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Novo tarifaço de Trump pode afetar 4,1 mil produtos brasileiros, estima indústria

A CNI aponta que mais de quatro mil produtos correm o risco de sobretaxa caso a gestão de Donald Trump avance com a medida econômica

6 jul 2026 - 10h52
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A Confederação Nacional da Indústria, conhecida como CNI, divulgou nesta segunda-feira (6) uma estimativa preocupante para o comércio exterior. Segundo a entidade, 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos podem ser afetados se o governo Donald Trump implementar o tarifaço sugerido pelo Escritório do Representante de Comércio, o USTR. A estimativa veio a público no dia em que começam as audiências públicas em Washington acerca do possível novo tarifaço.

Entenda como o tarifaço dos EUA pode atingir US$ 14,9 bilhões em produtos brasileiros
Entenda como o tarifaço dos EUA pode atingir US$ 14,9 bilhões em produtos brasileiros
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

O prazo para um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos se encerra no dia 15 de julho. Por esse motivo, o governo afirma que corre contra o tempo para chegar a um entendimento benéfico para os dois lados. De acordo com o USTR, o Brasil adota práticas econômicas desleais contra empresários americanos em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. Essa tese é rechaçada formalmente pelo governo brasileiro em documento enviado na semana passada ao governo de Donald Trump.

Entenda o impacto bilionário nas vendas do Brasil

Conforme a CNI, juntos, esses 4,1 mil produtos que correm o risco de serem afetados caso o tarifaço seja implementado correspondem a US$ 14,9 bilhões em exportações. A lista de itens vulneráveis inclui ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

"A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países", afirmou em nota o presidente da entidade, Ricardo Alban.

A estratégia do governo federal em Washington

O governo brasileiro decidiu não se inscrever para discursar nas audiências públicas que acontecem a partir desta segunda-feira nos Estados Unidos sobre o tarifaço proposto pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano. Mesmo assim, a embaixada em Washington enviará representantes, na condição de observadores, para que o governo tome ciência dos argumentos apresentados.

As informações são do Ministério das Relações Exteriores. O entendimento do governo brasileiro é que este espaço das audiências públicas não é o adequado para uma negociação real. O foco principal do Brasil são as conversas técnicas e de alto nível que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os próximos dias.

Bastidores e as expectativas para o acordo final

Na semana passada, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, teve uma conversa com o representante do escritório comercial dos EUA, Jamieson Greer. Após a reunião, Marcio Elias Rosa informou que novas conversas estão previstas para os próximos dias. Nesses encontros entre autoridades brasileiras e americanas voltados à negociação, o governo apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelos EUA, mas ainda não recebeu resposta formal.

Diante do prazo apertado, o próprio governo brasileiro vem dizendo que corre contra o tempo para chegar a um entendimento com o governo americano. A estratégia envolve mostrar os dados da relação comercial e do combate ao desmatamento. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que a recomendação feita pelo USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano.

Eles dão como exemplo o fato de os documentos referentes ao início da investigação comercial, de julho de 2025, e da recomendação pelas tarifas, de junho de 2026, serem praticamente iguais. Portanto, sob reserva, integrantes do governo dizem não acreditar na reversão completa do tarifaço, mas trabalham focados em uma eventual redução ou no anúncio de exceções que diminuam os prejuízos.

Perfil Brasil
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