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Nova IA "enxerga" caminhões e identifica até eixo suspenso; entenda

Sistema combina câmeras, redes neurais e sensor lidar para classificar veículos em rodovias, contar eixos e detectar situações como caminhões trafegando muito próximos ou com eixo levantado

28 jun 2026 - 09h11
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Uma nova tecnologia promete tornar mais precisa a identificação de caminhões no pedágio eletrônico e na fiscalização rodoviária. A solução integra câmeras, inteligência artificial e sensor lidar para analisar características físicas dos veículos, contar eixos e detectar se um caminhão circula com eixo suspenso.

A explicação foi dada por executivos da estadunidense TransCore e da brasileira Pumatronix durante rodada de conversa com jornalistas, às vésperas da Bienal das Rodovias, que ocorreu em Brasília. As duas empresas firmaram parceria para atuar no mercado brasileiro de free flow, modelo de pedágio eletrônico sem cancelas.

Como IA "enxerga" o caminhão

Segundo Rodrigo DePaula, vice-presidente de Operações da TransCore, o sistema conta com dois tipos de detectores. O primeiro é baseado em vídeo e usa redes neurais treinadas para reconhecer padrões visuais, técnica de inteligência artificial voltada ao reconhecimento de imagens, para contar eixos e mapear características físicas do veículo.

O segundo é um sensor lidar apontado para o chão, capaz de gerar uma leitura tridimensional do caminhão. Com ele, o sistema mede tamanho, volume e formato do veículo e ainda identifica quando dois caminhões trafegam próximos demais, situação que pode comprometer a leitura correta da placa.

Eixo suspenso entra na análise

A tecnologia também detecta se o caminhão circula com eixo levantado. Para isso, o sistema usa duas câmeras por faixa, posicionadas em diagonal, que fazem uma dupla checagem do veículo.

A leitura é relevante porque a quantidade de eixos define a categoria do caminhão e, consequentemente, o valor cobrado no pedágio. Caminhões vazios podem rodar com eixo suspenso, mas quando há carga, o veículo precisa estar compatível com o manifesto de carga. A identificação automática do eixo permite cruzar essas informações e apontar inconsistências.

Câmeras não ficam na vertical

As câmeras são instaladas em ângulos diagonais, não na posição vertical convencional. O objetivo é ampliar a leitura da composição do veículo, captando não apenas a placa, mas também a estrutura, os eixos e a configuração física no momento da passagem pelo pórtico.

Sistema busca reduzir erros de classificação

Classificar corretamente os veículos é um dos principais desafios do free flow. Sem cabine ou parada na praça, a tecnologia precisa distinguir, de forma automática, se o que passa pelo pórtico é um carro, ônibus, caminhão, utilitário ou uma combinação de veículos. A integração entre vídeo, IA e lidar busca ampliar a confiabilidade dessa leitura nos casos mais difíceis.

Tecnologia já opera nos EUA

Jim Wilson, SVP, International Toll Programs, da Transcore (na esquerda); Sylvio Calixto, CEO do Grupo Pumatronix (no meio); Rodrigo DePaula, Vice Presidente, Operações, da Transcore (na direita) |
Jim Wilson, SVP, International Toll Programs, da Transcore (na esquerda); Sylvio Calixto, CEO do Grupo Pumatronix (no meio); Rodrigo DePaula, Vice Presidente, Operações, da Transcore (na direita) |
Foto: Pumatronix/Divulgação / Estadão

A TransCore já utiliza a identificação de eixo suspenso em alguns estados americanos e afirma que a solução está pronta para novos mercados. No Brasil, a parceria com a Pumatronix visa adaptar essas tecnologias às particularidades do sistema nacional, onde a cobrança por categoria, eixo e configuração do veículo torna a classificação mais exigente.

Por que isso importa para o free flow

A nova geração de equipamentos mira um problema persistente: identificar o caminhão corretamente sem obrigá-lo a parar
A nova geração de equipamentos mira um problema persistente: identificar o caminhão corretamente sem obrigá-lo a parar
Foto: Pumatronix/Divulgação / Estadão

Com a expansão do free flow no país, cresce também a demanda por sistemas capazes de cobrar corretamente sem depender de praças físicas. Uma leitura imprecisa pode gerar cobrança indevida, evasão ou contestações posteriores. Tecnologias que reconhecem o veículo com mais precisão tornam-se, assim, peça central na operação do pedágio sem cancela.

Ao combinar câmeras, inteligência artificial e sensores tridimensionais, a nova geração de equipamentos mira um problema persistente nas rodovias: identificar cada caminhão corretamente sem obrigá-lo a reduzir a velocidade ou parar.

Estadão
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