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O que está em jogo no julgamento de Musk contra a OpenAI

29 abr 2026 - 13h46
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Bilionário e ex-investidor pressiona para que a dona do ChatGPT vire uma entidade sem fins lucrativos. Cenário afetaria o mercado de tecnologia e debate sobre o uso comercial da inteligência artificial.Os cofundadores da OpenAI, Elon Musk e Sam Altman, compareceram para as declarações iniciais nesta terça-feira (28/04) de um julgamento que pode definir o futuro da empresa dona do ChatGPT e de seu modelo de desenvolvimento da inteligência artificial.

Há anos Musk acusa Altman de tê-lo enganado para que investisse milhões na empresa, alegando que se tratava de uma startup sem fins lucrativos cuja tecnologia revolucionária seria aberta e beneficiaria o mundo inteiro.

Os dois cofundaram a OpenAI em 2015 com a ideia de criar um guardião benevolente da tecnologia e conter rivais como o Google. Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, deixou a OpenAI em 2018 após investir 38 milhões de dólares (R$ 190 milhões). A Microsoft, também ré no processo, aportou US$ 10 bilhões na empresa em 2023.

A disputa entre os ex-amigos é travada em um tribunal de Oakland, Califórnia, nos EUA. Um possível ganho de causa a Musk colocaria pressão sobre OpenAI, já que o bilionário exige que a empresa volte ao status de organização sem fins lucrativos e abra o código de suas criações. Ele também pede que Altman seja retirado do conselho de administração da empresa e uma indenização de 150 bilhões de dólares (R$752 bilhões).

Por que o julgamento é importante

Observadores avaliam que o julgamento teria um peso simbólico ao definir as bases de como a IA deveria ser utilizada. Se Musk sair vitorioso, reforça a percepção de que a tecnologia deve ser aberta e não pode se limitar a objetivos comerciais ou lucro. Muitos temem que a inteligência artificial possa destruir empregos e representar uma ameaça existencial à sobrevivência da humanidade.

Por outro lado, o ChatGPT é um dos principais concorrentes do chatbot Grok, desenvolvido por empresas de Musk e lançado em 2023 junto ao X, e ação judicial é interpretada como uma tentativa do bilionário de tirar um concorrente do caminho.

O julgamento ocorre enquanto a OpenAI se prepara para uma possível oferta pública inicial que pode avaliá‑la em 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões), segundo a agência de notícias Reuters.

Atualmente, a OpenAI é estruturada como uma corporação de benefício público, na qual a entidade sem fins lucrativos e outros investidores — incluindo a Microsoft — detêm participações.

Uma derrota para Altman levaria a um novo arranjo do atual mercado global e beneficiaria também empresas como Anthropic, Google, DeepSeek e Meta.

O júri foi escolhido na segunda-feira, e o julgamento está programado para durar três semanas. Nesta quarta-feira, Musk depôs ao tribunal.

OpenAI descarta acusações

O advogado de Musk, Steven Molo, citou a declaração de missão da OpenAI quando ela foi criada como uma organização sem fins lucrativos, voltada ao benefício da humanidade como um todo, e não limitada pela necessidade de gerar enriquecimento financeiro para ninguém.

Segundo ele, Altman e seu principal braço direito, Greg Brockman, com a ajuda da Microsoft, "roubaram uma instituição de caridade cuja missão era o desenvolvimento seguro e aberto da inteligência artificial".

"Se permitirmos que se saqueie uma instituição de caridade, todo o fundamento das doações de caridade nos Estados Unidos será destruído", declarou Musk.

A OpenAI descarta as acusações. A empresa diz ter criado uma entidade com fins lucrativos para poder adquirir capacidade computacional e remunerar cientistas de ponta.

Em sua declaração inicial, o advogado da OpenAI, William Savitt, disse aos jurados: "Estamos aqui porque o sr. Musk não conseguiu o que queria com a OpenAI".

Savitt afirmou que Musk usou promessas de fornecer financiamento para pressionar os membros fundadores da OpenAI e tentou assumir o controle da empresa e fundi-la com a Tesla. Segundo ele, o dono do X queria construir uma nova empresa com fins lucrativos. No meio das discussões sobre o futuro da OpenAI, acrescentou Savitt, Musk cortou as doações trimestrais de 5 milhões de dólares (R$ 25 milhões) que vinha fazendo.

Não há registro, disse Savitt, de promessas feitas a Musk de que a OpenAI permaneceria uma organização "sem fins lucrativos" para sempre ou de que seu código seria aberto.

Em 2023, Musk defendia umapausa no desenvolvimento de tecnologias deste tipo devido a riscos de segurança, mas desde que adquiriu a xAI pela Space X, ele deixou de defender limites ao uso de inteligências artificiais.

Troca de farpas

Antes de o júri ser acomodado na terça‑feira, a juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers repreendeu Musk após advogados da OpenAI reclamarem de publicações no X em que ele atacava Altman como "Scam Altman". Conhecido por seus comentários públicos agressivos, Musk concordou em reduzir sua atividade na rede social — o mesmo fez Altman.

Os réus responderão por violação de confiança de natureza beneficente e enriquecimento sem causa.

Além de Altman e Musk, devem depor o CEO da Microsoft, Satya Nadella, um dos líderes de tecnologia que ajudaram a financiar o lançamento, no fim de 2022, do ChatGPT. O chatbot desencadeou o atual boom da inteligência artificial e impulsionou o mercado de ações a recordes históricos.

gq/ra (AP, Reuters, OTS)

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