Ex-príncipe Andrew contesta judicialmente buscas em sua casa relacionadas ao caso Epstein
O ex-príncipe Andrew entrou com uma ação judicial para contestar a legalidade das buscas realizadas pela polícia em fevereiro, durante sua prisão ligada ao caso Epstein. Uma porta-voz do sistema judiciário do Reino Unido indicou que uma audiência será realizada a portas fechadas, diante de um juiz da Alta Corte de Londres, na quinta-feira (8).
O ex-príncipe Andrew contestou judicialmente mandados de busca emitidos contra suas residências, em um ato inédito para a realeza britânica desde 1649. Investigado por suposta má conduta pública, ele é suspeito de repassar dados sigilosos a Jeffrey Epstein quando atuava como representante comercial do Reino Unido, além de ser alvo de apurações sobre abuso sexual. Destituído de seus títulos em 2025 após novas revelações póstumas de Virginia Giuffre, o irmão de Charles III nega todas as acusações.
"O caso diz respeito a um pedido apresentado por Andrew Mountbatten-Windsor" no âmbito de um recurso destinado a "cancelar mandados de busca emitidos por um juiz do Tribunal Criminal Central em 18 de fevereiro de 2026", acrescentou a fonte, confirmando informações do jornal britânico The Telegraph.
O irmão do rei Charles III é alvo de uma investigação policial por "má conduta no exercício de uma função pública". Ele foi preso em 19 de fevereiro e permaneceu detido para interrogatório por várias horas. Andrew é suspeito de ter repassado informações sensíveis ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein enquanto atuava como representante comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011.
Buscas foram realizadas em sua residência em Sandringham, no leste da Inglaterra, e em sua antiga casa em Windsor, cerca de 30 quilômetros a oeste de Londres. As operações duraram vários dias, dentro de um caso que abalou a família real britânica.
A polícia local informou em maio que também analisava uma acusação segundo a qual uma mulher teria sido enviada por Jeffrey Epstein à residência do príncipe Andrew "para fins sexuais".
Perda dos títulos reais
Andrew Mountbatten-Windsor, de 66 anos, ainda não foi formalmente acusado. Ele sempre negou qualquer relação com o caso Epstein. Segundo o The Telegraph, esta é a primeira vez que um membro da família real britânica contesta a legalidade de um processo penal movido contra si desde o julgamento do rei Charles I, em 1649.
O ex-príncipe Andrew foi destituído de seus títulos reais por Charles III em 2025, após a publicação das memórias póstumas de Virginia Giuffre, peça-chave do caso Epstein, que fez graves acusações contra o irmão do rei.
Andrew também foi obrigado a deixar a residência de Royal Lodge, no domínio de Windsor, onde viveu por mais de vinte anos, transferindo-se para a propriedade de Sandringham, no condado de Norfolk.
O terceiro filho da rainha Elizabeth II já não exercia nenhuma função pública desde novembro de 2019, após uma entrevista à BBC considerada desastrosa, na qual afirmou que nunca havia conhecido Virginia Giuffre.
Em suas memórias póstumas, Giuffre, que se suicidou em abril de 2025, afirma ter sido forçada a manter relações sexuais com o ex-príncipe em três ocasiões a partir de 2001, quando tinha 17 anos. O irmão do rei chegou a um acordo extrajudicial com Giuffre em 2022, no âmbito de uma ação civil movida nos Estados Unidos, mas sem jamais admitir responsabilidade.
Com AFP
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