bombardeios no país, que provocou cenas de destruição em áreas civis de Beirute e deixou centenas de mortes.
As negociações de paz entre Irã e EUA estão previstas para amanhã no Paquistão, mas o Irã ameaçou nesta sexta não comparecer à mesa de diálogo se Israel não suspender seus ataques no Líbano nas próximas horas, segundo a imprensa oficial iraniana.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, assegurou também ontem que as violações do cessar-fogo terão uma forte resposta, argumentando que o Líbano faz parte da trégua acordada com os Estados Unidos.
Enquanto isso, as sirenes antiaéreas soaram ao longo da quinta-feira e nas primeiras horas da manhã desta sexta em áreas do norte de Israel devido aos ataques do Hezbollah a partir do Líbano, que não deixaram feridos.
jps (EFE)
OMS denuncia que Israel ameaça atacar ambulâncias no Líbano
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu nesta sexta-feira a advertência das autoridades israelenses de que atacarão também as ambulâncias nas áreas do Líbano onde ordenaram evacuações, denunciou em entrevista coletiva o representante da agência em Beirute, Abdinasir Abubak.
"Tanto os profissionais de saúde quanto as instalações médicas e as ambulâncias são protegidos pelo direito internacional humanitário", destacou Abubak por via telemática aos correspondentes credenciados na ONU em Genebra.
Lembrou que em quase cinco semanas de ataques israelenses no Líbano morreram mais de 50 profissionais de saúde e outros 150 ficaram feridos, em alguns casos após ataques a ambulâncias em serviço.
Abubak também apontou que o atendimento aos mais de mil feridos assistidos nos hospitais libaneses após os ataques em massa de 8 de abril exigiu suprimentos médicos que, em condições normais, teriam durado três ou quatro semanas, mas que neste momento de emergência estão escassos.
"Há um risco potencial de escassez de material para traumatologia, medicamentos, sangue e muitos outros materiais necessários para o tratamento de traumas", afirmou o representante da OMS.
"Os hospitais e o sistema de saúde em geral estão sobrecarregados", resumiu Abubak, indicando que a agência de saúde da ONU trabalha junto com seus parceiros para garantir que os centros médicos mantenham seus estoques.
md (EFE, ots)
Irã declara vitória na guerra, mas população teme o futuro
Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã podem ter sido interrompidos, mas, para muitas pessoas dentro da república islâmica, o medo não.
O governo iraniano vem retratando o acordo de cessar‑fogo acordado com EUA e Israel como prova de que a suposta "vitória no campo de batalha" será agora consolidada no plano político. Mas essa não é a forma como muitos dentro do país estão vivenciando este momento. Para eles, o cessar‑fogo trouxe alívio, mas não a paz.
A guerra pode ter sido suspensa, mas o sistema político iraniano permanece intacto, alimentando a ansiedade pública de que um governo fragilizado pelo conflito mas ainda no poder, possa agora reagir endurecendo a repressão interna.
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O Irã não participará das negociações com os Estados Unidos no Paquistão para pôr fim à guerra até que seja aplicado o cessar-fogo no Líbano, que sofreu duros ataques israelenses nos últimos dias, informou a imprensa iraniana.
"As negociações seguem suspensas até que os Estados Unidos cumpram seus compromissos em relação ao cessar-fogo no Líbano e o regime israelense ponha fim aos seus ataques", indicaram as agências de notícias Fars e Tasnim, ambas vinculadas à Guarda Revolucionária.
Os dois veículos citaram fontes informadas sobre a situação e indicaram que a equipe negociadora iraniana ainda não se deslocou para Islamabad, onde está previsto que as conversas comecem amanhã.
Irã e EUA acordaram na última quarta um cessar-fogo de duas semanas, período no qual negociarão o fim de uma guerra que começou em 28 de fevereiro.
No entanto, horas após o acordo, Israel lançou uma dura ofensiva contra o Líbano que deixou mais de 300 mortos, gerando críticas do Irã, que insiste que o território libanês faz parte da trégua.
Os Estados Unidos negaram, por sua vez, que o Líbano faça parte desse acordo, mas ontem foi anunciado que Israel e o país árabe manterão negociações em Washington na semana que vem.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira que os ataques contra o Líbano são uma violação do cessar-fogo e alertou que essas agressões "deixam as negociações sem sentido".
"Temos o dedo no gatilho. O Irã nunca abandonará seus irmãos libaneses", afirmou.
md (EFE, ots)
ONU alerta para crise de segurança alimentar no Líbano devido à guerra
O Líbano enfrenta uma crise de segurança alimentar, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, devido à interrupção do fornecimento de mercadorias ao país em decorrência da guerra com o Irã.
"O que estamos testemunhando não é apenas uma crise de deslocamento; ela está se transformando rapidamente em uma crise de segurança alimentar", afirmou Allison Oman, diretora do PMA no país, por videoconferência de Beirute. Ela alertou que os alimentos estão se tornando cada vez mais inacessíveis devido ao aumento dos preços e à crescente demanda das famílias deslocadas.
md (Reuters, ots)
Ucranianos abateram drones Shahed na guerra com o Irã, diz Zelenski
Militares ucranianos abateram drones Shahed de fabricação iraniana em vários países do Oriente Médio durante a guerra com o Irã, disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, descrevendo as operações como parte de um esforço mais amplo para ajudar os parceiros a combater as mesmas armas usadas pela Rússia na Ucrânia.
Zelenski fez seu primeiro reconhecimento público das operações na quarta-feira, em declarações a repórteres que estavam sob embargo até esta sexta-feira.
O líder ucraniano disse que as forças de seu país participaram de operações ativas no exterior usando drones interceptores de fabricação nacional e testados em combate.
md (AP, ots)