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Ondas de calor marinho aceleram morte de corais

9 ago 2019
16h20
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Estudo revela que aumento da temperatura do mar contribui não somente para branqueamento como leva à degradação interna de esqueletos de corais, matando a espécie em poucas semanas.As ondas de calor dos oceanos estão levando corais à morte em um ritmo muito mais rápido do que o imaginado, revelou um estudo divulgado nesta sexta-feira (09/08) na revista especializada Current Biology. Pesquisadores da Austrália, Estados Unidos e Reino Unido analisaram os impactos do aquecimento global da Grande Barreira de Corais australiana.

Em 2016, branqueamento atingiu parte da Grande Barreira de Corais
Em 2016, branqueamento atingiu parte da Grande Barreira de Corais
Foto: DW / Deutsche Welle

Os cientistas já sabiam que o aumento da temperatura da água do mar, atribuído ao aquecimento global, pode danificar os corais por meio de um fenômeno chamado de branqueamento, processo no qual a espécie perde microalgas fotossintetizantes localizadas na sua superfície, sua principal fonte de energia, causando a sua morte.

Com a perda das microalgas coloridas em vários eventos seguidos de branqueamento, como ocorreu com a Grande Barreira de Corais em 2016 e 2017, os corais podem ser destruídos em poucos meses ou anos. Se a temperatura da água diminuir, no entanto, os recifes conseguem se recuperar.

O estudo revelou, porém, que ondas de calor marinho severas podem degradar internamente o esqueleto de corais, potencialmente matando os organismos em poucos dias ou semanas. A degradação de recifes coloca ainda em riscos outras espécies que vivem nestes locais.

"A gravidade das ondas de calor vai além do processo de branqueamento, é, na verdade, um ponto no qual a própria espécie está morrendo", afirmou a coautora do estudo Tracy Ainsworth, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália.

Segundo o pesquisador Scott Heron, da Universidade australiana James Cook, a rápida dissolução dos esqueletos de corais após ondas de calor severas foi uma surpresa. "Cientistas do clima falam de incógnitas desconhecidas, ou seja, impactos que não podemos prever a partir de conhecimento e experiência existentes. Essa descoberta se encaixa nesta categoria", destacou.

Em 2016 e 2017, o branqueamento de corais afetou quase a metade dos 2,3 mil quilômetros do recife australiano, que é o maior sistema de corais do mundo e faz parte da lista de Patrimônio Mundial da Unesco.

A Grande Barreira de Corais cobre uma área maior do que a Itália e é um dos ecossistemas mais diversos do planeta.

CN/afp/dw

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