Imprensa internacional destaca resultado 'inesperado' entre Flávio e Lula
Veículos resgataram vitória petista contra Bolsonaro, além da tentativa de golpe de Estado
A imprensa internacional repercutiu com surpresa o primeiro turno das eleições brasileiras, no qual Flávio Bolsonaro liderou com 47,03% dos votos, superando o presidente Lula, que obteve 45,16% contrariando as pesquisas. Veículos estrangeiros classificaram o resultado como doloroso para o petista e definiram a disputa como uma revanche política do clã Bolsonaro, além de alertarem que uma eventual vitória da direita pode consolidar uma guinada conservadora alinhada a Donald Trump na América Latina.
O resultado do primeiro turno das eleições, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47,03% dos votos, à frente do candidato à reeleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%, repercutiu na imprensa internacional.
Para o italiano La Repubblica, o resultado é "tanto inesperado quanto doloroso" para Lula, que esperava vencer com mais de 50% das preferências no domingo (4).
O jornal citou que todas as pesquisas mostravam Lula na liderança, lembrando ainda que o petista tenta vencer sua quarta eleição, ao ter derrotado o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Além disso, a análise eleitoral também mencionou que o ex-chefe de Estado não aceitou o resultado do último pleito, ligando-o a uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023, crime pelo qual foi condenado a mais de 27 anos de prisão.
O também italiano Il Sole 24 Ore reforçou que Lula era o único candidato progressista entre os principais nomes em 2026.
Além de Flávio, disputaram o pleito os representantes de direita Augusto Cury (Avante), que terminou em terceiro lugar (2,89%); Renan Santos (Missão), quarto colocado, com 2,24%; Ronaldo Caiado (PSD), em quinto (2,18%); e Romeu Zema (Novo), em sexto (0,27%).
O americano Washington Post definiu a disputa entre Lula e Flávio como uma "espécie de revanche" para o senador, que busca vencer o pleito contra o progressista que derrotou seu pai há quatro anos com 50,9% dos votos contra 49,1% de Bolsonaro.
A publicação também afirmou que o filho do ex-chefe de Estado é um aliado do presidente americano, o republicano Donald Trump.
O britânico The Guardian destacou que o senador de extrema-direita e filho de Jair Bolsonaro - "que caiu em desgraça" - teve um desempenho "acima do esperado".
Já a agência francesa AFP reforçou que caso Flávio triunfe no segundo turno, "a potência latino-americana se juntará a uma marcha constante rumo à direita observada nas últimas eleições na região [como Colômbia, Peru e Chile, além da Argentina], uma tendência defendida pelo presidente dos EUA".
O jornal argentino La Nación frisou que as eleições caminharam para o segundo turno devido aos votos do Nordeste, que ajudaram a reduzir a diferença final na apuração entre Lula e Flávio.
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