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O perigo invisível da Geração Z abandonar o médico de família

Jovens desta geração evitam consulta médica de rotina. Situação que está preocupando especialistas

18 jul 2026 - 16h10
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As consultas com médicos estão mudando com a Geração Z, mas essa mudança acende um alerta vermelho entre especialistas. De acordo com um estudo nacional recente realizado pelo Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio, mais de 25% dos jovens adultos não possuem médicos de atenção primária.

Geração Z está abrindo mão do médico da família
Geração Z está abrindo mão do médico da família
Foto: Canva / Perfil Brasil

A princípio, a negligência com os cuidados preventivos marca a Geração Z. Apenas 47% dos jovens de 18 a 29 anos agendaram ou compareceram a uma consulta médica de rotina no último ano. Em contrapartida, 97% dos idosos com 65 anos ou mais afirmam ter um profissional de saúde de referência.

Diante desse cenário, a médica de emergência e professora associada clínica da Universidade George Washington, Dra. Leana Wen, adverte sobre os riscos dessa conduta:

"Uma consulta anual não se trata apenas da saúde de hoje — ela ajuda a identificar riscos futuros, mantém os cuidados preventivos em dia e oferece um profissional de saúde de confiança que conhece seu histórico médico e pode ajudar a lidar com problemas de saúde, sejam eles físicos ou mentais, à medida que surgem."

O perigo de trocar o consultório pelo pronto-socorro

Atualmente, cerca de 36% dos jovens buscam atendimento em clínicas de urgência rápida para resolver queixas comuns e não emergenciais. Embora esses locais ofereçam conveniência e rapidez, eles não substituem o acompanhamento contínuo.

Nesse ínterim, doenças graves como o câncer colorretal registram alta histórica entre adultos com menos de 50 anos. A falta de rastreamento precoce impede diagnósticos rápidos que salvam vidas.

O consultor sênior de inovação do Beth Israel Deaconess Medical Center, Dr. Russell Phillips, explicou em entrevista à CNN os benefícios do vínculo clínico:

"Há oportunidades perdidas de construir uma relação de confiança com alguém que pode potencialmente evitar que você precise ir ao pronto-socorro ou ajudá-lo de maneiras que contribuam para a manutenção da sua saúde a longo prazo"

Escassez global de médicos de atenção primária

Do mesmo modo, a escassez de mão de obra qualificada dificulta o agendamento de consultas. Projeções da Administração de Recursos e Serviços de Saúde dos EUA estimam uma falta de mais de 70 mil médicos de atenção primária até 2038.

O Dr. Russell Phillips, que também atua como diretor fundador do Centro de Atenção Primária da Faculdade de Medicina de Harvard, analisa a gravidade da situação estrutural:

"O acesso aos cuidados primários de saúde está se tornando cada vez mais difícil. Simplesmente não temos médicos de atenção primária suficientes. É difícil encontrar um que esteja aceitando novos pacientes em seu consultório."

Diante desse cenário desafiador, estabelecer uma rotina preventiva continua sendo a melhor ferramenta para garantir longevidade e qualidade de vida.

Perfil Brasil
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