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O resultado das eleições consolida força da direita e expõe erros de cálculo no Planalto

Avanço conservador no Senado, apelo das redes e descontentamento com o governo moldam o cenário político para a disputa de segundo turno

5 out 2026 - 10h53
(atualizado às 11h03)
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Resumo
As eleições consolidaram o avanço conservador ao levar Flávio Bolsonaro (47%) à frente de Lula (45,2%) no primeiro turno, expondo falhas no cálculo político do Planalto. Impulsionada pelo Sudeste, redes sociais e forte antipetismo, a direita também ampliou seu domínio no Congresso Nacional. Rumo à votação decisiva, Lula enfrentará um cenário histórico desfavorável e a difícil missão de atrair o eleitorado de direita para virar a disputa.

As urnas falaram. E, falaram bem alto. O resultado das eleições deste domingo (4) desenhou um quadro de profunda reorganização de forças. Impôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seu pior desempenho em termos de votos válidos no primeiro turno desde 1998. E, isso diz muito sobre o que o povo quer. Ou, não quer.

O resultado das eleições consolida força da direita e expõe erros de cálculo no Planalto
O resultado das eleições consolida força da direita e expõe erros de cálculo no Planalto
Foto: Canva / Perfil Brasil

A voz do povo...

Ao contabilizar 45,2% das preferências — equivalentes a 53,9 milhões de votos —, Lula foi ultrapassado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 47% das urnas, impulsionado pela expressiva mobilização do eleitorado no Sudeste e pelo apoio engajado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Essa configuração reflete o peso de estratégias de campanha que subestimaram o apelo conservador e a dimensão do antipetismo.

O resultado das eleições e a força da nova composição parlamentar

Ao analisar a transformação na arquitetura legislativa, o jornalista Eduardo Castro pontuou como os mecanismos contemporâneos de comunicação e o modelo de financiamento público redefiniram o perfil das bancadas.

"Uma das conclusões que eu chego para o que aconteceu no Congresso é que foram as novas tecnologias, as velhas igrejas e o dinheiro de sempre. Só que, o dinheiro de sempre na mão do Centrão, dos deputados eleitos, é muito grande. Sem falar no aumento enorme das emendas parlamentares. Então, você tem um Congresso formado por 150 pessoas de internet, um Centrão menor e uma permanente necessidade de mudança que vem a cada eleição. Para muita gente, junto com o antipetismo, a mudança é tirar o PT e tirar o Lula."

Além disso, Castro lembra do chamado 'voto envergonhado': "Existe uma diferença muito grande entre o que se fala e o que se faz na hora de votar. Então, vem o 'voto envergonhado'. O Brasil é um país de direita. Sempre foi. É um país em que, em boa medida, a educação ainda não chega para todos. E aí, essas pessoas são suscetíveis ao medo. Junte-se a isso as igrejas, que trabalham só com o medo."

Cenários eleitorais

Diante da consolidação das urnas, o cientista político Rodrigo Prando mapeou a dinâmica que projeta a disputa decisiva e o impacto institucional da nova formação do Senado Federal.

"A distância de Flávio Bolsonaro em relação a Lula é bem maior do que a mensurada pelos institutos de pesquisa, e vale lembrar que todos os candidatos que saíram à frente no primeiro turno foram eleitos em todas as disputas desde 1989. Temos um Senado com força do PL e com chances de impeachment de ministros do STF, além de uma Câmara também de direita. A juventude parece ter caminhado com Flávio Bolsonaro, distante dos valores da esquerda, enquanto a distância entre os concorrentes diminuiu no Nordeste."

O avanço registrado pelo Partido Liberal (PL) encolheu a bancada moderada no Congresso Nacional. E, principalmente, expôs a falha nos diagnósticos da articulação governista. A aposta de que o senador carioca seria um adversário frágil no debate público revelou-se um equívoco diante do apelo das plataformas digitais e do descontentamento explorado pelo eleitorado conservador.

Como será o amanhã?

Com a presença garantida de ambos na votação final marcada para o dia 25 de outubro, a disputa do segundo turno medirá a capacidade de recuperação das alianças da situação frente a uma oposição revigorada e institucionalmente fortalecida nas urnas.

Vale lembrar que Flávio superou a votação do pai em 2022 em cerca de 5 milhões de votos. Passou de 51,1 milhões (43,2% dos votos válidos) para 56,1 milhões. Em resumo, para uma virada, Lula tem uma árdua missão: conquistar o eleitor de Direita.  Há votos que ficaram com Cury, Caiado e Renan, por exemplo. O desafio, portanto, à luz da história do Brasil, é imenso.

Perfil Brasil
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